E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é nas técnicas de resfriamento para hipertermia, um conjunto de medidas terapêuticas utilizadas para reduzir rapidamente a temperatura corporal em pacientes com hipertermia grave, como na insolação ou na síndrome neuroléptica maligna.
O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.
Vamos nessa!
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Definição de Hipertermia
Hipertermia é definida como a elevação da temperatura corporal acima de 40 °C, resultante de um desequilíbrio entre a produção e a dissipação de calor pelo organismo. Essa condição pode ocorrer em diferentes contextos, como infecções graves, intoxicações, reações medicamentosas e exposição ambiental ao calor.
Nos casos relacionados a infecção ou toxinas, a hipertermia geralmente decorre de alterações internas do metabolismo e da termorregulação, enquanto nas doenças relacionadas ao calor, como exaustão pelo calor e golpe de calor, ocorre quando o calor ambiental excede a capacidade fisiológica de dissipação térmica. Nessas situações, especialmente quando há comprometimento do sistema nervoso central, a condição pode evoluir rapidamente e tornar-se potencialmente fatal.
As técnicas de resfriamento constituem o principal tratamento para hipertermia associada à exposição ambiental ao calor, tendo como objetivo reduzir rapidamente a temperatura corporal central e prevenir lesão orgânica. O método mais eficaz é a imersão em água gelada, que promove perda de calor principalmente por condução.
Quando essa técnica não está disponível, podem ser utilizados métodos alternativos, como resfriamento evaporativo com borrifação de água e ventilação, aplicação de bolsas de gelo em regiões próximas a grandes vasos (axilas, virilhas e pescoço) e, em alguns casos, infusão de fluidos intravenosos frios como medida adjuvante.
Em ambientes hospitalares, também podem ser empregados dispositivos de resfriamento invasivos ou não invasivos, originalmente desenvolvidos para hipotermia terapêutica. O objetivo do tratamento é reduzir a temperatura corporal para aproximadamente 39 °C, pois a rapidez na redução térmica está associada a melhores desfechos clínicos.
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Indicações de resfriamento
As técnicas de resfriamento são indicadas em pacientes que apresentam sinais ou sintomas de doença relacionada ao calor associados à elevação da temperatura corporal. Embora classicamente a hipertermia grave seja definida por temperatura central superior a 40 °C, qualquer paciente sintomático com temperatura acima do normal e sem outra causa evidente deve ser avaliado para a realização de intervenções de resfriamento.
Presença de doença relacionada ao calor
O resfriamento está indicado quando há manifestações clínicas sugestivas de doença pelo calor, como:
- Alteração do estado mental (confusão, delirium, redução do nível de consciência);
- Taquicardia;
- Hipotensão ortostática;
- Taquipneia;
- Sudorese intensa;
- Fraqueza, tontura ou mal-estar;
- Sinais neurológicos, como ataxia.
Esses achados podem ocorrer em condições como exaustão pelo calor e golpe de calor, sendo este último a forma mais grave da doença.
Temperatura corporal elevada
O tratamento com resfriamento deve ser considerado quando:
- Temperatura central ≥ 40 °C, especialmente na suspeita de golpe de calor.
- Temperatura acima do normal em pacientes sintomáticos, mesmo que não alcance 40 °C e não haja outra causa identificável.
Objetivo do tratamento
O resfriamento deve ser iniciado rapidamente com dois objetivos principais:
- Objetivo imediato: reduzir a temperatura corporal central para menos de 39 °C.
- Objetivo final: atingir a faixa fisiológica normal, entre 36 °C e 38 °C.
A rapidez na redução da temperatura está associada a melhores desfechos clínicos e menor mortalidade.
Avaliação clínica antes da intervenção
Antes de iniciar as medidas de resfriamento, é fundamental realizar uma avaliação clínica do paciente, incluindo:
- Estabilidade hemodinâmica;
- Presença de comprometimento do sistema nervoso central;
- Sinais de golpe de calor grave.
Essa avaliação orienta a urgência, intensidade e escolha da técnica de resfriamento, além da necessidade de monitorização intensiva durante o tratamento.
Contraindicações das técnicas de resfriamento na hipertermia
As técnicas de resfriamento são amplamente utilizadas no manejo da hipertermia associada à exposição ao calor. No entanto, existem situações em que sua aplicação deve ser evitada ou cuidadosamente avaliada.
