Acompanhar todas as novas diretrizes clínicas, mudanças em protocolos terapêuticos e atualizações de campanhas de saúde pública pode ser um verdadeiro desafio na rotina médica. Pensando em facilitar esse processo, o Estratégia MED reuniu neste texto as principais atualizações da Medicina de 2026 — tudo o que você precisa saber para estar em dia com as novidades, seja para se preparar para provas ou aprimorar sua prática profissional! Siga no texto e confira.
Tratamento da Diverticulite Aguda Não Complicada
O JAMA (Journal of the American Medical Association) publicou em julho de 2025 uma revisão sistemática de 85 estudos sobre diverticulite aguda, atualizando o manejo da forma não complicada.
O padrão anterior era antibióticos orais + dieta sem resíduos, ambulatorial, porém, evidências mostraram equivalência com o tratamento sem antibióticos, sem aumento de falhas ou cirurgias.
Agora, a nova conduta de 1ª linha é ambulatorial sem antibióticos + dieta líquida clara (progredir com melhora), analgesia preferencialmente com paracetamol, hidratação por via oral e reavaliação em 3 dias/semana. Antibióticos orais ficam reservados para piora ou riscos (febre persistente, leucocitose importante, PCR alta, idade >80 anos, imunossupressão, gestação e comorbidades relevantes como cirrose ou ICC).
Internação se dor intensa, vômitos, intolerância à dieta via oral, sepse e falha ambulatorial . Formas complicadas mantêm protocolo hospitalar com IV, drenagem ou cirurgia. Pós-tratamento: cessar tabagismo, iniciar atividade física, introdução de fibras na dieta (> 30 gramas), colonoscopia em 6-8 semanas para excluir neoplasias.
Confira mais detalhes do tratamento da diverticulite aguda não complicada no vídeo abaixo, com a aula ministrada pela professora Renatha Paiva:
Manejo da Anemia da Doença Renal Crônica
O KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) é a principal diretriz internacional para Nefrologia, atualizada em 2026 para o manejo da anemia em DRC avançada. Estabelece frequência de exames (anual em G3; a cada 6 meses em G4; 3 em 3 ou mensal em G5; mensal em hemodiálise) e metas conservadoras de hemoglobina (10-11,5 g/dL) para evitar trombose, AVC e infarto.
Ainda, novas nomenclaturas simplificam conceitos: “deficiência absoluta de ferro” passa a deficiência sistêmica (ferritina baixa <100 ng/mL em G1-G5 ou <200 em G5D + IST baixa <20%); “deficiência relativa” vira eritropoiese restrita por ferro (IST baixa <20% com ferritina normal > 100-200 ng/mL). Pacientes inflamados (alta hepcidina) se beneficiam de ferro mesmo com estoques “normais”, conforme estudo pivotal que mostrou redução de mortalidade, menor risco risco de eventos cardiovasculares graves e menos transfusões.
Confira mais detalhes da atualização no manejo da anemia da DRC no vídeo abaixo, com a aula ministrada pelo professor Rafael Siqueira:
R+ Clínica Médica: Atualização no Manejo da Anemia da Doença Renal Crônica
Novo Manejo da Osteoporose
O FRAX Brasil 2.0 é a versão atualizada da ferramenta brasileira para calcular risco de fratura em 10 anos, calibrada com dados locais. Diferente da 1.0 (que usava só colo femoral), agora inclui informações quanto a dose de glicocorticóide, discordância T-score lombar/femoral, diabetes tipo 2, fraturas prévias e histórico de quedas.
Com a pontuação obtida pelos fatores de risco, a ferramenta atualizada permite realizar o cálculo do risco de fraturas maiores a partir de dados simples, como idade, gênero e as devidas pontuações. O cálculo inclui o paciente em uma das três faixas presentes em gráfico: baixo risco, zona intermediária, alto risco e muito alto risco. A partir deste resultado, cada um terá a sua conduta específica, como disposto na tabela abaixo:
| Risco | Conduta |
|---|---|
| Muito Alto Risco | Formadores Ósseos / Anabólicos |
| Alto Risco | Antirreabsortivos |
| Zona Intermediária | Densitometria Óssea |
| Baixo Risco | Promoção de Saúde |
Ainda, outra grande atualização no manejo da Osteoporose traz quem seria o indivíduo de muito alto risco de fraturas. Em conjunto, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO) publicaram em consenso quais fatores devem ser levados em consideração, além do FRAX. São elas:
- Múltiplas fraturas de fragilidade;
- T-score ≤ – 2,5 + fratura de fragilidade (vértebra ou quadril, especialmente se há menos de 2 anos);
- Fratura de fragilidade + corticoterapia crônica (5 mg pred/d por ≥ 3 semanas);
- T-score ≤ -3 associado a uma destas: ≥ 65 anos, ≥ 2 quedas no último ano (alto risco de quedas), fratura de fragilidade prévia ou uso prolongado de glicocorticoides.
