Medicina Esportiva nas Olimpíadas: COVID-19, lesões e muito mais sobre Saúde no Esporte

Medicina Esportiva nas Olimpíadas: COVID-19, lesões e muito mais sobre Saúde no Esporte

Os Jogos Olímpicos de Tóquio já começaram, mas você sabe qual a função da Medicina Esportiva nas Olimpíadas? O Estratégia MED te explica! Saiba das novidades do campeonato, a relação com a medicina e as principais lesões do esporte, confira o texto!

As Olimpíadas de Tóquio 2020

Por ser um campeonato mundial, as Olimpíadas envolvem diversos esportes e países. Em 2021, a cidade de Tóquio, no Japão, sedia o evento, que vai de 23 de julho a 8 de agosto.

Nessa edição, é esperada a participação de mais de 206 países, incluindo o Brasil. Quanto aos competidores, são estimados 12.750 atletas, que estarão disputando as medalhas nas 33 modalidades esportivas disponíveis. 

Confira alguns dos principais esportes envolvidos:

  • Atletismo;
  • Basquete;
  • Ciclismo;
  • Futebol;
  • Ginástica;
  • Handebol;
  • Judô;
  • Natação; e
  • Voleibol.

Além disso, vale destacar que o Skate e o Surfe são modalidades estreantes na competição e que já trouxeram medalhas ao Brasil: Ítalo Ferreira, do Surfe, foi medalha de ouro e Rayssa Leal, de apenas 13 anos, garantiu medalha de prata com o Skate.

As Olimpíadas de Tóquio 2020

Medidas contra a COVID-19

Por conta da pandemia, decorrente do novo Coronavírus, algumas alterações precisaram ser feitas na programação das Olimpíadas. Os Jogos aconteceriam tradicionalmente em 2020, durante o período de 24 de julho a 9 de agosto. Entretanto, em 24 de março de 2020, o campeonato foi adiado para 2021. Na história, essa foi a primeira vez que o evento foi adiado, ocorrendo fora do ciclo olímpico, em ano ímpar. Embora haja o adiamento, a competição mantém seu nome e sua marca: Olimpíadas de Tóquio 2020

Em março de 2021, o comitê organizador já havia decidido que o evento não contaria com a presença de estrangeiros, para evitar a chegada de variantes do SARS-COV-2, apenas ao público local seria permitida a presença. Porém, com o crescimento exponencial de casos da COVID-19 no Japão próximo aos Jogos, no dia 8 de julho, o comitê anunciou que as Olimpíadas aconteceriam, pela primeira vez, sem espectadores.

Entretanto, as medidas não se limitaram a acrescentar modalidades esportivas ou alterar o calendário dos Jogos. Para garantir a saúde das equipes, do público e de todos os envolvidos, ações como o aumento da equipe médica durante a edição e a rotina de testes de COVID-19, se tornaram comuns. Os atletas são sempre testados quando chegam ao Japão, além da exigência de apresentação de teste realizado previamente, com resultado negativo, para poderem embarcar rumo às Olimpíadas. 

Casos confirmados

Em pleno auge dos Jogos Olímpicos, Tóquio vem registrando recordes diários consecutivos de casos de Covid-19. Foram mais de 3.100 pessoas infectadas com o novo coronavírus entre os dias 27 e 28 de julho. Daqueles que testaram positivo, 16 pessoas estavam ligadas às Olimpíadas, porém nenhum era atleta. 

Segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante sessão do Comitê Olímpico Internacional, a medida de sucesso para Tóquio 2020 será a certificação de que todos os casos sejam identificados, isolados, rastreados e tratados o mais rapidamente, para que a transmissão do vírus seja interrompida.

O papel da Medicina Esportiva no campeonato

Como mencionado, houve o aumento do contingente médico presente no campeonato, principalmente de médicos do esporte. Em meados de maio de 2021, o Comitê Organizador das Olimpíadas de Tóquio anunciou a busca por 200 profissionais da medicina do esporte para trabalhar nos primeiros socorros de ambulâncias posicionadas nos estádios e ginásios durante os jogos. Além disso, o profissional atenderia pacientes com insolação, machucados e até mesmo aqueles com suspeitas de COVID-19.

A Medicina Esportiva

A Federação Internacional de Medicina do Esporte (FIMS) define a Medicina Esportiva como uma especialidade que inclui segmentos teóricos e práticos da área médica, para assim apurar a influência do exercício, do treinamento e do esporte sobre as pessoas saudáveis ou doentes, com o objetivo de prevenir, tratar e reabilitar.

A especialidade abrange diversas áreas médicas, como clínica médica, cardiologia, endocrinologia, reumatologia, fisiatria, ortopedia (para a traumatologia do esporte ambulatorial e emergencial), entre outras.

