E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a Drenagem de Abscesso Cutâneo, um procedimento fundamental para remover acúmulos de pus e aliviar a inflamação local.
O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.
Vamos nessa!
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Definição de abscesso cutâneo
Abscesso cutâneo é uma coleção de pus localizada na derme ou no tecido subcutâneo, resultante de uma infecção que leva à inflamação e necrose tecidual. Clinicamente, manifesta-se como um nódulo doloroso, flutuante e eritematoso, podendo apresentar celulite circundante.
Em alguns casos, ocorre drenagem espontânea de material purulento, além de adenopatia regional. Sintomas sistêmicos, como febre e calafrios, são incomuns, mas podem estar presentes em infecções mais extensas.
A formação do abscesso pode ocorrer a partir da infecção profunda de um folículo piloso, conhecida como furúnculo, que se estende através da derme para o tecido subcutâneo. Quando múltiplos furúnculos coalescem, formam um carbúnculo, que pode estar associado a manifestações sistêmicas.
As regiões mais comumente afetadas incluem o pescoço, rosto, axilas e nádegas. O tratamento geralmente envolve drenagem adequada e, em alguns casos, antibioticoterapia, especialmente quando há sinais de infecção disseminada ou fatores de risco associados.
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Etiologia do Abcesso Cutâneo
Os abscessos cutâneos têm como principal agente etiológico a bactéria Staphylococcus aureus, incluindo tanto as cepas sensíveis à meticilina (MSSA) quanto as resistentes (MRSA). Nos últimos anos, houve um aumento significativo de infecções comunitárias causadas pelo MRSA, representando um desafio para a vigilância epidemiológica e influenciando a escolha da terapia antimicrobiana.
Além disso, a epidemiologia do paciente pode influenciar a etiologia do abscesso. Indivíduos com contato cutâneo próximo e frequente, como militares, atletas e presidiários, apresentam maior risco de infecção por MRSA. Outros fatores predisponentes incluem o uso de drogas intravenosas, infecção por HIV, hospitalização ou cirurgia recente, e hemodiálise.
Em determinadas regiões anatômicas, os abscessos podem ser causados por uma colonização polimicrobiana, incluindo bactérias anaeróbias. Isso é mais comum em abscessos periorais, perivaginais e perirretais, onde há maior diversidade microbiana.
Indicações e contraindicações de Drenagem de Abscesso
Indicações para drenagem de abscesso cutâneo
A drenagem está indicada para todos os abscessos cutâneos, uma vez que o procedimento é essencial para eliminar o material purulento e promover a resolução da infecção.
Contraindicações para drenagem de abscesso cutâneo
A drenagem não deve ser realizada em determinadas situações devido ao risco elevado de complicações, dependendo da localização do abscesso, do tipo de infecção e das condições do paciente.
Contraindicações de acordo com a localização:
- Abscessos perirretais
- Abscessos cervicais anteriores e laterais
- Abscessos na mão
- Abscessos próximos a nervos vitais ou grandes vasos sanguíneos (ex.: nervo facial, artéria carótida, artéria femoral)
- Abscessos no triângulo central da face (entre os cantos da boca e a ponte nasal), devido ao risco de trombose do seio cavernoso e disseminação intracraniana
- Abscessos mamários, especialmente os próximos à aréola e ao mamilo
Contraindicações de acordo com o tipo de abscesso:
- Carbúnculo e abscessos recorrentes, pois podem indicar a presença de fístulas e devem ser avaliados em ambiente cirúrgico
- Grandes abscessos (> 5 cm), pois são melhor manejados em centro cirúrgico
- Abscessos micóticos, que não devem ser tratados com incisão e drenagem
Contraindicações de acordo com o paciente:
- Pacientes com risco de aspiração, caso necessitem de sedação para o procedimento
- Pacientes com distúrbios de coagulação, que devem ter sua coagulopatia corrigida antes da drenagem
- Pacientes alérgicos a lidocaína, epinefrina ou látex, pois esses componentes são frequentemente utilizados no procedimento e devem ser evitados para prevenir reações adversas
Materiais para realizar Drenagem de Abscesso
Os materiais necessários para a drenagem de um abscesso cutâneo incluem:
- Campo estéril
- Luvas estéreis
- Óculos de proteção
- Seringa de 3 a 10 mL
- Agulha de calibre 25, 27 ou 30
- Bisturi com lâmina
- Pinça hemostática curva
- Tesoura
- Cuba
- Dreno de Penrose
Passos da Drenagem do abscesso cutâneo
1) Preparação do local e dos materiais
Antes de iniciar o procedimento de drenagem de abscesso cutâneo, é essencial garantir que todos os materiais necessários estejam devidamente organizados e ao alcance. Isso inclui bisturi, agulhas, pinças, drenos, seringas, e campos estéreis, além das soluções antissépticas. A preparação prévia evita a interrupção do procedimento e contribui para a eficiência do processo.
