Resumo de Suplementação de Creatina na Depressão
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Resumo de Suplementação de Creatina na Depressão

Olá, querido doutor e doutora! A suplementação de creatina tem sido investigada como estratégia adjuvante no manejo da depressão, com foco em seus efeitos sobre a bioenergética cerebral, neuroplasticidade e resposta ao tratamento convencional. Estudos clínicos exploram seu uso associado a antidepressivos e psicoterapia, avaliando eficácia, segurança e perfis de resposta. 

Os esquemas mais utilizados nos estudos clínicos empregaram creatina monohidratada na dose de 5 g por dia, por períodos de 4 a 8 semanas, como adjuvante ao tratamento padrão.

O que é a suplementação de Creatina na Depressão 

A suplementação de creatina na depressão refere-se à administração oral de creatina monohidratada, em geral em doses entre 2 e 5 g por dia, para atuar como estratégia adjuvante no manejo dos sintomas depressivos. Essa intervenção não substitui o tratamento padrão e é utilizada em associação a abordagens consolidadas, como farmacoterapia antidepressiva e psicoterapia estruturada.

Mecanismos de ação da creatina no sistema nervoso central 

Modulação do metabolismo energético cerebral

A creatina atua no sistema nervoso central por meio do aumento das reservas de fosfocreatina, favorecendo a ressíntese de ATP em neurônios e células gliais. Esse mecanismo sustenta a atividade sináptica e a transmissão neuronal, sobretudo em contextos de estresse metabólico cerebral, condição frequentemente associada aos transtornos depressivos.

Ativação de vias intracelulares relacionadas à neuroplasticidade

A suplementação de creatina está associada à ativação da via PI3K Akt mTOR, com aumento da fosforilação de proteínas envolvidas na síntese proteica e na organização sináptica, como PSD95. Essa cascata de sinalização contribui para maior adaptação estrutural e funcional das conexões neuronais.

Influência sobre BDNF e mecanismos de neuroproteção

Outro efeito observado é o aumento da expressão de BDNF, acompanhado da maior atividade de proteínas com ação antiapoptótica, como Bcl 2 e Bcl xL, além da redução de mediadores pró apoptóticos. Esse conjunto de alterações favorece um ambiente de neuroproteção, com maior resistência neuronal frente a estímulos adversos.

Modulação do eixo FNDC5 irisin PGC 1α

A creatina também interfere no eixo FNDC5 irisin PGC 1α, relacionado à regulação da neuroplasticidade dependente de BDNF, especialmente no hipocampo. Essa região apresenta relevância direta na modulação do humor, da memória emocional e da resposta ao estresse.

Efeitos sobre metabolismo neuronal e conectividade cerebral

Estudos experimentais e clínicos descrevem melhora de marcadores metabólicos neuronais, como N acetilaspartato, além de alterações positivas na conectividade funcional de redes cerebrais envolvidas na regulação do humor, sugerindo impacto sobre a eficiência metabólica e funcional do sistema nervoso central.

Modulação da neurotransmissão serotoninérgica

Há evidências de que a creatina possa influenciar a neurotransmissão serotoninérgica, com aumento da disponibilidade de serotonina em regiões cerebrais específicas. Esse efeito foi descrito com maior consistência em mulheres, podendo contribuir para a resposta clínica quando associada ao uso de antidepressivos.

Segurança, tolerabilidade e eventos adversos

Perfil geral de segurança

A suplementação de creatina, nos estudos clínicos que avaliaram pacientes com depressão unipolar e bipolar, apresentou perfil de segurança favorável, sem diferenças relevantes na incidência de eventos adversos quando comparada ao placebo. As doses mais frequentemente utilizadas variaram entre 2 e 10 g por dia, administradas por períodos de até 8 a 12 semanas.

Tolerabilidade e descontinuação do tratamento

A creatina mostrou boa tolerabilidade, sem aumento nas taxas de interrupção do tratamento por efeitos colaterais. A adesão aos protocolos foi semelhante entre os grupos creatina e placebo, sugerindo aceitabilidade clínica adequada quando utilizada como estratégia adjuvante.

Eventos adversos mais frequentemente descritos

Os eventos adversos associados à suplementação de creatina foram, em geral, leves e transitórios. Os mais relatados incluíram sintomas gastrointestinais, como náuseas, diarreia e desconforto abdominal, além de cefaleia e cãibras musculares. A frequência desses eventos foi comparável à observada nos grupos controle.

