Resumo de FIB-4: cálculo, indicações e mais!
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Resumo de FIB-4: cálculo, indicações e mais!

Olá, querido doutor e doutora! A avaliação da fibrose hepática é um ponto central no manejo das doenças crônicas do fígado, mas a biópsia, apesar de referência, apresenta riscos e limitações. Nesse cenário, métodos não invasivos têm ganhado destaque, permitindo maior segurança e acessibilidade na prática clínica. O FIB-4 (Fibrosis-4 Index) é um desses instrumentos, combinando exames laboratoriais de rotina com a idade do paciente para estimar a gravidade da fibrose. 

Esse escore tem se mostrado capaz de reduzir de forma significativa a necessidade de biópsias hepáticas, mantendo boa acurácia diagnóstica.

O que é FIB-4

O FIB-4 (Fibrosis-4 Index) é um escore laboratorial desenvolvido para avaliar o grau de fibrose hepática de forma não invasiva. Ele utiliza quatro variáveis de fácil obtenção na prática clínica: idade do paciente, níveis séricos de AST e ALT, e contagem de plaquetas. A partir desses parâmetros, o índice fornece um valor numérico que auxilia na estratificação do risco de fibrose, permitindo diferenciar indivíduos com maior probabilidade de fibrose avançada daqueles com estágios iniciais da doença.

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Fórmula e parâmetros utilizados  

O cálculo do FIB-4 segue a fórmula:

  • Idade: considerada em anos no momento do exame.
  • AST (Aspartato aminotransferase): enzima hepática frequentemente elevada em hepatopatias crônicas.
  • ALT (Alanina aminotransferase): marcador de lesão hepatocelular, utilizado no denominador com raiz quadrada para reduzir impacto de variações extremas.
  • Plaquetas: redução do número de plaquetas está associada à presença de hipertensão portal e fibrose avançada.

A interpretação dos resultados geralmente segue três faixas:

  • < 1,45: baixa probabilidade de fibrose avançada.
  • 1,45 – 3,25: zona indeterminada, exigindo métodos adicionais para avaliação.
  • > 3,25: alta probabilidade de fibrose significativa ou cirrose.

Histórico e desenvolvimento 

O FIB-4 foi desenvolvido em meados dos anos 2000, a partir da observação de que variáveis de rotina — idade, AST, ALT e plaquetas — apresentavam forte associação com a gravidade da fibrose hepática. A proposta inicial surgiu em pacientes coinfectados por HIV e hepatite C, demonstrando desempenho consistente na identificação de casos avançados de fibrose sem necessidade imediata de biópsia.

Em seguida, o índice foi validado em pacientes com hepatite C isolada, mostrando resultados semelhantes aos de métodos mais complexos, como o FibroTest. O escore alcançou áreas sob a curva (AUROC) elevadas para detecção de fibrose significativa e cirrose, reforçando sua utilidade clínica.

Com o tempo, o FIB-4 foi incorporado à prática médica em diferentes cenários, como hepatite B, doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD/NASH) e alcoolismo, tornando-se uma das ferramentas mais utilizadas para avaliação não invasiva de fibrose hepática.

Validação clínica e acurácia diagnóstica

O FIB-4 mostrou desempenho consistente em diferentes populações, sendo amplamente validado em hepatite viral crônica e em outras doenças hepáticas. Sua acurácia foi confirmada ao demonstrar elevada capacidade de excluir fibrose avançada quando o valor é baixo (< 1,45) e de confirmar fibrose significativa quando elevado (> 3,25).

Estudos evidenciaram que o escore apresenta área sob a curva (AUROC) entre 0,76 e 0,85 para identificação de fibrose avançada, chegando a valores ainda maiores para diagnóstico de cirrose. Esse desempenho é comparável a exames mais sofisticados, como elastografia hepática e testes séricos compostos, mas com a vantagem de usar parâmetros simples e de baixo custo.

A aplicação prática do índice permite reduzir substancialmente a necessidade de biópsias hepáticas, uma vez que grande parte dos pacientes pode ser corretamente estratificada apenas com base nos resultados do FIB-4. Em valores intermediários, no entanto, recomenda-se associação com outros métodos não invasivos para melhor definição diagnóstica.