2) Realização de assepsia e antissepsia
A assepsia do local do abscesso deve ser realizada com a aplicação de uma solução degermante, seguida de uma solução alcoólica para completar a antissepsia. A aplicação das soluções deve ser feita em movimento circular, sempre do centro para a periferia do abscesso, para evitar a contaminação da área já limpa e minimizar o risco de infecção.
3) Isolamento da área com campo estéril
Após a assepsia, é necessário isolar a área do abscesso com um campo estéril. Esse procedimento reduz significativamente as chances de infecção secundária durante a drenagem, criando um ambiente controlado e protegido ao redor da área a ser operada.
4) Aplicação de anestesia local
A anestesia local é crucial para garantir que o paciente não sinta dor durante o procedimento. Para isso, deve-se utilizar uma seringa de 3 a 10 mL com agulha de calibre 25, 27 ou 30. A infiltração do anestésico deve ser feita na pele, ao redor do abscesso, mas sem injetar diretamente na cavidade do abscesso, para evitar que o material purulento seja deslocado de forma inadequada.
5) Realização da incisão
Com um bisturi adequado, deve-se fazer uma incisão linear na área mais flutuante do abscesso, onde a pressão é maior. Dependendo do formato e tamanho do abscesso, a incisão pode ser realizada de forma simples ou em “X” para garantir uma drenagem eficaz. A incisão deve ser precisa para permitir a drenagem do pus sem causar lesões desnecessárias nos tecidos adjacentes.
6) Exploração do abscesso
Após a incisão, é importante explorar a cavidade do abscesso para garantir que todos os septos internos sejam rompidos e todo o pus seja drenado. Utiliza-se uma pinça hemostática curva para explorar a área e verificar a profundidade do abscesso. Essa etapa ajuda a identificar qualquer extensão oculta da infecção e permite que o material purulento seja removido de forma completa.
7) Drenagem do conteúdo purulento
A drenagem do abscesso consiste em pressionar suavemente a área ao redor do abscesso para extrair o máximo possível de secreção purulenta. Caso o abscesso seja espesso ou tenha várias divisões internas, o uso da pinça hemostática pode ser necessário para ajudar na remoção do material purulento. A drenagem completa é essencial para prevenir recidivas e complicações.
8) Inserção do dreno
Após a drenagem, para garantir que a cavidade continue a drenar adequadamente e evitar o fechamento prematuro da incisão, é recomendado inserir um dreno de Penrose. O dreno permite que o material residual seja removido e reduz o risco de infecção e recorrência do abscesso. A inserção do dreno deve ser feita de forma cuidadosa para evitar lesões e garantir a drenagem eficaz da área operada.
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Referências
Theresa Becker, DO. Techniques for skin abscess drainage. UpToDate, 2024. Disponível em: UpToDate
Denis Spelman, MBBS, FRACP, FRCPA, MPHLarry M Baddour, MD, FIDSA, FAHA. Cellulitis and skin abscess: Epidemiology, microbiology, clinical manifestations, and diagnosis. UpToDate, 2024. Disponível em: UpToDate



