Resumo de Encefalopatia Metabólica: causas, tratamento e mais!

Resumo de Encefalopatia Metabólica: causas, tratamento e mais!

Olá, querido doutor e doutora! A encefalopatia metabólica representa uma condição neurológica frequente na prática clínica, especialmente em pacientes hospitalizados e críticos. Caracteriza-se por disfunção cerebral difusa secundária a alterações sistêmicas, com ampla variabilidade de manifestações clínicas. 

Geralmente, a encefalopatia metabólica é potencialmente reversível quando o distúrbio sistêmico subjacente é identificado e corrigido de forma adequada.

O que é a Encefalopatia metabólica 

A encefalopatia metabólica corresponde a um estado clínico de disfunção cerebral global decorrente de alterações sistêmicas metabólicas ou tóxicas, sem evidência inicial de lesão estrutural cerebral.

Está relacionada a mudanças agudas ou subagudas do metabolismo, comumente associadas à disfunção de órgãos como fígado, rins, pulmões, coração ou a distúrbios endócrinos, resultando em acúmulo de metabólitos tóxicos, desequilíbrios eletrolíticos ou alterações no fornecimento energético ao sistema nervoso central.

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Classificação  

A classificação da encefalopatia metabólica baseia-se predominantemente na etiologia do distúrbio sistêmico subjacente, permitindo melhor direcionamento diagnóstico e terapêutico. As principais categorias incluem:

  • Encefalopatia hepática: relacionada à insuficiência hepática, com acúmulo de substâncias neurotóxicas, especialmente amônia, levando à disfunção progressiva do sistema nervoso central.
  • Encefalopatia urêmica: associada à insuficiência renal, caracterizada pelo acúmulo de ureia e metabólitos nitrogenados, além de alterações ácido-base e eletrolíticas que afetam a função neuronal.
  • Encefalopatia hipoglicêmica e hiperglicêmica: decorrente de distúrbios do metabolismo da glicose, como hipoglicemia, cetoacidose diabética e estado hiperosmolar, resultando em comprometimento energético cerebral.
  • Encefalopatia por distúrbios eletrolíticos: causada por alterações significativas nos níveis de sódio, cálcio, magnésio, fósforo ou potássio, com manifestações neurológicas difusas.
  • Encefalopatia por insuficiência respiratória: secundária à hipóxia, hipercapnia ou ambas, geralmente associada a doenças pulmonares ou falência ventilatória aguda ou crônica.
  • Encefalopatia por distúrbios endócrinos: relacionada a alterações hormonais sistêmicas, como insuficiência adrenal, hipotireoidismo, hipertireoidismo ou distúrbios das paratireoides.
  • Encefalopatia tóxica: provocada pela exposição a medicamentos, drogas ilícitas ou toxinas exógenas, incluindo intoxicações, superdosagens ou interações medicamentosas.
  • Encefalopatia por doenças metabólicas hereditárias: associada a defeitos do ciclo da ureia, distúrbios do metabolismo de aminoácidos, ácidos orgânicos e mitocondriopatias, podendo manifestar-se na infância ou na vida adulta.

Além da etiologia, a encefalopatia metabólica pode ser classificada conforme o tempo de evolução, sendo descrita como aguda, subaguda ou crônica, o que auxilia na avaliação da reversibilidade e no direcionamento do manejo clínico.

Fisiopatologia

A encefalopatia metabólica decorre de distúrbios sistêmicos que interferem no metabolismo cerebral, resultando em disfunção cerebral global. Essas alterações promovem acúmulo de substâncias tóxicas, desequilíbrios eletrolíticos e prejuízo no fornecimento energético ao sistema nervoso central, com comprometimento difuso da atividade neuronal.

Acúmulo de metabólitos neurotóxicos

O acúmulo de metabólitos neurotóxicos é um dos principais mecanismos envolvidos. Exemplos incluem amônia na encefalopatia hepática, toxinas nitrogenadas na encefalopatia urêmica e alterações osmóticas relacionadas a hiponatremia ou hipernatremia, que afetam a homeostase neuronal e a função sináptica.

Alterações da neurotransmissão

Há comprometimento da neurotransmissão cerebral, caracterizado por aumento do tônus inibitório GABAérgico e redução da atividade excitatória glutamatérgica. Esse desequilíbrio contribui para rebaixamento do nível de consciência, lentificação cognitiva e alterações comportamentais.