Confira essas e mais informações detalhadas da atualização no novo manejo da osteoporose no vídeo abaixo, com a aula ministrada pelo professor Ênio Macedo:
Novo Guideline e Tratamento do AVC Isquêmico – AHA/ASA 2026
O Guia de 2026 para o Manejo Inicial de Pacientes com AVC Isquêmico Agudo (AHA/ASA) traz as recomendações mais recentes baseadas em evidências, do pré-hospitalar ao tratamento agudo, complicações precoces e início de prevenção secundária.
Entre as informações, destaca-se a seção inédita para AVCi pediátrico, uso da tenecteplase na trombólise, elegibilidade ampliada para trombectomia mecânica, conceitos em relação ao tratamento do AVC minor/AIT de alto risco e um conceito relacionado ao estudo ELAN para anticoagulação precoce de pacientes.
Confira mais detalhes do Guideline AHA/ASA 2026 para AVC isquêmico no vídeo abaixo, com a aula ministrada pelo professor João Paulo Telles:
Mudança da Lista de Notificação Compulsória do SINAN
A Portaria 10.175/2026 trouxe uma novidade importante para a vigilância epidemiológica: anomalias congênitas agora entram na lista nacional de notificação compulsória do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), com envio semanal.
Na prática, isso significa que toda anomalia detectada em recém-nascido deve ser comunicada ao SINAN – além de já ser registrada na Declaração de Nascido Vivo (DNV), no campo das malformações, que vai para o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) desde 2018.
Assim, serão duas notificações corridas: uma pela DNV (com lista de mais de 100 condições pela CID-10, como tetralogia de Fallot ou fenda palatina) e outra direta pro SINAN.
Confira mais detalhes da mudança na lista de notificação compulsória do SINAN no vídeo abaixo, com a aula ministrada pela professora Bárbara D’Alegria:
Triagem Auditiva Neonatal
O novo guia da Triagem Auditiva Neonatal (teste da orelhinha) classifica fatores de risco em Tipo 1, com indicadores de risco associados a maior ocorrência de perdas auditivas cocleares, como infecções congênitas do grupo STORCH+Z, uso de medicação ototóxica, anomalias craniofaciais e hereditariedade; e Tipo 2, com indicadores associados às perdas auditivas retrococleares e com o ENA (espectro da neuropatia auditiva) — mas que também podem ocorrer perdas auditivas cocleares, como permanência em UTIN por mais de 4 dias, peso ao nascimento menos de <1.500g, hiperbilirrubinemia com exsanguineotransfusão. oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), ventilação mecânica por mais de cinco dias, anóxia grave, encefalopatia hipóxico-isquêmica e hemorragia peri-ventricular.
Ainda, a atualização traz como a triagem deve ser devidamente realizada nos primeiros dias de vida (24 a 48 horas) e como prosseguir a depender do resultado.
Confira mais detalhes da triagem auditiva neonatal no vídeo abaixo, com a aula ministrada pela professora Helena Schetinger Ávila:
Atualização TEP – Guideline AHA/ACC 2026
A nova diretriz AHA/ACC 2026 reformula completamente o manejo da embolia pulmonar (TEP), substituindo classificações antigas por um sistema prático, baseado no estado real do paciente. Duas aulas do Estratégia MED detalham as mudanças:o Prof. Juan explica o diagnóstico otimizado passo a passo, enquanto o Prof. Vinícius foca no tratamento por categoria e suporte avançado.
Confira mais detalhes da Guideline AHA/ACC 2026 nos vídeos abaixo, com as aulas ministradas pelos professores Vinícius de Luca e Juan Demolinari:
Nova Diretriz de Tromboembolismo Pulmonar
Atualização no Manejo da Embolia Pulmonar
Para continuar de olho nas atualizações que podem ser cobradas na sua prova, acompanhe o nosso canal do Youtube. Não deixe de conferir também o Portal de Notícias do Estratégia MED! Aqui, você encontrará mais conteúdos relevantes sobre a área médica, informações atualizadas para suas provas e editais para residências, carreira médica e muito mais.



