ResuMED de infecções de vias aéreas superiores – parte 1: faringites e abscessos cervicais

ResuMED de infecções de vias aéreas superiores – parte 1: faringites e abscessos cervicais

Como vai, futuro Residente? Um dos temas mais importantes na especialidade de otorrinolaringologia são as infecções de vias aéreas superiores, não só para suas provas, mas também para seu conhecimento clínico. Por isso, nós do Estratégia MED preparamos um resumo exclusivo para você, incluindo os principais tópicos do assunto. Essa é a parte 1 do resumo, em que vamos abordar as faringites e abscessos cervicais. Não deixe de conferir as partes 2 e 3 para obter o conhecimento completo. Para saber mais, continue a leitura. Bons estudos!

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Introdução

As faringites são infecções da faringe, que podem se apresentar com diversas manifestações clínicas, causadas por várias etiologias, principalmente as virais e as bacterianas. Vamos falar detalhadamente sobre cada uma delas!

Faringites virais

Mononucleose infecciosa

Seu causador é o vírus Epstein Barr (EBV), e acomete principalmente adolescentes e adultos jovens. É um um vírus oncogênico que tem a capacidade de tornar linfócitos B imortais, se relacionando com o linfoma de Burkitt e o carcinoma nasofaríngeo. Sua transmissão mais comum é através da secreção salivar, ou seja, o beijo é uma das fontes mais importantes de disseminação do vírus. Seu período de incubação é muito longo, com cerca de 30 – 40 dias, e sem sazonalidade. 

Seus sinais clínicos e sintomas são frequentemente inespecíficos, como febre baixa, cefaleia leve e mal-estar, seguidos de mais clássicos: amigdalite, linfonodomegalia generalizada e hepatoesplenomegalia. 

Ao exame físico, a orofaringe apresenta-se com hipertrofia e hiperemia das tonsilas palatinas, associada a um exsudato esbranquiçado ou branco acinzentado. O sinal mais frequente é a linfonodomegalia dolorosa. Suas principais complicações são a rotura esplênica e a obstrução de vias aéreas (pela hiperplasia linfoide e edema de mucosas). O exantema é variável, frequentemente em áreas maculopapular, tronco e raízes de membros, e em caso de usos de antibióticos (contraindicado), é exacerbada e se torna mais frequente. 

O diagnóstico é clínico, mas casos mais graves ou que necessitam de confirmação diagnóstica requerem exames complementares. São eles:

  • Sorologia para detecção de anticorpos;
  • Testes rápidos para detecção de anticorpos heterófilos, e/ou de anticorpos específicos para o vírus Epstein-Barr; e
  • Hemograma → apresenta leucocitose às custas de linfocitose com > 10% de linfócitos atípicos (importante para as provas de Residência!).

Para o tratamento é necessário apenas terapia de suporte, sem indicação do aciclovir em pacientes com infecção aguda por Epstein Barr. 

Adenovírus

É um dos agentes mais comuns de faringites e faringoamigdalites na infância. Faringite e coriza são as apresentações clínicas mais comuns, e ao exame físico apresenta exsudato esbranquiçado nas tonsilas.

Além disso, apresenta conjuntivite folicular benigna acompanhada de febre, compondo o quadro clássico de febre conjuntival, característico da faringite por adenovírus.  Outros sintomas podem estar presentes, como linfadenomegalia cervical anterior dolorosa bilateral, rinorreia, obstrução nasal, tosse seca ou produtiva, cefaleia, diarreia e dor abdominal. 

Em suspeita diagnóstica deve ser realizada uma confirmação sorológica, e seu tratamento é apenas para a sintomatologia, sem necessidade de antivirais específicos. 

Herpangina

É causada por três tipos de vírus, sendo o mais importante para a prática clínica o vírus Coxsackie, que pode apresentar-se em associação a doença da mão-pé-boca. Seu sintoma mais comum é a odinofagia, que em bebês pode se manifestar com choro, irritabilidade e/ou “babação”. 

Ao exame físico da orofaringe podem ser observadas múltiplas úlceras rasas de 4 mm a 8 mm nos pilares tonsilares anteriores, palato mole e tonsilas palatinas, que se apresentam de forma súbita. Também podem estar presentes úlceras na língua e gengiva, além do exantema que é característico, principalmente em mãos e pés.

