Resumo de Pediculose Pubiana: transmissão, sintomas e mais!
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Resumo de Pediculose Pubiana: transmissão, sintomas e mais!

Olá, querido doutor e doutora! A pediculose pubiana é uma ectoparasitose de transmissão predominantemente sexual, frequentemente subdiagnosticada na prática clínica. Embora apresente baixa gravidade sistêmica, está associada a desconforto significativo e elevada taxa de coinfecção com outras infecções sexualmente transmissíveis.

O prurido intenso, geralmente com piora noturna, é a manifestação clínica mais relatada pelos pacientes com pediculose pubiana.

O que é a Pediculose pubiana

Pediculose pubiana é uma ectoparasitose caracterizada pela infestação dos pelos pubianos pelo inseto Pthirus pubis, conhecido popularmente como piolho do púbis ou “chato”. Trata se de um parasita hematófago que se fixa à base dos pelos mais grossos, onde se alimenta de sangue humano.

Agente etiológico

O agente etiológico da pediculose pubiana é o inseto ectoparasita Pthirus pubis, pertencente à ordem Phthiraptera. Trata se de um artrópode hematófago de pequeno tamanho, com corpo curto e largo, adaptado para aderir firmemente aos pelos mais espessos do corpo humano.

O parasita apresenta garras robustas nos pares posteriores de pernas, o que facilita sua fixação à base dos pelos pubianos e de outras regiões pilosas. Seu ciclo de vida compreende as fases de ovo (lêndea), ninfa e adulto, ocorrendo integralmente no hospedeiro humano.

O Pthirus pubis é altamente específico do ser humano e não sobrevive por períodos prolongados fora do hospedeiro, o que explica a associação da infestação com contato íntimo direto, especialmente em contextos de transmissão sexual.

Epidemiologia e forma de transmissão

A pediculose pubiana ocorre com maior frequência em adolescentes e adultos jovens, especialmente em indivíduos sexualmente ativos. Observa se discreto predomínio no sexo masculino e maior incidência em populações com múltiplos parceiros sexuais. Estudos recentes apontam redução da prevalência em alguns países, possivelmente relacionada à remoção habitual dos pelos pubianos.

A transmissão acontece predominantemente por contato sexual direto, sendo considerada uma ectoparasitose associada ao contexto das infecções sexualmente transmissíveis. A presença concomitante de outras ISTs é relativamente comum, o que reforça a necessidade de abordagem clínica ampliada.

De forma menos frequente, a infestação pode ocorrer por contato íntimo não sexual, incluindo compartilhamento de roupas íntimas, toalhas ou roupas de cama contaminadas. A transmissão por fômites é incomum, já que o parasita apresenta baixa sobrevida fora do hospedeiro humano.

Avaliação clínica

A pediculose pubiana manifesta se principalmente por prurido intenso na região acometida, geralmente com piora noturna, relacionado à reação inflamatória cutânea induzida pela saliva do parasita durante a alimentação hematófaga.

Ao exame físico, observam se lêndeas aderidas à base dos pelos, piolhos adultos visíveis em inspeção minuciosa e pápulas eritematosas pruriginosas, muitas vezes associadas a escoriações secundárias ao ato de coçar. Em casos persistentes, podem surgir áreas de hiperpigmentação residual e espessamento cutâneo.

Alguns pacientes apresentam máculas azul acinzentadas na pele, conhecidas como manchas cerúleas, decorrentes de depósito de hemossiderina após as picadas. Quando há acometimento extragenital, como cílios ou sobrancelhas, podem ocorrer prurido ocular, hiperemia conjuntival, crostas palpebrais e sensação de corpo estranho. Infecções bacterianas secundárias podem complicar quadros mais prolongados.

Diagnóstico 

Avaliação clínica

O diagnóstico da pediculose pubiana é predominantemente clínico, baseado na história de prurido genital associado ao achado de parasitas ou lêndeas aderidas aos pelos. A queixa de coceira persistente, com piora noturna, deve aumentar a suspeita diagnóstica, especialmente em pacientes sexualmente ativos.

Dermatoscopia

A dermatoscopia pode ser utilizada como método complementar para confirmar o diagnóstico, especialmente em infestações discretas ou de difícil visualização. Permite diferenciar lêndeas viáveis de estruturas semelhantes, além de facilitar a identificação do parasita em regiões sensíveis, como pálpebras.

Diagnóstico diferencial

Devem ser considerados no diagnóstico diferencial outras dermatoses pruriginosas da região genital, como escabiose, dermatite de contato, foliculite, tinea cruris e infecções fúngicas superficiais. A presença de lêndeas fixadas ao pelo e a visualização direta do parasita auxiliam na diferenciação.

Avaliação de infecções associadas

Em pacientes diagnosticados com pediculose pubiana, recomenda se a investigação de infecções sexualmente transmissíveis, uma vez que a coinfecção é relativamente frequente e pode impactar a conduta clínica global.

Tratamento

Terapia tópica

O manejo inicial da pediculose pubiana baseia se no uso de pediculicidas tópicos, aplicados diretamente nas áreas pilosas acometidas. As formulações mais utilizadas incluem permetrina ou produtos à base de piretrinas, com aplicação única e enxágue após o tempo recomendado. A repetição do tratamento pode ser necessária para erradicação completa.

Terapia sistêmica

Em casos selecionados, como falha ao tratamento tópico, intolerância ou suspeita de resistência, pode ser indicada ivermectina por via oral, administrada em dose única ou em esquema com repetição após alguns dias, conforme avaliação clínica e perfil do paciente.

Manejo dos parceiros

É indicado que parceiros sexuais recentes sejam avaliados e tratados simultaneamente, independentemente da presença de sintomas. Recomenda se abstinência sexual temporária até a resolução do quadro, visando evitar reinfestação.

Medidas ambientais

Devem ser adotadas medidas para reduzir a persistência do parasita no ambiente, incluindo lavagem de roupas íntimas, toalhas e roupas de cama em água aquecida, seguida de secagem em alta temperatura. Itens não laváveis podem ser mantidos sem uso por período suficiente para inviabilizar a sobrevivência do parasita.

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Referências bibliográficas 

  1. EBSCO INFORMATION SERVICES. Pubic lice and body lice. DynaMed. Updated 07 Dec. 2022.

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