Como é a residência médica em Dermatologia na Universidade Federal de Santa Catarina
Créditos: Estratégia MED

Como é a residência médica em Dermatologia na Universidade Federal de Santa Catarina

Está considerando realizar a sua residência em Dermatologia na Universidade Federal de Santa Catarina? Neste texto, você confere como é a estrutura do serviço, a organização da formação, a carga assistencial e os principais diferenciais do programa.

Para compreender melhor a rotina do programa de residência médica em Dermatologia da instituição, conversamos com o Dr. Athos Martini, que foi residente do serviço. Ele compartilhou detalhes sobre o funcionamento da residência, a vivência prática e os diferenciais do programa. Siga no texto e saiba tudo!

Estrutura e perfil do serviço

A residência em Dermatologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) oferece duas vagas por ano e é realizada no Hospital Universitário da instituição, um hospital de grande porte localizado na região central. Trata-se do programa mais antigo do estado, cenário que contribuiu para a concentração de casos dermatológicos mais complexos, garantindo ampla exposição clínica aos residentes. 

O serviço não possui leitos próprios de Dermatologia. Os pacientes são internados pela Clínica Médica, e a equipe de Dermatologia atua por meio de interconsultas. Nesse modelo:

  • Os residentes avaliam e acompanham os casos dermatológicos internados;
  • As condutas são discutidas e sugeridas pela Dermatologia;
  • A prescrição formal fica sob responsabilidade da Clínica.

O volume de interconsultas varia de duas a cinco por dia, garantindo exposição relevante à Dermatologia hospitalar, ainda que sem responsabilidade direta sobre leitos.

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Organização geral da residência

A residência tem entrada direta na Dermatologia, com carga reduzida de estágios em Clínica Médica. O programa adota uma organização longitudinal: cada ano possui uma grade semanal fixa, mantida ao longo de todo o período, sem divisão em blocos mensais por subespecialidade.

Assim, os residentes conciliam simultaneamente:

  • Ambulatórios gerais e especializados;
  • Atividades cirúrgicas; e
  • Atendimentos em subáreas da Dermatologia.

Os ambulatórios mais complexos concentram-se progressivamente nos anos finais.

Carga horária, rotina e plantões

A carga horária é considerada equilibrada. A rotina habitual inclui início por volta das 8h (ou 7h30 em alguns dias), término das atividades da manhã entre 10h30 e 11h, e retorno à tarde até aproximadamente 16h.

Os residentes realizam 18 plantões ao longo do ano, sendo nove em emergência e nove em enfermaria.

Os plantões de enfermaria são mais tranquilos, enquanto os de emergência seguem a dinâmica da Clínica Médica. Esse formato permite, na prática, a realização de atividades externas, como plantões em Clínica Médica.

Relação entre residentes e preceptores

O ambiente é descrito como, em geral, pouco hierarquizado e baseado no bom senso. A dinâmica tende a ser horizontal, com colaboração entre os anos.

A relação com os preceptores é próxima e acessível, com abertura para discussão de casos e apoio durante e após a residência.

Primeiro ano (R1): base clínica e início precoce em cirurgia

O R1 combina formação em Dermatologia com estágios clínicos, que somam quatro meses ao longo do ano, intercalados com a especialidade:

  • Clínica Médica (enfermaria);
  • Endocrinologia;
  • Reumatologia; e 
  • Infectologia.

Desde o início, o foco está na Dermatologia geral, com atuação em ambulatórios e contato com áreas como hanseníase e dermatopatologia.

Um dos principais diferenciais do programa é a forte carga cirúrgica já no primeiro ano. O residente inicia precocemente procedimentos como enxertos e retalhos, inicialmente sob supervisão e com progressiva autonomia ao longo do ano.

Segundo ano (R2): consolidação e ampliação da prática

No R2, há aumento da complexidade dos casos e maior autonomia do residente. Há maior carga em dermatopatologia e continuidade da prática cirúrgica, mas agora com maior complexidade. O programa também conta com estágio externo em dermatopediatria neste segundo ano. 

O residente também passa a atuar em ambulatórios cirúrgicos específicos, incluindo terapias para carcinoma espinocelular e inibidores de Hedgehog para carcinoma basocelular — experiências ainda pouco disponíveis em outros serviços.

Há, ainda, maior possibilidade de direcionar a prática cirúrgica conforme interesses pessoais, incluindo procedimentos estéticos.

Terceiro ano (R3): alta complexidade e transição para o mercado

O R3 concentra os ambulatórios mais especializados, como imunobiológicos, colagenoses e doenças dos anexos. 

O residente também atua em teledermatologia – com triagem de casos do estado por imagem. O ambulatório de imagem dermatológica da instituição possui tecnologias como ultrassom de alta frequência e microscopia confocal. 

O programa inclui estágio eletivo neste último ano, que pode ser realizado em outras instituições, no Brasil ou no exterior.

Nesta fase, há foco crescente na preparação para o Título de Especialista em Dermatologia (TED), com redução progressiva da carga assistencial.

Cosmiatria e prática em estética

A cosmiatria é um dos pontos fortes do programa. A formação ocorre de forma progressiva, começando no R2, com peelings, microagulhamento, bioestimuladores e toxina botulínica.

Já no R3, o foco é em preenchedores, fios e procedimentos mais complexos. 

Um diferencial importante é a atuação em clínicas privadas dos preceptores, no contraturno. Nesses cenários, há grande volume de procedimentos, sem limitações rígidas, incluindo casos complexos, o que amplia significativamente a experiência prática.

Volume assistencial e perfil acadêmico

O número de atendimentos por residente é relativamente reduzido, em média cinco a seis pacientes por período. Isso permite consultas mais detalhadas e maior tempo para discussão de casos, revisão de literatura e tomada de decisão baseada em evidências.

O serviço tem forte perfil acadêmico, com valorização da medicina baseada em evidências e estímulo à análise crítica das condutas.

Já a estrutura teórica inclui aulas semanais de dermatopatologia, discussão de artigos científicos e revisão de questões com foco no TED. 

Embora tenha evoluído recentemente, parte do aprofundamento teórico ainda depende de iniciativa individual dos residentes.

Pontos de atenção

Entre os aspectos que podem ser considerados limitações, destacam-se:

  • Número reduzido de preceptores, o que pode limitar a diversidade de abordagens;
  • Volume assistencial menor em comparação a serviços de alta demanda;
  • Ausência de leitos próprios de Dermatologia.

Por outro lado, essas características favorecem maior aprofundamento teórico e discussão clínica.

No geral, a residência em Dermatologia da Universidade Federal de Santa Catarina oferece uma formação sólida, com destaque para a prática cirúrgica precoce, forte inserção em cosmiatria e perfil acadêmico consistente.

Quer saber ainda mais sobre o programa? Descubra com o bate-papo “Vida de Residente” entre a Professora Ana Luiza Viana e o Dr. Athos Martini, especialista em Dermatologia pela UFSC, no vídeo abaixo:

Quer ingressar como residente na instituição? A UFSC faz parte do processo seletivo unificado da Associação Médica do Rio Grande do Sul, o exame AMRIGS. Saiba mais abaixo:

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