Seu diagnóstico é clínico, caracterizado por pelo menos 10 lesões papulovesiculares hiperemiadas amarelo/branco-acinzentadas nos papilares anteriores tonsilares, palato mole, amígdalas e úvula. O tratamento é realizado com sintomáticos e medidas adjuvantes, além de antitérmicos, analgésicos e dieta fria fracionada. 

Faringite/gengivoestomatite herpética

É causada pelo vírus Herpes simplex tipo 1 (HSV-1), igualmente em ambos os sexos e transmitida pelo contato oral-oral ou oral-genital. 

Manifesta-se na forma de vesículas e úlceras, de localização e tamanhos diferentes nos enunciados, geralmente se dois a doze dias após a exposição e podem ser caracterizados pelo aparecimento de múltiplas lesões orais dolorosas (gengivoestomatite herpética) associadas à linfonodomegalia cervical. 

Em crianças, geralmente apresenta-se como uma gengivoestomatite com febre, faringite e lesões vesiculares dolorosas desenvolvidas subitamente. As úlceras são puntiformes e restritas à orofaringe, um ponto importante para as provas!

Faringites bacterianas

Faringite por Estreptococo

É a causa mais comum de faringite bacteriana em crianças mais velhas e adolescentes, caracterizada por febre alta de início súbito e odinofagia. Ao exame físico da cavidade oral e orofaringe é verificada hipertrofia e hiperemia de tonsilas, com exsudato purulento, associado a petéquias no palato e edema de úvula, além de linfonodomegalia cervical dolorosa na região cervical anterior. 

Outro sintoma característico é o exantema das mãos e das plantas dos pés, chamado de escarlatina, e língua saburrosa ou em framboesa, que aparecem de 12 a 24 horas após os sintomas iniciais, de forma puntiforme, eritematosa, coalescente e progride para todo o corpo em vinte e quatro horas. O sinal de Pastia e sinal de Filatov podem estar presentes. 

Seu diagnóstico é clínico com testes confirmatórios, como o teste rápido para antígeno estreptococo ou a cultura (padrão ouro), e seu tratamento é realizado com penicilina e seus derivados. 

Angina diftérica

É causada pelo bacilo gram-positivo Corynebacterium diphtheriae, causa sintomas de dor e desconforto laríngeo, mal-estar, linfadenopatia cervical e febre baixa. Na maioria dos casos forma-se uma pseudomembrana coalescente que se adere firmemente ao tecido adjacente e sangra com a raspagem, o que pode ajudar no diagnóstico diferencial com outras faringites. 

Seu diagnóstico é feito com cultura de secreções do trato respiratório para pesquisa do bacilo e tratada com antibioticoterapia com eritromicina ou penicilina G procaína. 

Abscessos cervicais

São infecções que surgem frequentemente de um foco séptico nos dentes inferiores, amígdalas, parótida, orelha média e linfonodos cervicais profundos, geralmente localizados na cavidade oral e faringe, com maior prevalência de flora bacteriana anaeróbia. 

Dor de garganta e/ou trismo estão frequentemente associados, e a disfagia e odinofagia podem ser secundárias à inflamação. Uma massa cervical ou um abaulamento cervical acompanhado de sinais flogísticos de início súbito também pode ser verificado.

Em casos de suspeita de abscesso cervical, devem ser seguidos imediatamente os procedimentos de: internação hospitalar, antibioticoterapia empírica, tomografia computadorizada e programação de cervicotomia para drenagem.  A drenagem deve ser feita sob anestesia geral. 

Abscesso periamigdaliano

Seu sintoma mais característico é a febre alta associada a outros sintomas, como sialorreia e alteração de voz, trismo por irritação da musculatura pterigóidea e toxemia. Ao exame físico é possível observar abaulamento assimétrico de tonsilas e palato mole, com desvio de úvula, além de linfonodomegalia cervical.

Deve ser feito tratamento sintomático e antibioticoterapia, caso o paciente seja apto para tal, pode ser realizada uma drenagem. 

Chegamos ao fim do nosso resumo de otorrinolaringologia! Essa foi a parte 1 em que falamos sobre faringites e abcessos cervicais. Não deixe de conferir a parte 2 e 3 para conhecimento completo!

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