Maria da Consolação, 87 anos, branca, moradora de casa de repouso, restrita ao leito há quatro anos, totalmente dependente para as AIVD´s e ABVD´s, apresenta contratura dos MMII e úlcera de pressão na região sacral. Há cinco dias foi diagnosticada com infecção urinária de provável etiologia fúngica e foi iniciado Fluconazol. Nos últimos três dias apresentou piora do quadro com rebaixamento do nível de consciência e alguns episódios de movimentos involuntários dos olhos e MMSS. Trazia relatório do médico do asilo que referia: HAS há 32 anos, Diabetes há 26 anos, dislipidemia há 22 anos e 4 episódios de AVC, o último há quatro anos, motivo pelo qual a paciente esta restrita ao leito. Além disso, apresentava fibrilação atrial permanente. Em uso de: - Varfarina 5 mg, 1 x ao dia - Captopril 25 mg, 8/8 horas - Amiodarona 200 mg 1 x ao dia - Hidroclorotiazida 25 mg 1 x ao dia - Alprazolan 5 mg, à noite - Haldol 1 mg pela manhã - AAS 100 mg, 1 x ao dia - Furosemida 40 mg, pela manhã - Omeprazol 20 mg, pela manhã - Levotiroxina 25 Mcg, 1 x ao dia - Fluconazol 150 mg, 1 x ao dia Ao exame - REG, hipocorada +/4+, anictérica, acianótica, afebril e desidratada +/4+. PA: 120 x 60mm/Hg. FC: 95 bpm, FR: 26 irpm. Pulsos periféricos simétricos com baixa amplitude. AR: MVUA com creptos discretos bi-basais, sem caráter bolhoso. ACV: RCI, bnf, sopro mesossitólico em crescendo que termina antes de B2, mais audível em FAo e FA acessório +++/6+, além de um sopro diastólico audível no mesmo foco ++/6+. Abdome - Flácido, peristáltico, timpânico, sem massas ou vmg. Pele - Observa-se, na região de antebraço esquerdo uma lesão de caráter enegrecido, bordas irregulares e com diferentes colorações ao longo da lesão, aproximadamente 4 x 2 cm. Neurológico - Contratura muscular de todos os membros e pouca colaboração da paciente com o exame de força, hipertonia, hiperreflexia global e sinal de Babinski bilateral. Lab: Hb: 10,6 g/dL, Ht: 32 %, leucócitos: 6.950/mm³ ( segmentados: 82%, bastões 4%), plaquetas: 263.000/mm³. ureia: 120mg/dL, creatinina: 2,3mg/dL. TTPA com relação de 2,3, INR: >10, TGO: 32, TGP: 25, BT: 0,6, Albumina: 2,8. Urina I - 232.000 leucócitos, 80.000 hemácias, presença de leveduras, proteínas +/4+. Foi solicitada uma tomografia de crânio que evidenciou sangramento de lesão de provável etiologia secundária neoplásica. A paciente evoluiu com PCR e óbito e o médico que assistia a paciente chamou os familiares para comunicar o óbito. O mesmo, explicou toda a condição clínica prévia da paciente, enfocando como as múltiplas comorbidades podem ter contribuído para o quadro agudo atual de maneira clara e com linguagem acessível a todos. Após esta explicação foi informado o óbito da paciente de forma empática e explicado os procedimentos subsequentes para liberação do corpo. Uma das irmãs da paciente, muito idosa, sentiu-se mal ao receber a notícia evoluindo com queda da própria altura, intercorrência que foi atendida de imediato pelo médico. Considerando a faixa de anticoagulação adequada, medida dois meses antes do quadro, qual das alternativas, a seguir, é a melhor explicação para a intoxicação cumarínica atual?
Questão
RJ - Hospital Nacional do Câncer - INCA
2018
Residência (Acesso Direto)
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4000074371
A
Varfarina + amiodarona pelo aumento do INR observado nessa interação.
B
Varfarina e Fluconazol, pela metabolização hepática e diminuição da biodisponibilidade da Varfarina.
C
Varfarina e AAS pela dupla inibição do sistema de ambas as vias de hemostasia.
D
Varfarina e Fluconazol, pelo aumento do INR devido à metabolização hepática de ambas as drogas.