R+ Clínica Médica: Atualização no Manejo de Embolia Pulmoar – Guideline AHA/ACC 2026
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R+ Clínica Médica: Atualização no Manejo de Embolia Pulmoar – Guideline AHA/ACC 2026

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a Atualização no Manejo da Embolia Pulmonar segundo o Guideline AHA/ACC 2026, trazendo as principais mudanças na estratificação de risco, nas indicações de trombólise, anticoagulação e terapias intervencionistas. 

A embolia pulmonar segue como uma das principais emergências cardiovasculares, e o reconhecimento precoce aliado a uma abordagem baseada em evidências é fundamental para reduzir mortalidade e complicações.

O Estratégia MED está aqui para descomplicar as atualizações mais recentes e ajudar você a aplicar, na prática clínica, as recomendações atuais das principais diretrizes internacionais.

Vamos nessa!

Definição de Embolia Pulmonar

A embolia pulmonar (EP) aguda é uma doença caracterizada pela presença de um trombo alojado no sistema arterial pulmonar. Esse quadro frequentemente ocorre quando trombos venosos migram para a circulação pulmonar.

Fisiologicamente, a presença do trombo nas artérias pulmonares pode causar um aumento anormal do espaço morto alveolar. Além disso, a obstrução vascular gera uma sobrecarga de pressão e volume no ventrículo direito do coração, o que pode causar a dilatação e a diminuição da função desse ventrículo, resultando consequentemente na diminuição do enchimento do ventrículo esquerdo e na redução do débito cardíaco geral.

A condição apresenta um espectro clínico bastante amplo, sendo categorizada desde casos subclínicos e incidentais (AHA/ACC Categoria A), até estados graves de falência cardiopulmonar, choque cardiogênico refratário ou parada cardíaca (AHA/ACC Categoria E)

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Estratificação de risco da Embolia Pulmonar

A embolia pulmonar apresenta um amplo espectro clínico, que pode variar desde pacientes assintomáticos até aqueles com choque cardiogênico ou parada cardíaca. Por isso, a diretriz enfatiza que a avaliação de risco deve ser rápida, estruturada e precisa, pois é ela que orienta o prognóstico e a tomada de decisão terapêutica.

A estratificação de risco tem como objetivo identificar a probabilidade de desfechos adversos, como deterioração hemodinâmica e morte precoce, permitindo definir quem pode receber alta precoce, quem necessita hospitalização e quais pacientes devem ser monitorados intensivamente ou avaliados para terapias avançadas.

Componentes da estratificação de risco

  • Estado hemodinâmico: a presença de hipotensão persistente ou choque define o grupo de maior risco, associado à falência cardiopulmonar e necessidade de intervenção imediata. A instabilidade hemodinâmica permanece como o principal marcador de gravidade extrema na embolia pulmonar aguda.
  • Função do ventrículo direito: a disfunção ventricular direita é um dos principais indicadores prognósticos em pacientes normotensos. A avaliação pode ser feita por métodos de imagem, especialmente ecocardiografia, identificando dilatação do ventrículo direito, aumento da relação ventrículo direito ventrículo esquerdo e redução de parâmetros funcionais.
  • Biomarcadores cardíacos: a elevação de troponina e de peptídeos natriuréticos indica lesão miocárdica e sobrecarga do ventrículo direito. Esses achados estão associados a maior risco de deterioração clínica, mesmo na ausência de hipotensão.
  • Escore clínico de gravidade: ferramentas estruturadas combinam variáveis clínicas e laboratoriais para estimar mortalidade precoce e risco de complicações. Esses escores auxiliam na decisão entre manejo ambulatorial, hospitalização convencional ou monitorização mais intensiva.

Escores e ferramentas mencionados na diretriz

A diretriz destaca que a estratificação de risco na embolia pulmonar não deve se basear apenas na impressão clínica. Diversos escores e ferramentas estruturadas podem ser utilizados para estimar prognóstico, identificar risco de deterioração e orientar decisões como alta precoce, internação ou monitorização intensiva.

  • Simplified PESI: é um escore clínico voltado para estimar o risco de mortalidade em 30 dias. Ele utiliza variáveis clínicas objetivas e classifica o paciente em baixo ou alto risco. É especialmente útil para identificar pacientes que podem ser candidatos a manejo ambulatorial, quando associados a outros critérios favoráveis.
  • Bova score: é aplicado principalmente em pacientes normotensos. Ele avalia quatro variáveis: pressão arterial sistólica entre 90 e 100 mmHg, elevação de troponina, disfunção de ventrículo direito e frequência cardíaca elevada. A soma dos pontos permite classificar o paciente em estágios progressivos de risco, identificando aqueles com maior probabilidade de deterioração clínica apesar de não apresentarem hipotensão inicial.
  • Hestia criteria: não é um escore de mortalidade, mas sim um conjunto de perguntas clínicas objetivas que auxiliam na decisão sobre tratamento ambulatorial. Se todas as respostas forem negativas, o paciente pode ser considerado elegível para alta precoce. Caso haja qualquer critério positivo, recomenda-se hospitalização.
  • CPES score: combina múltiplos marcadores de gravidade, incluindo elevação de troponina, aumento de peptídeos natriuréticos, disfunção ventricular direita moderada ou grave, presença de trombo central importante, trombose venosa profunda associada e frequência cardíaca elevada. O objetivo é identificar risco de choque normotensivo, ou seja, deterioração hemodinâmica mesmo na ausência inicial de hipotensão.
  • Shock index: é uma medida simples calculada dividindo a frequência cardíaca pela pressão arterial sistólica. Valores mais elevados indicam maior risco, sendo uma ferramenta rápida para avaliar instabilidade circulatória.
  • NEWS e NEWS2: são escores baseados em parâmetros fisiológicos como frequência respiratória, saturação de oxigênio, temperatura, pressão arterial sistólica, frequência cardíaca, nível de consciência e necessidade de oxigênio suplementar. Esses escores ajudam a identificar pacientes com maior risco clínico global e possível deterioração.

