Painel na USP discute o que o Enamed revela sobre a formação médica no Brasil
Foto: Cecília Bastos/USP Imagem

Painel na USP discute o que o Enamed revela sobre a formação médica no Brasil

Um debate promovido pelo Centro de Desenvolvimento de Educação Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (CEDEM-FMUSP), realizado nesta ter-feira (10), reuniu especialistas para discutir o que os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) podem indicar sobre a formação médica no país.

O encontro contou com a participação dos professores da Faculdade de Medicina da USP Milton A. Martins e Ludhmila Hajjar, que também integra o Conselho Nacional de Educação. Também esteve presente a professora Eliana Amaral, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo.

Durante a conversa, os participantes analisaram dados do exame e discutiram possíveis impactos do modelo de avaliação na formação dos estudantes de Medicina.

Desempenho institucional e políticas de acesso

Um dos pontos destacados foi o desempenho das universidades públicas federais, que, segundo dados apresentados no encontro, registraram níveis elevados de satisfação entre os estudantes no exame. Também foi mencionado que essas instituições podem ter uma parcela significativa de alunos ingressantes por meio de políticas de ações afirmativas.

No debate, os dados foram citados como um indicativo de que estudantes oriundos dessas políticas também vêm apresentando resultados satisfatórios no exame, uma vez que as instituições com maior presença desses alunos aparecem entre as mais bem avaliadas.

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Diferenças em relação a outros rankings

Outro aspecto discutido foi a diferença entre o desempenho das instituições no Enamed e em outros rankings tradicionais de avaliação de cursos de Medicina, como guias educacionais e levantamentos de reputação acadêmica.

Segundo os participantes, há casos em que faculdades bem posicionadas nesses rankings tiveram desempenho inferior no exame, o que reforça que diferentes metodologias de avaliação podem produzir resultados distintos sobre a qualidade da formação. 

Cursos que já tinham boas avaliações em outros sistemas, como conceito 3, 4 ou 5 no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes); ou três a cinco estrelas no Guia do Estadão, nem sempre aparecem com desempenho equivalente no Enamed.

Confira abaixo a comparação apresentada pelo Milton A. Martins, Prof. Titular da Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo:

AvaliaçãoNota 1 ou 2 no EnamedNota 3, 4 ou 5 no EnamedTotal de suficientes% de concordância
Sinaes (Cursos com CPC 3, 4 ou 5)7420628073,6%
Guia do Estadão (Cursos com 3, 4 ou 5 estrelas)3812416276,5%
Saeme (Cursos acreditados)9667588,0%

Limites de uma prova exclusivamente objetiva

Apesar de avaliarem de forma positiva a existência de uma avaliação nacional da formação médica, os participantes também levantaram questionamentos sobre os limites de uma prova composta apenas por questões objetivas.

Na avaliação apresentada no debate, esse formato pode não ser suficiente para medir aspectos essenciais da formação médica, especialmente competências relacionadas à prática clínica e à atuação do estudante no cuidado direto aos pacientes.

Possíveis impactos na formação no internato

Outro ponto levantado foi a possibilidade de que o exame passe a influenciar a organização do sexto ano da graduação em Medicina. Segundo discutido no painel, instituições que tiveram desempenho mais baixo podem passar a incentivar rotinas de preparação mais estruturadas para a prova.

Nesse contexto, foi levantada a preocupação de que esse movimento possa reduzir o foco nas atividades práticas do internato, caso parte do tempo do último ano da graduação passe a ser direcionada para a preparação teórica para a prova.

Avaliação contínua durante a graduação

Durante o encontro, também foi sugerido que as próprias faculdades ampliem mecanismos de avaliação ao longo do curso. A proposta seria adotar avaliações periódicas que permitam acompanhar o desenvolvimento dos estudantes em diferentes etapas da formação, incluindo competências clínicas e práticas.

Na visão apresentada no debate, esse tipo de acompanhamento poderia contribuir para uma avaliação mais ampla do processo formativo.

Confira como foi o encontro na íntegra:

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