Impacto sobre função renal e parâmetros laboratoriais

Nos estudos de curto prazo, não foram observadas alterações clinicamente relevantes em função renal, peso corporal ou exames laboratoriais de rotina. Apesar disso, recomenda-se cautela em pacientes com doença renal prévia, considerando que a creatina é eliminada predominantemente por via renal.

Considerações em depressão bipolar

Em pacientes com depressão bipolar, há relatos isolados de virada para hipomania ou mania durante o uso adjuvante de creatina. Esse achado não foi consistente entre os estudos, mas sugere a necessidade de monitorização clínica cuidadosa nesse subgrupo específico.

Síntese do perfil de segurança

De forma global, a creatina apresenta perfil de segurança e tolerabilidade semelhante ao placebo quando utilizada como adjuvante no tratamento da depressão em curto prazo. No entanto, a ausência de dados robustos sobre uso prolongado reforça a necessidade de avaliação individualizada e acompanhamento clínico contínuo.

Posologia e esquemas de suplementação utilizados nos estudos 

Os ensaios clínicos que investigaram a suplementação de creatina em pacientes com depressão utilizaram, de forma predominante, doses diárias entre 2 e 10 g de creatina monohidratada, administradas por via oral. A suplementação foi empregada quase sempre como estratégia adjuvante ao tratamento padrão, incluindo antidepressivos ou psicoterapia estruturada.

A dose mais recorrente nos estudos foi a de 5 g por dia, aplicada principalmente em ensaios randomizados com pacientes com transtorno depressivo maior, especialmente mulheres. Esse esquema foi utilizado tanto em associação a inibidores seletivos da recaptação de serotonina quanto em protocolos combinados com outras abordagens terapêuticas.

Já em estudos com adolescentes, foram avaliados esquemas de 2 g, 4 g e 10 g por dia, sem diferenças relevantes na tolerabilidade entre as doses testadas. Em pacientes com depressão bipolar, a posologia mais empregada foi 6 g por dia, geralmente por um período aproximado de seis semanas. Ensaios abertos e estudos preliminares também relataram o uso de 3 a 5 g por dia.

Forma de administração, frequência e duração

A creatina foi administrada sob a forma de pó dissolvido em líquido ou em cápsulas, quase sempre em dose única diária. Não há padronização quanto à divisão de doses ao longo do dia, nem consenso sobre estratégias de carga ou titulação progressiva no contexto psiquiátrico.

A duração dos protocolos variou principalmente entre 4 e 8 semanas, refletindo o período de acompanhamento mais comum nos estudos disponíveis. Dados sobre uso prolongado permanecem limitados, o que restringe conclusões sobre esquemas de longo prazo.

Evidências clínicas da suplementação de creatina na depressão 

As evidências clínicas sobre a suplementação de creatina no tratamento dos sintomas depressivos permanecem limitadas e incertas. Análises sistemáticas de ensaios clínicos randomizados indicam uma redução pequena dos escores de depressão quando comparada ao placebo, com magnitude inferior ao limiar geralmente considerado clinicamente relevante. A interpretação desses achados é dificultada por heterogeneidade metodológica, tamanhos amostrais reduzidos e risco de viés em parte dos estudos disponíveis.

Resultados de ensaios clínicos randomizados

Ensaios clínicos individuais sugerem que a creatina pode estar associada à aceleração da resposta terapêutica quando utilizada como adjuvante a antidepressivos, especialmente em pacientes com transtorno depressivo maior.

Esses efeitos foram descritos com maior consistência em mulheres, embora não sejam observados de forma uniforme entre os estudos. Em alguns cenários, a suplementação também foi avaliada como complemento à terapia cognitivo comportamental, com resultados discretos sobre a intensidade dos sintomas.

Apesar de diferenças estatísticas favoráveis à creatina em alguns estudos, a magnitude média do efeito é modesta, com impacto limitado sobre escalas clínicas amplamente utilizadas. Dessa forma, os benefícios observados tendem a ser sutis e não sustentam, até o momento, uma mudança nas estratégias terapêuticas estabelecidas para depressão.

Recomendações clínicas atuais

Até o momento, não há recomendação de sociedades psiquiátricas para o uso rotineiro da creatina como tratamento isolado ou adjuvante da depressão. As abordagens padrão permanecem baseadas em antidepressivos e psicoterapia estruturada.

A creatina não deve ser utilizada como substituta das terapias consagradas e seu uso tende a ser mais apropriado em contextos de pesquisa ou em situações selecionadas, com avaliação individualizada.

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Referências bibliográficas 

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