Resumo de pericardite aguda: diagnóstico, tratamento e mais!

Resumo de pericardite aguda: diagnóstico, tratamento e mais!

A pericardite aguda é um importante diagnóstico diferencial da dor torácica aguda na emergência. Confira agora os principais aspectos referentes a esta condição cardiológica, que aparecem nos atendimentos e como são cobrados nas provas de residência médica!

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Seu tempo é precioso e sabemos disso. Se for muito escasso neste momento, veja abaixo os principais tópicos referentes à pericardite aguda.

  • A principal causa são infecções virais. Das bactérias, a tuberculose ainda é uma causa comum em imunossuprimidos.
  • Causas não infecciosas incluem trauma, doenças reumatológicas e metástases. 
  • A dor torácica pleurítica e o atrito pericárdico são os sinais mais sugestivos. 
  • O eletrocardiograma, com supradesnivelamento de ST difuso, e imagem evidenciando espessamento e derrame pericárdio reforçam o diagnóstico. 
  • A base do tratamento são os AINEs. A colchicina está associada à melhora da dor. 

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Definição da doença

A pericardite aguda representa a inflamação aguda do saco pericárdico e é o processo patológico mais comum envolvendo o pericárdio, podendo aparecer isoladamente ou como manifestação de doenças sistêmicas. 

Epidemiologia e etiologia da pericardite aguda

A pericardite aguda é responsável por aproximadamente 5% das apresentações com dor torácica aguda e 1% das condições que causam supradesnivelamento de ST em ECG na emergência. A real incidência e prevalência de pericardite é difícil de quantificar, mas estudos de autópsia estimam uma incidência de 1%, mas depende de dependendo da população estudada. 

Etiologia

Das causas de pericardite aguda, a principal são infecções virais, c coxsackievírus A e B, ecovírus, adenovírus, parvovírus B19, HIV, influenza, bem como múltiplos vírus do herpes, como EBV e CMV, sendo o último mais frequente em imunodeprimidos e soropositivos. 

A etiologia bacteriana está presente principalmente em complicações de pneumonia, empiema, pós-cirúrgico cardíaco ou torácico e septicemias. 

#Ponto importante: A pericardite tuberculosa tem diminuído sua incidência, mas ainda é citada como a causa mais comum de pericardite nas partes endêmicas do mundo, principalmente em pacientes HIV positivos. 

As causas não infecciosas são numerosas e incluem traumas torácicos, no pós-infarto (pericardite epistenocárdica) doenças autoimunes do tecido conjuntivo, como lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide e doença de Behçet, etiologia maligna principalmente secundária a condição metastática, e etiologias metabólicas, como uremia e mixedema.

Manifestações clínicas da pericardite aguda

A doença se manifesta classicamente como uma síndrome febril após ou em associação com síndrome gripal, que evolui com dor torácica e atrito pericárdico. O sintoma mais proeminente é a dor torácica de caráter pleurítica, que é central, piora com a inspiração ou ao deitar e melhorando ao sentar. A irradiação para o músculo trapézio é muito sugestiva do diagnóstico, que ocorre devido o nervo frênico inervar o músculo trapézio e o pericárdio.

Podem ocorrer derrames pericárdicos associados, que em raras vezes podem ser bastantes volumosos. O tamponamento cardíaco é uma emergência médica, em que o volume de derrame pode gerar choque circulatório obstrutivo, como impossibilidade de enchimento ventricular adequado e consequente diminuição do débito cardíaco.  

O exame físico pode revelar sinais inespecíficos como taquicardia, mas o atrito pericárdico é o achado clássico, presente em 85% dos casos, que consiste em um som trifásico áspero e áspero correspondente ao atrito entre as camadas pericárdicas durante a sístole atrial, sístole ventricular e diástole ventricular precoce.

Diagnóstico de pericardite aguda

O eletrocardiograma é o principal exame inicial que pode ser realizado de maneira rápida e classicamente revela elevação disseminada do segmento ST. Na evolução natural, quatro estágios são descritos:

  • Estágio I (80% dos casos): ST côncavo para cima com elevação anterior e inferior. Desvio do segmento PR com polaridade oposta à onda P.
  • Estágio II precoce: reversão das alterações do segmento ST, desvio do segmento PR.
  • Estágio II de início tardio: achatamento progressivo e inversão da onda T.
  • Estágio III: inversão generalizada da onda T.
  • Estágio IV: o eletrocardiograma retorna à frequência basal.

A tomografia computadorizada e ressonância magnética cardíaca apresentam boa sensibilidade para detecção de derrame pericárdico, avaliando a espessura do pericárdio e o comprometimento miocárdico. 

#Ponto importante: O método mais sensível para detectar pericardite aguda é o realce tardio usando ressonância magnética. 

A leucocitose, elevação da PCR e VHS são comuns e achados inespecíficos. Outros marcadores podem estar presentes na pericardite aguda e demonstram gravidade, incluindo elevação de enzimas de necrose miocárdica e disfunção global pelo ecocardiograma, sugerindo miopericardite. 

Tratamento da pericardite aguda

A I diretriz brasileira de miocardites e pericardites traz que a base para o tratamento da pericardite aguda é realizada com anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e tratamento sintomático. A hospitalização é desejável na maioria dos pacientes para determinação da etiologia, observar sinais ou sintomas de tamponamento e iniciar terapia. As opções de AINES mais utilizados são:

  • Ibuprofeno, 400 a 800mg a cada 6 ou 8 horas, por 14 dias
  • Indometacina, 75 a 150 mg ao dia.
  • Ácido acetil salicílico (AAS), 500 a 750mg a cada 6 ou 8 horas, por 7 a 10 dias, seguido de redução gradual de 500 mg por semana, por três semanas.  

#Ponto importante: o Ibuprofeno é preferido, com raros efeitos colaterais e efeitos favoráveis no fluxo coronariano em altas doses. 

A colchicina tem demonstrado ser efetiva como terapêutica coadjuvante da pericardite aguda, no alívio da dor e na prevenção da recorrência ao fim de dezoito meses. A dose é de 0,5 mg de 12/12 horas ou 0,5 mg a cada 24 horas nos pacientes com menos de 70 kg, pelo período de três meses no primeiro evento e 6 meses na pericardite recorrente.

O tratamento com corticosteroides sistêmicos deve ser restrito a doenças do tecido conjuntivo, doenças autoimunes ou pericardite urêmica. A aplicação intrapericárdica de corticosteróides evita efeitos colaterais sistêmicos e é altamente efetiva para retirar prednisona, ibuprofeno ou colchicina, e devem ser introduzidos precocemente. 

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Veja também:

Referências bibliográficas:

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  • Crédito da imagem em destaque: Pexels
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