O profissional de medicina esportiva geralmente trabalha em colaboração com treinadores, educadores físicos, fisioterapeutas e nutricionistas. Porém, ao que se refere à saúde, principalmente emergencial, o médico do esporte é indispensável, pois é o profissional cuja formação é direcionada para o atendimento de urgências do campo, já que conhece as lesões comuns nos esportes e o adequado tratamento dessas, sem atrapalhar a participação do atleta em suas competições.

Exames pré-olimpíadas

Mas não é só nas emergências e urgências que o médico do esporte atua. Esse profissional opera muito antes do atleta entrar em campo, pois além de cuidar da parte emergencial, é ele quem realiza a avaliação médica pré-participação de atividade física competitiva, para diagnosticar qualquer afecção com chances de se manifestar ou piorar com a prática do esporte e tratá-la o mais rápido possível. 

Por isso, para que os esportistas possam dar o seu melhor nas olimpíadas, alguns exames precisam ser realizados com rotina, desta forma pode-se mapear o estado físico do atleta, identificando possíveis lesões e descobrindo pontos para melhorar na performance do jogador. São algumas dessas avaliações:

  • Ergoespirometria: também conhecido como Teste Cardiopulmonar de Exercício, mede o condicionamento físico e o índice de consumo de oxigênio direto;
  • Avaliação Funcional do Movimento: observa os movimentos do corpo, desequilíbrios, compensações articulares e musculares e possíveis pontos de lesão;
  • Avaliação Nutricional: feita com apoio de nutricionistas, a depender de outros exames, que indicam a quantidade de carboidrato ou proteína que o atleta precisa e se isso será compensado na suplementação; e
  • Avaliação Fisiológica: avaliação dos resultados de exames, testes e perfil do atleta para seguir com as orientações de pontos a serem melhorados ou tratados.

Essas investigações médicas são essenciais para avaliar a capacidade funcional do sistema cardiocirculatório e respiratório, importantíssimos aos atletas de natação e corrida, bem como o sistema músculo-esquelético, indispensável ao competidor de halterofilismo (levantamento de peso). Desta forma, o Médico do Esporte é o profissional mais qualificado para lidar com as diferentes abordagens necessárias na prática dos esportes, principalmente nas olimpíadas, em que uma grande parte das modalidades está reunida.

O papel da Medicina Esportiva nas Olimpíadas

Rotina do Médico do Esporte 

Quando os jogos estão se aproximando, a rotina do médico do esporte envolvido nas Olimpíadas começa a ficar mais agitada, inclusive porque geralmente há viagens internacionais para acompanhar os atletas.

É comum que esse profissional assista aos treinos dos jogadores de alta performance que competem regularmente. Até porque, durante a sua formação, o especialista é treinado para monitorar a saúde do atleta, tanto no ambiente hospitalar, como no extra-hospitalar, o que envolve clubes e quadras esportivas, caso haja alguma emergência durante o treino.

Além disso, é importante que o médico esportivo desenvolva certa convivência com o atleta paciente, seu preparador físico e seu técnico. Esse costume o fará conhecer a rotina do atleta, além de se inteirar sobre as regras do esporte praticado e do campeonato. Certas práticas não são permitidas em alguns esportes, a exemplo de determinados medicamentos e o profissional deve ficar atento a isso para garantir a saúde e o jogo limpo, já que algumas substâncias estão na lista de proibidas pelo Controle de Doping (DCO)

O controle antidoping nos Jogos Olímpicos pode contar com a atuação de médicos do esporte, que farão parte do controle regular de doping dos atletas de ponta da competição, qualquer que seja a modalidade esportiva. Algumas vezes, as coletas podem acontecer fora de competição na Vila Olímpica.

O profissional de medicina esportiva ainda está presente durante os espetáculos e jogos. Para segurança dos envolvidos, as quadras, ginásios e parques olímpicos possuem uma estrutura para atendimento de urgência e emergência aos atletas, onde o médico de esporte atua em casos de pronto atendimento, se for necessário. A medicina do esporte tem contribuído para uma incidência baixa de lesões e outras complicações.

Principais lesões e emergências do esporte

Os atletas diariamente se arriscam a uma variedade de lesões e acidentes, seja durante o treino ou no meio do jogo. Eles estão ainda mais sujeitos quando há uma temporada de treinos intensos, que antecedem grandes competições e ainda mais quando não há o devido acompanhamento por médicos do esporte ou outros profissionais da saúde, além de ser essencial a presença da equipe médica nas competições.

As lesões podem acontecer por diversas causas, seja fraqueza dos músculos, treinamentos incorretos, como o overtraining e anomalias estruturais, que não dividem a força aplicada igualmente por todas as partes do corpo. É indispensável o acompanhamento médico para prevenção e tratamento desde as pequenas dores e desconfortos, pois alguns casos podem gerar consequências irreversíveis, como a incapacidade de praticar o esporte.