Edema cerebral e disfunção astrocitária

A disfunção metabólica pode levar ao desenvolvimento de edema cerebral, tanto do tipo citotóxico quanto vasogênico. Na encefalopatia hepática, a conversão da amônia em glutamina nos astrócitos resulta em edema celular, alteração da barreira hematoencefálica e prejuízo da comunicação neuronal.

Neuroinflamação e estresse oxidativo

Em algumas formas de encefalopatia metabólica, observa-se ativação de vias inflamatórias, com liberação de citocinas pró-inflamatórias, estresse oxidativo e alterações da excitabilidade cortical. Esses processos potencializam a disfunção neuronal e agravam o quadro clínico.

Redução do metabolismo energético cerebral

Distúrbios metabólicos sistêmicos comprometem a produção de ATP, levando à falha na manutenção do potencial de membrana neuronal e da transmissão sináptica, o que contribui para o caráter difuso das manifestações neurológicas.

Principais etiologias metabólicas 

As etiologias metabólicas da encefalopatia metabólica são diversas e, em muitos casos, coexistem, especialmente em pacientes hospitalizados ou em estado crítico. Entre as principais causas, destacam-se:

  • Insuficiência hepática: associada à encefalopatia hepática, caracterizada pelo acúmulo de amônia e outros metabólitos neurotóxicos, com comprometimento progressivo da função cerebral.
  • Insuficiência renal: relacionada à encefalopatia urêmica, decorrente do acúmulo de ureia, creatinina e toxinas nitrogenadas, além de alterações ácido-base e eletrolíticas.
  • Distúrbios do metabolismo da glicose: incluem hipoglicemia, hiperglicemia não cetótica, cetoacidose diabética e estado hiperosmolar, levando a disfunção energética neuronal e alterações osmóticas cerebrais.
  • Distúrbios hidroeletrolíticos: resultantes de alterações graves como hiponatremia, hipernatremia, hipocalcemia, hipermagnesemia e outros desequilíbrios eletrolíticos capazes de causar disfunção neurológica difusa.
  • Insuficiência respiratória: associada à encefalopatia hipóxica ou hipercápnica, com redução da oferta de oxigênio ao cérebro e acúmulo de dióxido de carbono, interferindo na função neuronal.
  • Doenças metabólicas hereditárias: incluem distúrbios do ciclo da ureia, erros inatos do metabolismo de aminoácidos, ácidos orgânicos, mitocondriopatias e defeitos no transporte ou metabolismo de tiamina, podendo manifestar-se de forma aguda ou tardia.
  • Exposição a toxinas endógenas ou exógenas: envolve o uso ou abuso de medicamentos, drogas ilícitas, álcool, metais pesados e outras substâncias tóxicas, com efeito direto ou indireto sobre o sistema nervoso central.
  • Deficiências vitamínicas: destaca-se a encefalopatia de Wernicke, relacionada à deficiência de tiamina, e a encefalopatia associada à deficiência de niacina, ambas com manifestações neuropsiquiátricas relevantes.

Avaliação clínica

A encefalopatia metabólica manifesta-se por um amplo espectro de alterações cognitivas, que variam desde déficit de atenção e lentificação do pensamento até rebaixamento progressivo do nível de consciência. Sintomas iniciais incluem desatenção, dificuldade de concentração, desorientação e comprometimento da memória recente.

São frequentes mudanças de comportamento, como irritabilidade, apatia, ansiedade e alterações de personalidade. Distúrbios do ciclo sono-vigília, especialmente sonolência diurna excessiva e inversão do ritmo circadiano, são achados comuns, podendo preceder o rebaixamento da consciência.

Progressão do quadro neurológico

Com a evolução do distúrbio metabólico, ocorre confusão mental, flutuação do estado de alerta, agitação psicomotora ou letargia, com possível progressão para estupor ou coma, dependendo da intensidade e da duração da agressão metabólica.

Manifestações motoras

Alterações motoras são frequentes e incluem asterixis, mioclonias, hiperreflexia e sinais de comprometimento piramidal. Em casos graves, podem surgir posturas anormais, como descerebração, indicando disfunção neurológica extensa.

Distúrbios extrapiramidais

Algumas etiologias específicas podem cursar com rigidez, bradicinesia e tremor de padrão parkinsoniano, particularmente na encefalopatia hepática e em condições associadas a distúrbios do metabolismo do cobre.

