Homem de 52 anos procurou pronto-socorro do Hospital Universitário Cajuru por dor abdominal em epigástrio irradiada para dorso, tipo aperto, nota 9 em 10, iniciada há 8 horas após refeição gordurosa e consumo de 1 dose de bebida destilada, sem fatores de melhora e associada a vômitos alimentares. Seus dados vitais eram normais e seu exame físico revelava abdome globoso devido à obesidade centrípeta, ruídos hidroaéreos reduzidos, flácido, sem visceromegalias, mas doloroso a palpação superficial e profunda de epigástrio e mesogástrio. O médico residente que o atendeu suspeitou de Pancreatite Aguda, a qual foi confirmada (lipase sérica 8 vezes o limite superior da normalidade). Ele seguiu com a internação do paciente e escreveu em seu plano terapêutico.
O paciente evoluiu em 72 horas com disfunção orgânica e piora da dor abdominal. A equipe médica assistente solicitou tomografia de abdome contrastada a qual revelou pâncreas edemaciado, com coleção peripancreática única, sem sinais de necrose pancreática, mas presença de trombose aguda de veia porta e veia esplênica. O restante dos órgãos abdominais era normal e não havia ascite.
Com base nessas informações, é CORRETO afirmar:
I. A pancreatite aguda pode estar relacionada à gênese da trombose de veia porta e veia esplênica.
II. Pacientes com trombose de veia porta associada à pancreatite aguda com coleção não podem ser tratados com heparina de baixo peso molecular em doses anticoagulantes devido ao maior risco de sangramento intra-abdominal.
III. A anticoagulação da trombose de veia porta é realizada por pelo menos 6 meses. IV. A trombólise, quando necessária, é realizada via veia femoral comum.