ResuMED de cicatrização de feridas – fases, tipos, curativos e muito mais!

ResuMED de cicatrização de feridas – fases, tipos, curativos e muito mais!

Como vai, futuro Residente? O tema cicatrização de feridas é muito comum nas provas de Residência Médica. Por isso, nós do Estratégia MED preparamos um resumo exclusivo com tudo o que você precisa saber sobre o tema para os concursos. Para saber mais, continue a leitura. Bons estudos!

Introdução

Por definição, ferida é a ruptura de uma estrutura normal e da função da pele e dos tecidos moles adjacentes, ela faz com que o organismo necessite de um mecanismo restaurador para reparar essa estrutura, o processo é chamado de cicatrização.

As feridas podem ser classificadas em agudas, quando apresentam mecanismo claro que levou à ruptura ou perda da integridade da pele, ou crônica, quando não seguem o processo ordenado de cicatrização, prejudicando sua integridade anatômica e funcional. Geralmente, feridas que não cicatrizam dentro de 3 meses são consideradas crônicas. 

Fases da cicatrização

A cicatrização segue uma ordem de fatores previsíveis que permitem a recuperação do tecido lesado em sua integridade e função, são as 3 fases: inflamação, proliferação e maturação. 

Fase inflamatória

Ocorre entre o momento da lesão e 6 dias após,  é precedida pela hemostasia, com a chegada de plaquetas, formação de coágulo de fibrina, liberação de citocinas, fatores de crescimento e vasoconstrição.

Após a fase de hemostasia ocorre de fato a fase inflamatória, em que acontece o aumento da permeabilidade vascular e, consequentemente, vasodilatação, ambos causados por diversas substâncias como histamina e serotonina. Além disso, as primeiras células a infiltrar a ferida são os neutrófilos

Na cicatrização, os neutrófilos são responsáveis pela fagocitose de bactérias e debris celulares, além de liberarem citocinas inflamatórias e produzir proteínas para degradar a matriz extracelular. 

Após os neutrófilos, surgem os macrófagos, com pico entre 48 e 96 horas, responsáveis por recrutar e ativar outras células pela liberação de mediadores celulares, realizar fagocitose, renovar a matriz extracelular e controlar a microbiota local. 

Por fim, surgem os linfócitos, a verdadeira ponte entre a fase inflamatória e a fase proliferativa da cicatrização. São responsáveis pela estimulação de fibroblastos e liberação de citocinas (IL-2 e fator ativador de fibroblastos).

Fase proliferativa

É nessa fase que a continuidade do tecido é restabelecida, caracterizando-se pela formação de tecido de granulação, um leito capilar com fibroblastos, macrófagos e um arranjo frouxo de colágeno, ácido hialurônico e fibronectina. Ocorre a partir de 3 fenômenos que seguem a seguinte ordem: fibroplasia, angiogênese e epitelização.

Aqui, as principais células são os fibroblastos e as células endoteliais. Os fibroblastos sintetizam o colágeno no processo de fibroplasia, uma proteína essencial para a integridade funcional da ferida, principalmente o colágeno tipo I. Além do colágeno, os fibroblastos sintetizam glicosaminoglicanos e proteoglicanos, substâncias que compõem o tecido de granulação. 

Já as células endoteliais são as principais responsáveis pela angiogênese, um processo em que há a formação de novos vasos sanguíneos, fundamental para restauração do fluxo sanguíneo local nas arteríolas e nos capilares da matriz extracelular. 

Por fim, tem-se a fase de epitelização, em que há o restabelecimento da barreira epidérmica, responsável por impedir uma infecção bacteriana e perda de líquidos,  ocorre com a proliferação e migração de células adjacentes à ferida, realizada pela célula queratinócito. 

A epitelização se inicia dentro de 24 horas após a lesão e conclui em até 48 horas. Por isso, não se deve fazer curativos em feridas fechadas após 48 horas. 

Fase de maturação

Caracteriza-se pela contração da ferida, em um movimento centrípeto de toda a espessura da pele ao redor da ferida, diminuindo a quantidade de cicatriz desorganizada. A principal célula envolvida é o miofibroblasto, que se diferem dos fibroblastos convencionais por apresentarem citoesqueleto composto por actina, semelhante ao músculo liso. 

Essa fase pode durar de meses a anos, em que os níveis de glicoproteínas e mucopolissacarídeos estão diminuídos, e os novos capilares retrocedem e desaparecem, levando ao aumento da resistência da ferida, que aumenta após 1 a 6 semanas e atinge seu patamar até 1 ano após a lesão. 

Fatores que afetam a cicatrização

Existem alguns fatores que intervêm na sequência ordenada de eventos que levam a cicatrização adequada, podendo ser com a presença de um ou mais elementos. Observe a seguir os principais fatores:

  • Fatores locais: tamanho, tipo e local da ferida, suprimento sanguíneo local, infecção, radiação ionizante.
  • Fatores sistêmicos: envelhecimento, diabetes mellitus, desnutrição calórico-proteica, corticoides, obesidade, tabagismo, hipovitaminose A e C, deficiência de zinco e  quimioterápicos.

Tipos de cicatrização

As feridas podem ser classificadas de acordo com o estágio de retorno da estrutura do tecido, podendo ser:

  • Primeira intenção: aproximação das bordas da ferida, incluindo enxertos e retalhos.
  • Segunda intenção: ferida permanece aberta. A cicatrização ocorre pela formação de tecido de granulação.
  • Terceira intenção: realizado após o início da formação do tecido de granulação.

Cicatriz hipertrófica e queloide

Em alguns casos, a cicatrização pode ocorrer de forma exacerbada, causando cicatrizes hipertróficas ou queloides. 

A cicatriz hipertrófica ocorre menos frequentemente que as queloides, geralmente nas áreas de pescoço, peito, lobo da orelha, ombros e parte superior do dorso. Geralmente, causa sintomas como dor, prurido, parestesia e crescimento além das margens da lesão, sem regressão e de histologia hipocelular, colágeno com fibras grossas e dispostas de forma randômica. Seu tratamento é indicado com terapia por pressão, com bandagem de silicone, e injeção de corticoide, caso a primeira opção não resolva.

Já a queloide, é mais frequente e pode ocorrer em qualquer local do corpo, geralmente de 4 a 6 semanas após a lesão. Seus sintomas incluem crescimento, um pouco de prurido e respeito às margens da lesão, com possível regressão espontânea. Sua histologia confere fibras de colágeno com orientação paralela entre elas,  o tratamento inclui uso de terapia por pressão com bandagens de silicone associados a infusão intralesional de corticoide.  

Em casos refratários, pode ser necessária excisão cirúrgica, associada a tratamento adjuvante, além de crioterapia, laserterapia, radioterapia, braquiterapia e imiquimod. 

Curativos

Para que a cicatrização seja bem-sucedida, é importante que seu ambiente esteja limpo, úmido e quente. Assim, temos dois conceitos importantes: oclusão e absorção.

Os curativos oclusivos são os em que o ambiente é levemente ácido e com baixa tensão de oxigênio, que favorece a proliferação de fibroblastos e a formação de tecido de granulação. Já os curativos absortivos são indicados para feridas que produzem grande quantidade de exsudato ou contração aumentada de bactéria, pois reduzem a carga bacteriana e absorvem o excesso de exsudato.

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