Convulsões e outros achados neurológicos

Convulsões não são frequentes, mas podem ocorrer em determinadas etiologias metabólicas, como distúrbios eletrolíticos graves ou hipoglicemia. O quadro clínico costuma ser difuso e simétrico, sem déficits focais persistentes, embora manifestações transitórias possam estar presentes.

Diagnóstico 

O diagnóstico da encefalopatia metabólica é baseado na presença de disfunção cerebral global de instalação aguda ou subaguda, caracterizada por alteração do nível de consciência, confusão mental, desorientação e flutuação do estado cognitivo, sem evidência inicial de lesão estrutural focal.

É necessário identificar um distúrbio metabólico ou sistêmico capaz de justificar o quadro, com potencial de reversibilidade após correção do fator causal, além da exclusão de causas primárias do sistema nervoso central, como lesões estruturais ou infecções.

Avaliação laboratorial

A investigação laboratorial é central na identificação da etiologia metabólica. Os exames mais utilizados incluem eletrólitos séricos, função renal com ureia e creatinina, função hepática com transaminases, bilirrubinas e amônia, glicemia, gasometria arterial, hemograma, marcadores infecciosos e rastreio toxicológico.

Conforme o contexto clínico, podem ser necessários testes de função tireoidiana, função adrenal e marcadores inflamatórios. Esses exames permitem reconhecer causas como insuficiência hepática ou renal, distúrbios hidroeletrolíticos, alterações glicêmicas e acidose metabólica.

Neuroimagem

A neuroimagem tem papel central na exclusão de causas estruturais. A tomografia computadorizada de crânio sem contraste é geralmente o exame inicial, sobretudo em cenários de emergência. A ressonância magnética apresenta maior sensibilidade para identificar alterações sutis, como isquemia precoce, encefalites ou padrões compatíveis com encefalopatias metabólicas específicas, incluindo acometimento dos núcleos da base. A realização de neuroimagem é indicada diante de dúvida diagnóstica, presença de fatores de risco para lesão estrutural ou ausência de melhora clínica após abordagem inicial.

Eletroencefalograma

O eletroencefalograma pode auxiliar na avaliação de pacientes com suspeita de estado epiléptico não convulsivo ou na diferenciação entre encefalopatia metabólica e outras causas de alteração do estado mental. Os achados costumam refletir disfunção cerebral difusa, porém não são específicos para a etiologia metabólica.

Tratamento

O tratamento da encefalopatia metabólica é direcionado à correção rápida da causa subjacente, associado a suporte clínico e prevenção de complicações neurológicas. A abordagem deve ser individualizada, considerando a etiologia, a gravidade do quadro e as comorbidades do paciente.

Correção do distúrbio metabólico

A reversão do fator causal é a base do manejo. Inclui controle rigoroso da glicemia em casos de hipoglicemia ou hiperglicemia, correção de distúrbios hidroeletrolíticos com atenção à velocidade de ajuste, especialmente na hiponatremia, e suporte ventilatório em situações de insuficiência respiratória associada à hipóxia ou hipercapnia.

Encefalopatia hepática

O tratamento visa reduzir a produção e a absorção intestinal de amônia. Utiliza-se lactulose, por via oral ou retal, titulada para promover duas a três evacuações diárias. Em casos selecionados, associa-se rifaximina para redução da flora produtora de amônia. A identificação e o tratamento de fatores precipitantes, como infecções, sangramentos digestivos e constipação, são parte integrante do manejo. Em quadros avançados, deve-se considerar avaliação para transplante hepático.

Encefalopatia urêmica

A diálise está indicada em pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica descompensada, sobretudo na presença de manifestações neurológicas relevantes, acidose metabólica refratária, hipercalemia ou sobrecarga volêmica.

Distúrbios endócrinos

O tratamento envolve correção direcionada do distúrbio hormonal identificado. Exemplos incluem administração de glicose intravenosa na hipoglicemia, reposições hormonais em casos de insuficiência adrenal e manejo específico das disfunções tireoidianas conforme protocolos clínicos.

Encefalopatia por distúrbios hereditários do metabolismo

O manejo depende do erro metabólico envolvido e pode incluir restrição de substratos tóxicos, suplementação de cofatores, como tiamina em casos compatíveis com encefalopatia de Wernicke, e estratégias de resgate metabólico específicas.

Encefalopatia tóxica

Requer suspensão imediata da substância envolvida, suporte clínico e uso de antídotos específicos quando indicados, como naloxona em intoxicações por opioides ou flumazenil em situações selecionadas relacionadas a benzodiazepínicos.

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Referências bibliográficas 

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