Interpretação prática dos resultados 

A leitura do FIB-4 é feita a partir de faixas de valores que indicam diferentes probabilidades de fibrose hepática:

  • < 1,45: indica baixa probabilidade de fibrose avançada. Pacientes com valores abaixo desse ponto de corte podem ser acompanhados sem necessidade imediata de métodos invasivos.
  • 1,45 – 3,25: representa uma zona indeterminada. Nesses casos, recomenda-se complementar a avaliação com outros exames, como elastografia hepática ou testes séricos adicionais.
  • > 3,25: sugere alta probabilidade de fibrose significativa ou cirrose, indicando necessidade de investigação mais detalhada e de intervenções clínicas específicas.

Além disso, alguns fatores clínicos devem ser considerados. A idade exerce impacto direto no cálculo, reduzindo a precisão do índice em indivíduos abaixo de 35 anos ou acima de 65 anos. Outro ponto relevante é que condições como uso de álcool ou trombocitopenia por causas não hepáticas podem alterar os valores e levar a interpretações equivocadas.

Aplicações clínicas

O FIB-4 é amplamente utilizado na prática médica para estratificação do risco de fibrose hepática em diferentes cenários clínicos. Seu uso auxilia na tomada de decisão quanto à necessidade de exames complementares ou início de terapias específicas. Entre as principais aplicações estão:

  • Hepatite C crônica: o FIB-4 é empregado para selecionar pacientes candidatos a tratamento antiviral e monitorar progressão da doença.
  • Hepatite B crônica: serve como ferramenta inicial para avaliar o grau de fibrose antes da indicação de tratamento, principalmente em locais com recursos limitados.
  • Doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD/NASH): utilizado como triagem para identificar pacientes com maior risco de evolução para fibrose avançada.
  • Alcoolismo e hepatopatias metabólicas: auxilia na detecção precoce de fibrose em indivíduos expostos a fatores de risco hepático.
  • Monitoramento da doença hepática crônica: permite acompanhar a evolução ou estabilização da fibrose ao longo do tempo, especialmente em pacientes já diagnosticados.

Com essas aplicações, o FIB-4 contribui para reduzir a necessidade de biópsia hepática, além de oferecer um recurso acessível e facilmente aplicável em diferentes contextos clínicos.

Vantagens e limitações 

Vantagens

O FIB-4 tornou-se um dos índices não invasivos mais utilizados por reunir várias características práticas:

  • Simplicidade: utiliza apenas idade, AST, ALT e plaquetas, parâmetros de fácil acesso na rotina clínica.
  • Baixo custo: não exige equipamentos especializados ou exames adicionais caros.
  • Rapidez: pode ser calculado imediatamente durante a consulta, com resultado em tempo real.
  • Boa acurácia: apresenta elevado valor preditivo negativo para excluir fibrose avançada, evitando biópsias desnecessárias.
  • Aplicabilidade ampla: já foi validado em diferentes etiologias de doença hepática, incluindo hepatite viral, NAFLD e alcoolismo.

Limitações

Apesar de útil, o índice apresenta restrições que precisam ser consideradas:

  • Influência da idade: menos confiável em pacientes <35 anos ou >65 anos, devido ao impacto da idade no numerador da fórmula.
  • Zona indeterminada: valores entre 1,45 e 3,25 não permitem conclusão definitiva, exigindo exames adicionais.
  • Condições não hepáticas: trombocitopenia de outras causas, uso de álcool e elevações inespecíficas de AST podem superestimar ou subestimar a fibrose.
  • Uso longitudinal limitado: como inclui idade, seu valor tende a aumentar com o tempo, mesmo sem progressão real da fibrose.

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Referências Bibliográficas 

  1. TERLING, R. K. et al. Development of a simple noninvasive index to predict significant fibrosis in patients with HIV/HCV coinfection. Hepatology, v. 43, n. 6, p. 1317-1325, 2006.
  2. VALLET-PICHARD, A. et al. FIB-4: an inexpensive and accurate marker of fibrosis in HCV infection. Comparison with liver biopsy and FibroTest. Hepatology, v. 46, n. 1, p. 32-36, 2007.
  3. MDCalc. Fibrosis-4 (FIB-4) Index for Liver Fibrosis. Disponível em: https://www.mdcalc.com/calc/2200/fibrosis-4-fib-4-index-liver-fibrosis. Acesso em: 26 set. 2025.

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