Abaixo, confira algumas lesões mais comuns no esporte:

Bursite

Uma pancada ou a utilização excessiva podem fazer com que a bursa de ombros, cotovelos, anca, joelhos e tornozelos inche. Tende a ser um problema simples, tratado com anti-inflamatórios e fisioterapia. Porém, caso a inchação piore, pode ser necessário aspiração e cirurgia.

Contusão

Trata-se de um impacto severo em alguma parte do corpo, que pode causar lesão nos tecidos moles, músculos, tendões ou articulações. Felizmente, a maioria dos casos não é grave, porém é muito comum em esportes de queda, como futebol e basquete.

Distensão muscular

A distensão é uma lesão na junção músculo-tendínea ou no tendão. O médico deve analisar qual o grau da ruptura do tecido. Geralmente, acomete jogadores de futebol e ginastas com frequência. 

Entorse

Ocorre quando há a distensão dos ligamentos que garantem a estabilidade da articulação. Os tornozelos e joelhos são os mais afetados, os tenistas e jogadores de vôlei e handebol estão entre os que mais sofrem com a entorse. Entretanto, é uma das lesões incapacitantes mais comuns também no futebol.

Lombalgia

Grupo de dores que acometem a região da lombar. Uma das queixas mais frequentes nos consultórios do médico do esporte. Muito comum nos competidores de halterofilismo, pois na musculação, o praticante pode levantar pesos incorretamente. 

Luxação

Acontece quando uma articulação é atingida por um impacto muito forte, que empurra o osso colocando-o em uma posição anormal. Os cuidados médicos precisam intervir o mais rápido possível, para o atleta não perder a capacidade de locomoção.

Tendinite

A repetição demasiada de movimentos pode inflamar o tendão que, se continuar sendo forçado, a estrutura pode romper e uma intervenção cirúrgica pode ser necessária. É muito frequente em atletas que usam excessivamente alguma articulação. Estão mais suscetíveis os atletas de tênis, golfe e natação – principalmente a tendinites nos braços e ombros. 

Traumatismo craniano

Decorre de um impacto na cabeça que causa uma lesão no cérebro, gerando desorientação, dor, tontura e náuseas. Muito frequente no futebol, boxe e esportes de contato em geral. Mesmo havendo danos permanentes em alguns casos, muitas pessoas se recuperam bem com o tempo. O afastamento do esporte pode ser recomendado e o tempo varia conforme verificação do médico. 

Lesões no Futebol

É um fato que o Brasil é um dos países com mais fãs de futebol, por isso, o Estratégia MED traz para você um estudo publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte (RBME), que aponta quais as lesões mais frequentes no futebol. O estudo também relata em que partes do corpo as lesões mais ocorrem e com que intensidade

Segundo os dados, a maior parte das lesões, 51,1%, ocorreu durante os treinos e 73,9% não se deu pelo contato com outro jogador ou com algum objeto. O estudo concluiu, ainda, que os mecanismos de lesões mais comuns no futebol são corrida/sprint (33,7%), chute (12%) e salto/aterrissagem (6,5%)

Do total de lesões, 86,9% acometeu os membros inferiores, em grande parte na coxa (38%), joelho (15,2%), quadril/virilha e tornozelo (9,8%). Além disso, os tipos de lesão mais comuns foram ruptura/distensão muscular (37%) e entorse/ligamento (19,6%).

Caso Eriksen

Ainda no âmbito dos campos de futebol, o Caso Eriksen repercutiu muito recentemente. O jogador dinamarquês passou por uma morte súbita abortada em uma partida de futebol da Eurocopa. O atleta simplesmente desmaiou enquanto corria em direção à bola e ficou inconsciente por alguns minutos. 

Felizmente, ele foi atendido em campo pela equipe médica e direcionado ao hospital já acordado. Christian Eriksen sofreu uma parada cardíaca e foi reanimado graças à compressão torácica e ao desfibrilador, conforme o médico da seleção dinamarquesa, Morten Boesen, explicou durante uma entrevista coletiva. 

A morte súbita é a causa mais comum de falecimento de atletas durante a prática do esporte. Sua causa pode advir tanto de fatores hereditários, como condições cardíacas ou da prática excessiva de exercícios – o overtraining. Sendo assim, é fundamental tanto a consulta prévia com o médico do esporte, quanto a presença do profissional em campo para intervir em possíveis emergências.

Essas são algumas das principais atribuições da Medicina Esportiva nas Olimpíadas. Gostou de saber mais? Aqui no blog do Estratégia MED você sempre vai encontrar as principais novidades relacionadas ao mundo da medicina, além de dicas de estudo imperdíveis! Não perca a chance, venha estudar conosco!

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