Categorias clínicas da Embolia Pulmonar

A estratificação de risco culmina na inserção do paciente em uma das cinco categorias clínicas propostas pela diretriz. Os esquemas anteriores dividiam a embolia pulmonar em categorias amplas, geralmente três:

  • Baixo risco;
  • Risco intermediário;
  • Alto risco.

Essa classificação era centrada principalmente na estabilidade hemodinâmica. A presença de hipotensão persistente ou choque definia o grupo de maior risco. Pacientes normotensos eram classificados como baixo ou intermediário risco, dependendo da presença de disfunção de ventrículo direito e elevação de biomarcadores cardíacos.

Com o tempo, observou-se que pacientes dentro de uma mesma categoria apresentavam desfechos bastante distintos. Mesmo entre os normotensos, havia grande variação prognóstica. Isso evidenciou a necessidade de uma classificação mais refinada e clinicamente útil.

Nova classificação 2026: Acute Pulmonary Embolism Clinical Categories

A diretriz de 2026 propõe um novo sistema denominado Acute Pulmonary Embolism Clinical Categories. Esse modelo organiza a embolia pulmonar em cinco categorias progressivas, identificadas pelas letras A a E. 

A proposta é reconhecer a embolia pulmonar como um espectro clínico contínuo, que vai desde pacientes assintomáticos até aqueles com falência cardiopulmonar e hipotensão persistente.

O objetivo é aumentar a precisão da estratificação de risco, melhorar a avaliação prognóstica e alinhar cada categoria às decisões terapêuticas

CategoriaPerfil clínicoCaracterísticas principaisConduta geral sugerida
AAssintomáticoPaciente com embolia pulmonar confirmada, porém sem sintomas e sem sinais de instabilidadePode receber alta do pronto atendimento, sem necessidade de hospitalização, se não houver outras indicações clínicas
BSintomático de baixo riscoPresença de sintomas, mas com baixo escore de gravidade clínica e ausência de marcadores de maior riscoGeralmente elegível para alta hospitalar precoce
CSintomático com maior gravidadeEscore clínico elevado, podendo apresentar elevação de biomarcadores cardíacos e ou disfunção de ventrículo direitoDeve ser hospitalizado para monitorização e otimização terapêutica
DFalência cardiopulmonar incipienteSinais de deterioração clínica progressiva, com risco iminente de instabilidade hemodinâmicaNecessita hospitalização e vigilância intensiva
EFalência cardiopulmonar com hipotensão persistenteInstabilidade hemodinâmica estabelecida, com hipotensão persistente ou choqueRequer intervenção imediata e manejo intensivo

Vamos continuar esse assunto no próximo post! Não vá embora, fique um pouco mais e entenda mais sobre as atualizações da embolia pulmonar. Veja no link abaixo!

R+ Clínica Médica: Atualização no Manejo de Embolia Pulmonar – Guideline AHA/ACC 2026 – Parte 2

Referências

WRITING COMMITTEE MEMBERS; CREAGER, M. A.; BARNES, G. D.; GIRI, J.; MUKHERJEE, D.; JONES, W. S.; BURNETT, A. E.; CARMAN, T.; CASANEGRA, A. I.; CASTELLUCCI, L. A.; CLARK, S. M.; CUSHMAN, M.; DE WIT, K.; EAVES, J. M.; FANG, M. C.; GOLDBERG, J. B.; HENKIN, S.; JOHNSTON-COX, H.; KADAVATH, S.; KADIAN-DODOV, D.; KEELING, W. B.; KLEIN, A. J. P.; LI, J.; MCDANIEL, M. C.; MOORES, L. K.; PIAZZA, G.; PRENGER, K. S.; PUGLIESE, S. C.; RANADE, M.; ROSOVSKY, R. P.; RUSSO, F.; SECEMSKY, E. A.; SISTA, A. K.; TEFERA, L.; WEINBERG, I.; WESTAFER, L. M.; YOUNG, M. N. 2026 AHA/ACC/ACCP/ACEP/CHEST/SCAI/SHM/SIR/SVM/SVN Guideline for the Evaluation and Management of Acute Pulmonary Embolism in Adults: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Joint Committee on Clinical Practice Guidelines. Circulation, 19 fev. 2026. Ahead of print. DOI: 10.1161/CIR.0000000000001415. PMID: 41712677.

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