Contraindicação absoluta
A única contraindicação absoluta ao resfriamento é a presença de temperatura corporal normal ou baixa. Nessas situações, a realização de medidas de resfriamento pode levar à hipotermia iatrogênica, agravando o quadro clínico do paciente.
Situações que exigem cautela
A hipertermia pode ser consequência de diversas condições clínicas, como:
- Sepse;
- Intoxicações ou toxidromes;
- Síndromes de abstinência;
- Reações medicamentosas;
- Outras causas metabólicas ou sistêmicas.
Nesses casos, a elevação da temperatura é apenas uma manifestação de uma doença subjacente, e o tratamento deve priorizar a identificação e o manejo específico da causa. Assim, o resfriamento não deve substituir ou atrasar a terapêutica direcionada para a condição de base.
Técnicas de resfriamento na hipertermia
O tratamento da hipertermia relacionada ao calor baseia-se na redução rápida da temperatura corporal central, utilizando diferentes técnicas de resfriamento. Entre os métodos disponíveis, destacam-se a imersão em água fria, o resfriamento evaporativo e o uso de compressas de gelo, podendo ser associados a outras medidas adjuvantes.
Imersão em água fria
A imersão em água fria é considerada um dos métodos mais eficazes, sendo capaz de reduzir a temperatura corporal a uma taxa aproximada de 0,13 °C por minuto. Nesse método, o paciente pode ser colocado em um saco impermeável, no qual são adicionados gelo e água para formar uma pasta de gelo.
O saco é então fixado ao tórax do paciente. Caso o recipiente não seja grande o suficiente para acomodar todo o corpo, as extremidades inferiores podem ser submersas inicialmente, deixando partes do corpo expostas para permitir intervenções médicas quando necessário. O procedimento deve ser interrompido quando a temperatura central atingir cerca de 39 °C, momento em que o saco pode ser esvaziado e o paciente reposicionado.
Resfriamento evaporativo
O resfriamento evaporativo reduz a temperatura central a uma taxa aproximada de 0,05 °C por minuto. Essa técnica consiste na aplicação contínua de água fria na pele, utilizando esponjas ou borrifadores. Para potencializar o efeito, um ventilador é direcionado para o paciente, aumentando a evaporação da água e acelerando a dissipação de calor. Outra alternativa é envolver o paciente com lençóis embebidos em água gelada, que devem ser trocados e novamente umedecidos sempre que perderem o efeito de resfriamento.
Compressas de gelo e métodos adjuvantes
Compressas de gelo podem ser aplicadas em áreas próximas a grandes vasos sanguíneos, como virilhas, axilas, pescoço e tronco, o que favorece a redução da temperatura central. Outras medidas podem ser utilizadas como complemento, como a infusão de soro fisiológico frio, que deve ser realizada com cautela e com monitorização para evitar tremores induzidos. Em alguns casos, pode-se utilizar um cateter vesical para irrigação da bexiga com soro fisiológico frio.
Independentemente do método utilizado, é fundamental manter a reaplicação contínua de água ou gelo para preservar a eficácia do resfriamento. Além disso, a monitorização da temperatura central é essencial para orientar o tratamento e evitar resfriamento excessivo.
Complicações do resfriamento
O resfriamento é uma intervenção essencial no manejo das doenças relacionadas ao calor e geralmente apresenta baixo risco de complicações. Ainda assim, alguns cuidados são necessários durante o procedimento.
Durante todo o processo, é fundamental realizar monitorização contínua dos sinais vitais e da temperatura corporal central. A presença de tremores deve ser observada, pois eles podem aumentar a produção de calor e reduzir a eficácia do resfriamento.
Pacientes em estado crítico podem apresentar instabilidade clínica durante a intervenção, exigindo vigilância constante. Um risco importante é o resfriamento excessivo, que ocorre quando a temperatura corporal cai abaixo de 36 °C, podendo levar a complicações associadas à hipotermia, como arritmias cardíacas e distúrbios de coagulação.
Além disso, a integridade da pele deve ser monitorada, pois a exposição prolongada ao gelo pode causar lesões cutâneas ou dano tecidual. Para reduzir esse risco, recomenda-se cobrir as bolsas de gelo com toalhas ou lençóis e reposicioná-las periodicamente.
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Referências
Wasserman DD, Kathard R, Healy M. Cooling Techniques for Hyperthermia. [Updated 2025 Sep 15]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK459311/



