E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a transaminase oxalacética (TGO), também conhecida como aspartato aminotransferase (AST), uma enzima encontrada em diversos tecidos, especialmente fígado, coração e músculos, utilizada principalmente na avaliação de lesão celular, particularmente hepatocelular.
O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.
Vamos nessa!
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Definição de TGO
O aspartato aminotransferase (AST), também chamado de transaminase glutâmico-oxalacética (TGO), é uma enzima intracelular envolvida no metabolismo dos aminoácidos. Está presente principalmente no fígado, músculo esquelético e miocárdio, mas também pode ser encontrada nos rins, cérebro, pâncreas, pulmões, leucócitos e hemácias.
A AST possui duas formas: citoplasmática e mitocondrial. Quando ocorre lesão ou aumento da permeabilidade das células desses tecidos, a enzima é liberada para a circulação, provocando elevação de sua concentração sérica.
Embora seja utilizada principalmente na avaliação de lesão hepatocelular, a TGO não é específica do fígado, podendo aumentar também em doenças musculares, hemólise, lesão cardíaca e outras condições extra-hepáticas. Por isso, sua interpretação deve ser feita em conjunto com a TGP (ALT) e outros exames, além do contexto clínico do paciente.
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Função do TGO
O TGO é um marcador bioquímico de lesão celular, principalmente hepatocelular, mas apresenta baixa especificidade para o fígado por estar presente em diversos tecidos, especialmente no músculo esquelético e miocárdio. Sua elevação ocorre quando há dano celular, com liberação da enzima para a circulação.
A magnitude da elevação auxilia na avaliação da causa: valores leves (2–5× o limite superior da normalidade) são frequentemente associados à MASLD, doença hepática alcoólica e hepatites virais crônicas, enquanto elevações moderadas a graves (≥5×) podem indicar hepatites agudas, lesão medicamentosa ou tóxica, hepatite isquêmica e obstrução biliar, entre outras causas. Elevações maciças (>10.000 U/L) são particularmente sugestivas de hepatite isquêmica ou lesão hepática tóxica grave.
A razão AST/ALT (índice de De Ritis) também auxilia na interpretação. Uma razão ≥2 é sugestiva de doença hepática associada ao álcool, enquanto valores >1 podem ocorrer na cirrose e em algumas outras condições hepáticas ou extra-hepáticas. Por não ser específica, a AST deve ser interpretada em conjunto com ALT, bilirrubina, INR, albumina e contexto clínico.
Valores de referência do TGO
Os valores de referência do TGO (AST) podem variar de acordo com o laboratório, método utilizado, idade e, em alguns casos, sexo. De forma geral, valores em adultos costumam estar aproximadamente entre 5 e 40 U/L.
É importante destacar que não existe um único valor universal de normalidade. Por isso, o resultado deve ser comparado ao limite superior da normalidade (LSN) informado no próprio laudo.
Para interpretar uma elevação, pode-se considerar:
- < 2 × LSN: elevação borderline;
- 2–5 × LSN: elevação leve;
- 5–15 × LSN: elevação moderada;
- > 15 × LSN: elevação grave;
- > 10.000 U/L: elevação maciça, observada principalmente em situações como hepatite isquêmica e lesão hepática tóxica grave.
O TGO isoladamente não permite determinar a causa da alteração, pois também está presente em músculos, coração, rins e outros tecidos. Assim, deve ser analisado em conjunto com TGP (ALT), bilirrubinas, fosfatase alcalina, GGT e outros exames, além do quadro clínico do paciente.
Principais condições que elevam o TGO
A elevação do TGO (AST) pode ocorrer por causas hepáticas e extra-hepáticas, já que essa enzima está presente em diversos tecidos. A magnitude da elevação e a relação entre TGO e TGP ajudam a direcionar a investigação.
- Doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica: é uma das causas mais comuns de elevação leve das transaminases, especialmente em pessoas com obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica. Geralmente, a TGP é maior que o TGO.
- Doença hepática associada ao álcool: caracteriza-se frequentemente por TGO > TGP, sendo uma razão TGO/TGP ≥ 2 sugestiva dessa etiologia. A elevação costuma ser inferior a 400 U/L na doença alcoólica isolada.
