Resumo de Derrame Cerebral: conceito, quadro clínico e mais!

Resumo de Derrame Cerebral: conceito, quadro clínico e mais!

Olá, meu Doutor e minha Doutora! O derrame cerebral, também conhecido como AVC, é uma das principais causas de morte e incapacidade em todo o mundo. Estima-se que cerca de 15 milhões de pessoas sofram de AVC a cada ano, além de causar altos custos de saúde devido aos tratamentos e cuidados.  

Vem com o Estratégia MED conhecer os principais tipos de derrames cerebrais. Ao final, separei uma questão de prova sobre o tema para respondermos juntos!

O que é o Derrame Cerebral 

O derrame cerebral, também conhecido como acidente vascular cerebral (AVC), ocorre quando há uma alteração do fluxo sanguíneo para o cérebro. Isso pode ser devido a uma hemorragia ou isquemia. A hemorragia é caracterizada por muito sangue na cavidade craniana fechada, enquanto a isquemia é caracterizada por muito pouco sangue para fornecer uma quantidade adequada de oxigênio e nutrientes a uma parte do cérebro. Ambos os tipos de AVC podem ter consequências graves e requerem atenção médica imediata. 

AVC isquêmico e hemorrágico.

Epidemiologia e Fatores de Risco para Derrame Cerebral 

Mundialmente, o acidente vascular cerebral (AVC) é a segunda causa mais comum de mortalidade e de incapacidade. Os acidentes vasculares cerebrais isquêmicos são mais comuns, correspondendo a 85% dos casos, contra 15% dos acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos. 

Os principais fatores de risco para acidente vascular cerebral (AVC) são: 

  • Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS); 
  • Diabetes mellitus (DM); 
  • Idade > 55 anos; 
  • Fibrilação Atrial;
  • Tabagismo e etilismo;
  • Dislipidemia; e
  • Obesidade. 

AVC Isquêmico 

Fisiopatologia 

A isquemia cerebral pode ocorrer devido à trombose, embolia ou hipoperfusão sistêmica. A oclusão de uma artéria cerebral levará à queda do fluxo sanguíneo cerebral, formando uma área de penumbra (região não funcionante, mas potencialmente reversível) e core isquêmico (região não funcionante irreversível).

Area de penumbra e crore insquêmico

Quadro Clínico 

A principal informação que nos faz considerar um quadro de AVC é o início súbito dos sintomas. O quadro clínico dependerá da artéria afetada: 

  • Artéria cerebral média: hemiparesia contralateral (predomínio braquiofacial), paralisia facial central contralateral, hemi-hipoestesia/ deficit sensitivo contralateral, afasia ou negligência.
  • Artéria cerebral anterior: deficit motor de predomínio crural contralateral (pior nos MMII), deficit sensitivo em MMII contralateral, sinais de frontalização, abulia, mutismo, rebaixamento do nível de consciência (se bilateral) e incontinência urinária.
  • Artéria oftálmica: alteração visual monocular (amaurose do olho ipsilateral). 
  • Artéria carótida interna: soma de alterações da artéria cerebral média + cerebral anterior + oftálmica. 
  • Artéria cerebral posterior: hemianopsia homônima contralateral, hemianopsia homônima contralateral, rebaixamento do nível de consciência e ataxia. 
  • Artéria vertebral: náuseas, vômitos, disartria, disfagia, diplopia e ataxia.
  • Artéria basilar: ataxia + disartria + disfagia, assimetria pupilar, rebaixamento do nível de consciência, desvio do olhar conjugado.
Regiões afetadas pelo AVCi.

AVC Hemorrágico  

Fisiopatologia 

Os AVCs hemorrágicos podem ocorrer no parênquima pela ruptura de um vaso perfurante, cujo conteúdo sanguíneo extravasado formará uma coleção intraparenquimatosa (AVC hemorrágico intraparenquimatoso) ou irá para o espaço subaracnoide (hemorragia subaracnoidea).

Quadro clínico 

AVC hemorrágico intraparenquimatoso: aumento agudo da pressão intracraniana que levará a cefaleia, náuseas e vômitos, rebaixamento de nível de consciência, pressão arterial bastante elevada e crises convulsivas. 

Hemorragia subaracnoidea: cefaleia súbita (referida como a pior dor da vida), rigidez de nuca e crises convulsivas. 

Diagnóstico do Derrame Cerebral  

A única maneira de diferenciar o AVC isquêmico do hemorrágico é por meio de exames de imagem. A TC de crânio é o exame mais usado na avaliação inicial dos pacientes com suspeita de AVC. Em casos de AVC hemorrágico, as hemorragias aparecem imediatamente após sua instalação na tomografia, enquanto no AVC isquêmico muitas vezes ela vem normal, porque pode demorar horas para que uma lesão isquêmica seja visível por essa técnica. 

A ressonância magnética (RM) consegue detectar a ocorrência de um AVC isquêmico minutos após a sua instalação. No entanto, é um exame demorado, caro e pouco disponível nos serviços de emergência.

Tratamento do Derrame Cerebral  

O tratamento do derrame cerebral dependerá do tipo de AVC e da gravidade dos sintomas. No caso de um AVC isquêmico, o tratamento envolve a administração de medicamentos trombolíticos ou realização de trombectomia mecânica para restaurar o fluxo sanguíneo. Já no caso de um AVC hemorrágico, o tratamento pode envolver cirurgia para reparar o vaso danificado e aliviar a pressão intracraniana. 

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Cai na Prova 

Acompanhe comigo uma questão sobre derrame cerebral (disponível no Banco de Questões do Estratégia MED): 

(HC UFPR 2018) Em relação ao acidente vascular encefálico isquêmico, assinale a alternativa que apresenta as principais manifestações clínicas típicas de envolvimento da artéria cerebral anterior. 

A) Déficit sensorial e/ou motor contralateral, com predomínio facial e braquial (face e braço > perna); afasia. 

B) Déficit sensorial e/ou motor contralateral, com predomínio crural (perna > braço e face); abulia. 

C) Déficit sensorial e/ou motor contralateral, com predomínio facial e braquial (face e braço > perna); negligência hemiespacial contralateral. 

D) Déficit sensorial e/ou motor ipsilateral, com predomínio facial e braquial (face e braço > perna); afasia. 

E) Déficit sensorial e/ou motor ipsilateral, com predomínio crural (perna > braço e face); abulia

Comentário da Equipe EMED: Correta a alternativa B: o acometimento isolado da artéria cerebral anterior envolve a perda de movimentos e/ou sensibilidade contralateral, mais intensa no membro inferior, devido à disposição dos neurônios no homúnculo de Penfield ser medial para esse segmento do corpo, exatamente no território desse vaso. A lesão frontal medial pode levar a outros déficits, como incontinência urinária, abulia (perda da iniciativa), agitação e engasgos.

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Referências Bibliográficas 

  1. Louis R Caplan. Stroke: Etiology, classification, and epidemiology. UpToDate, 2022. Disponível em: UpToDate
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