Resumo de parasitoses intestinais: quadro clínico, tratamento e mais!

Resumo de parasitoses intestinais: quadro clínico, tratamento e mais!

Fala, estrategistas! As parasitoses intestinais são um grande problema de saúde pública que afeta crianças e adolescentes no mundo. Por este motivo, confira agora as características clínicas e tratamento das principais parasitoses, tema muito cobrado dentro da pediatria nas provas de residência médica.

Epidemiologia das parasitoses intestinais

As parasitoses intestinais ainda apresentam importante taxa de morbimortalidade em todo o mundo, principalmente em países subdesenvolvidos. Está relacionado ao baixo nível socioeconômico e educacional, hábitos alimentares e de higiene, condições de vida e moradia, acesso a saneamento básico e comportamentos culturais. 

#Ponto importante: As complicações e presença de sintomas estão relacionados diretamente à carga parasitária. 

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Fisiopatologia e complicações das parasitoses intestinais

As manifestações clínicas das parasitoses dependem do local/habitat em que o agente etiológico se localiza no corpo humano, além de fatores patogênicos específicos dos agentes. 

Por exemplo, parasitos que se alojam no intestino delgado provocam má absorção, perda de peso, esteatorreia e deficiência de zinco e ferro, enquanto os agentes que se alojam no cólon podem causar dor abdominal, hematoquezia e anemia. 

#Ponto importante: Um quadro específico importante é a síndrome de Loeffler, uma pneumonite eosinofílica causada pela migração pulmonar das larvas e parasitas. Os parasitos que causam essas alterações são Necator americanus, Ancylostoma duodenale, Strongyloides e A. lumbricoides. 

Esta síndrome é marcada por tosse seca, febre baixa, dispneia, anorexia ou urticária, que dura em média 10 a 16 dias, justamente o tempo de migração das larvas no pulmão. 

Ascaridíase

Causado por Ascaris lumbricoide, é a parasitose mais prevalente no mundo. Os sintomas são causados por lesões teciduais diretas ou obstrução intestinal, no caso de carga parasitária intensa. 

  • Quadro clínico: Habitualmente, não causa sintomatologia, mas pode manifestar-se por dor abdominal, diarreia, náuseas e anorexia e, durante ciclo pulmonar, a síndrome de Loeffler. Quando há grande número de vermes, pode ocorrer quadro de obstrução intestinal e peritonite. Existem quadros de ascaridíase errática, em que o verme se localiza em locais anormais, como apêndice cecal (causando apendicite aguda), colédoco, boca, narinas e ducto nasolacrimal dos olhos.  
  • Tratamento: Albendazol.

Principais parasitoses intestinais

Ancilostomíase

Os agentes responsáveis são os nematódeos Necator americanus e Ancylostoma duodenale. As larvas dos ancilóstomos, após penetrarem através da pele, passam pelos vasos linfáticos, ganham a corrente sanguínea e penetram os pulmões. Daí migram para a traquéia e faringe, são deglutidas e chegam ao intestino delgado, onde se fixam, atingindo a maturidade ao final de 6 a 7 semanas, passando a produzir milhares de ovos por dia.

  • Quadro clínico: É a principal parasitose relacionada à anemia ferropriva. Pode causar lesões cutâneas leves, eritematopapulosas e, durante ciclo pulmonar, a síndrome de Loeffler.
  • Tratamento: Albendazol. 

Estrongiloidíase

Causado pelo helminto Strongyloides stercoralis, é uma doença parasitária frequentemente assintomática. 

  • Quadro clínico: Os principais sintomas estão relacionados ao ciclo pulmonar, provocando a síndrome de Loeffler. O ciclo intestinal é frequentemente assintomático, com liberação de ovos nas fezes de 21 a 28 dias após a infecção. No entanto, algumas manifestações intestinais podem aparecer, como diarréia, dor abdominal e flatulência, acompanhadas ou não de anorexia, náusea, vômitos e dor epigástrica, que pode simular quadro de úlcera péptica. Os quadros de estrongiloidíase grave (hiperinfecção) ou estrongiloidíase disseminada se caracterizam por febre, dor abdominal, anorexia, náuseas, vômitos, diarréias profusas, manifestações pulmonares como tosse, dispnéia e broncoespasmos e, raramente, hemoptise e angústia respiratória. 
  • Tratamento: Albendazol ou tiabendazol. 