- Hepatites virais: hepatites B e C crônicas podem causar elevação persistente, geralmente leve. Já as hepatites virais agudas podem produzir elevações muito mais acentuadas.
- Lesão hepática induzida por medicamentos ou toxinas (DILI): diversos medicamentos e substâncias podem provocar lesão hepatocelular, sendo fundamental revisar medicamentos utilizados recentemente. Intoxicação por paracetamol, por exemplo, pode causar elevações maciças.
- Hepatite isquêmica: ocorre principalmente em situações de choque ou redução importante da perfusão hepática e pode provocar valores extremamente elevados, frequentemente >10.000 U/L. Entre as causas de elevação de transaminases >1.000 U/L, é uma das mais frequentes.
- Hepatite autoimune, doença de Wilson e hemocromatose: são causas menos comuns, mas devem ser consideradas principalmente diante de elevação persistente ou quando a investigação inicial não identifica uma causa evidente.
- Obstrução biliar aguda: cálculos ou outras formas de obstrução das vias biliares podem causar elevação importante e transitória das transaminases.
- Doenças musculares e rabdomiólise: como o TGO também está presente no músculo esquelético, lesões musculares, exercício físico intenso, trauma e rabdomiólise podem aumentar significativamente sua concentração. Nesses casos, a CK (creatinoquinase) costuma estar elevada.
- Hemólise: a destruição de hemácias pode aumentar o TGO, pois essa enzima também está presente nos eritrócitos. A avaliação pode incluir bilirrubina indireta, haptoglobina e reticulócitos.
- Doenças da tireoide e doença celíaca: hipotireoidismo, hipertireoidismo e doença celíaca também podem estar associados à elevação das transaminases, especialmente quando não há evidência clara de doença hepática.
- Macro-AST: é uma causa rara de elevação isolada e persistente do TGO, decorrente da formação de complexos da AST com imunoglobulinas, sem necessariamente existir lesão hepática.
Medicamentos que podem alterar o TGO
A elevação do TGO (AST) pode ocorrer como manifestação de lesão hepática induzida por medicamentos (DILI). Praticamente qualquer medicamento pode estar envolvido, mas alguns grupos são mais frequentemente associados a alterações das transaminases. O padrão pode ser hepatocelular, colestático ou misto, dependendo do fármaco.
- Analgésicos: o paracetamol é especialmente importante, pois em doses tóxicas pode causar lesão hepatocelular grave e elevações maciças de TGO e TGP.
- Anti-inflamatórios: diclofenaco e outros AINEs podem causar lesão hepática, geralmente de forma idiossincrásica.
- Antibióticos: destacam-se amoxicilina-clavulanato, trimetoprima-sulfametoxazol, nitrofurantoína, minociclina, macrolídeos e fluoroquinolonas.
- Antituberculosos: principalmente isoniazida e pirazinamida, que podem provocar hepatotoxicidade significativa.
- Antiepilépticos: carbamazepina, fenitoína e ácido valproico podem elevar as transaminases e, em alguns casos, causar hepatotoxicidade clinicamente relevante.
- Estatinas: podem produzir elevação das transaminases, embora a hepatotoxicidade grave seja rara.
- Antiarrítmicos: a amiodarona, especialmente em doses elevadas ou uso prolongado, pode causar lesão hepatocelular e esteatose.
- Antifúngicos: medicamentos como cetoconazol e terbinafina podem causar lesão hepática.
- Quimioterápicos e imunobiológicos: vários agentes, incluindo metotrexato, podem alterar as enzimas hepáticas.
- Hormônios e esteroides anabolizantes: podem causar alterações hepáticas, sendo os esteroides anabolizantes particularmente associados a padrões colestáticos.
- Antirretrovirais: alguns medicamentos dessa classe podem provocar elevação de transaminases e DILI.
- Suplementos e produtos fitoterápicos: também devem ser investigados. Entre os produtos associados a hepatotoxicidade estão extrato de chá verde, cúrcuma e produtos contendo esteroides anabolizantes.
Na investigação de um TGO elevado, é importante revisar não apenas medicamentos prescritos, mas também medicamentos de venda livre, suplementos, produtos fitoterápicos e substâncias utilizadas recentemente.
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Referências
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