#Ponto importante: Em pacientes que irão realizar doses altas de corticóide geralmente se realizam profilaxia com ivermectina.

Enterobíase ou oxiuríase 

Popularmente conhecida como o verme que causa coceira, é causada pelo Enterobius vermicularis, um nematódeo intestinal.

  • Quadro clínico: É marcada por um quadro de prurido anal, principalmente noturno ou no inicio da manhã, provocando irritabilidade, desconforto e alteração no sono. O ato de coçar pode resultar em infecções secundárias em torno do ânus, com congestão na região anal, ocasionando inflamação com pontos hemorrágicos, onde se encontram frequentemente fêmeas adultas e ovos. Outros sintomas inespecíficos incluem dor abdominal, tenesmo e fezes com sangue. 
  • Tratamento: Pamoato de pirvínio, mebendazol ou albendazol. 

Giardíase 

Causada pelo protozoário flagelado Giardia lamblia, que existe sob as formas de cisto e trofozoíto. 

  • Quadro clínico: É marcado por diarreia aguda e crônica do tipo disabsortiva, explosiva e com dor abdominal. Com a cronicidade do quadro, pode ocorrer perda de peso, esteatorreia e má absorção de nutrientes. 
  • Tratamento: O tratamento difere das outras verminoses. Dose única de Secnidazol ou Tinidazol, Metronidazol por 7 dias ou albendazol por 5 dias. 

Amebíase

Causada pelo protozoário Entamoeba hystolytica, conhecido pela invasividade, provocando  doença nas formas intestinal e extra-intestinal.

  • Quadro clínico: O quadro clínico é variável. Pode ocorrer diarreia aguda de caráter sanguinolento ou mucóide, acompanhada de febre e calafrios, até uma forma branda, caracterizada por desconforto abdominal leve ou moderado, com sangue e/ou muco nas dejeções. A forma extraintestinal mais comum é o abcesso no fígado, mas pode ocorrer nos pulmões ou no cérebro. Quando não diagnosticadas a tempo, podem levar o paciente ao óbito.
  • Tratamento: Doenças não invasivas podem ser tratadas com etofamida ou sicnidazol. Formas graves e invasivas devem ser tratadas com metronidazol. Na menor parte das vezes o abscesso hepático amebiano necessita de drenagem. 

Tricuríase

Causado pelo Trichuris trichiura, um nematódeo que causa reação inflamatória do ceco e cólon ascendente, além de poder causar necrose por liquefação da mucosa intestinal. 

  • Quadro clínico: Pode variar de pacientes assintomáticos ou sintomas inespecíficos, como dor abdominal, náuseas e inapetência. O sintoma clássico é o tenesmo, ocasionando na principal complicação dessa parasitose: o prolapso retal
  • Tratamento: Albendazol e mebendazol. 

Prevenção das parasitoses

Envolve todos os setores públicos da sociedade. A educação em saúde é o pilar da prevenção das parasitoses na sociedade. A população deve ser orientada quanto a importância da higiene pessoal e comunitária, com saneamento básico e acesso à água tratada, bem como cuidados com alimentos ingeridos. 

Por mais que existam divergências na literatura, o uso de antiparasitários periodicamente é uma estratégia de prevenção da disseminação dos parasitos. O albendazol a cada 4 a 6 meses é a droga mais utilizada para este fim. 

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Veja também:

Referências bibliográficas:

  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – 4. ed. ampl.– Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
  • Belo VS, Oliveira RB de, Fernandes PC, Nascimento BWL, Fernandes FV, Castro CLF, et al.. Fatores associados à ocorrência de parasitoses intestinais em uma população de crianças e adolescentes. Rev paul pediatr [Internet]. 2012Jun;30(Rev. paul. pediatr., 2012 30(2)):195–201. Available from: https://doi.org/10.1590/S0103-05822012000200007
  • Haque R. Human intestinal parasites. J Health Popul Nutr. 2007 Dec;25(4):387-91. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2754014/
  • Crédito da imagem em destaque: Pexels
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