Resumo da rosácea: diagnóstico, tratamento e mais!

Resumo da rosácea: diagnóstico, tratamento e mais!

A rosácea é um distúrbio inflamatório crônico da pele, que pode gerar transtornos físicos e emocionais em quem é acometido. Confira os principais aspectos referentes à rosácea, que aparecem nos atendimentos e como são cobrados nas provas de residência médica!

Dicas do Estratégia para provas

Seu tempo é precioso e sabemos disso. Se for muito escasso neste momento, veja abaixo os principais tópicos referentes à rosácea.

  • Ocorre principalmente em adultos com idade superior a 30 anos, com predomínio em mulheres.
  • Fenótipos que definem diagnóstico incluem eritema centrofacial e alterações fimatosas.
  • Critérios diagnósticos maiores incluem presença dos flushings, pápulas ou pústulas, teleangiectasias e alterações oculares. 
  • Cuidados gerais incluem evitar fatores desencadeantes de crises e hidratação da pele. 
  • Para casos leves a moderados a terapia tópica está indicada. Para casos graves, antibioticoterapia ou isotretinoína sistêmica podem ser necessários. 

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Definição da doença

A rosácea é um distúrbio dermatológico e inflamatório crônico, envolvendo alteração imunológica e desregulação neurovascular, com uma variedade de manifestações clínicas que afetam principalmente a face, os quais podem comprometer significativamente a qualidade de vida de seus portadores. 

Epidemiologia e fisiopatologia da rosácea

A maioria dos relatos epidemiológicos é europeu e americano, com uma uma distribuição mundial que varia de 2 a 22%, com média de 10% da população. A rosácea ocorre principalmente em adultos com idade superior a 30 anos, com predomínio em mulheres. 

Predomina em populações de fototipos baixos e mais suscetíveis a queimaduras solares (pessoas com cor de pele clara), ainda que estudos demonstram possibilidade de afetar diferentes etnias. 

No Brasil não há relatos sobre a doença que apoiem nossa heterogeneidade populacional. Estudos demonstraram faixa entre 40−50 anos e o predomínio feminino, além da ancestralidade europeia, na maioria dos casos. 

A patogênese da rosácea não é completamente conhecida. Está associada a anormalidades no sistema imune inato, reações inflamatórias a microrganismos cutâneos, exposição à radiação ultravioleta, hiperreatividade vascular, além de predisposição genética. 

A perda da integridade da barreira cutânea contribuiu para ativação do sistema imunológico inato e em pacientes com rosácea é observado aumento na perda de água transepidérmica e pH mais alcalino. Múltiplos tipos celulares foram implicados na promoção da rosácea, incluindo queratinócitos, mastócitos, neurônios, células endoteliais, macrófagos, fibroblastos e células Th1 / Th17. 

As crises agudas das lesões podem ser estimulados por calor, frio, álcool, alimentos picantes e produtos químicos, o que é atribuído a desregulação neurovascular presentes em pacientes com a doença. Os receptores vaniloides e da anquirina, presentes nos tecidos neuronais, no endotélio e nos queratinócitos, podem liberar neuropeptídeos importantes no desenvolvimento dessas crises. 

Manifestações clínicas e diagnóstico da rosácea 

Em 2002, a NRS elaborou uma classificação, revisada em 2004, que classificou a rosácea em quatro subtipos: 1) eritêmato‐telangiectásica; 2) papulopustulosa; 3) fimatosa; e 4) ocular. 

No entanto, os consensos atuais sobre rosácea, incluindo o painel Rosacea Consensus (ROSCO), apoia o uso de uma abordagem baseada em fenótipo em vez de uma abordagem baseada em subtipo, para o diagnóstico e classificação da rosácea. A abordagem baseada no fenótipo divide as características clínicas da rosácea em características/fenótipos diagnósticos, principais e secundários (ou menores). 

Fenótipos diagnósticos

O eritema centrofacial manifesta-se como eritema crônico do nariz e bochechas mediais. Em pacientes com fototipos de pele Fitzpatrick I a IV, essa é a apresentação mais frequente da rosácea. Outros locais do corpo são envolvidos em menor frequência.

Eritema centrofacial. Crédito: Uptodate

Nas novas classificações, alteração fimatosa também é um achado patognomônico da rosácea, caracterizando-se por extensa hiperplasia difusa das glândulas sebáceas, resultando em marcada oleosidade, aumento e ramificação dos orifícios foliculares e espessamento da pele, cuja superfície apresenta massas nodulares e irregulares. Acomete principalmente a região nasal. 

Alterações fimatosas no nariz. Crédito: Uptodate.

Critérios diagnósticos principais

Flushing: Consiste em eritema difuso, que ocorre em surtos de duração e frequência variáveis, intensificando a vermelhidão centrofacial. Os pacientes experimentam uma sensação de calor na pele que pode ser acompanhada de vermelhidão facial, sudorese ou edema facial sutil e transitório.

Pápulas e pústulas: são pápulas são eritematosas, dispostas predominantemente na região centrofacial, algumas maiores e mais profundas, acompanhadas ou não por pústulas. A associação com eritema e edema de graus variáveis é comum. Comedões, quando presentes, sinalizam concomitância de acne não relacionada à rosácea, e auxiliam no diagnóstico diferencial. 

Telangiectasias: As telangiectasias são vasos sanguíneos cutâneos visíveis, aumentados. As telangiectasias localizam-se predominantemente na face central, especialmente nas bochechas, e podem ser difíceis de visualizar em pacientes com pele altamente pigmentada.

Características oculares: O envolvimento ocular é comum na rosácea e pode seguir, preceder ou ocorrer concomitantemente com a doença cutânea. Os sintomas associados incluem lacrimejamento, vermelhidão, sensação de corpo estranho, queimação, coceira, fotofobia e visão turva. Achados físicos prontamente aparentes podem incluir edema e/ou eritema palpebral, hordéolo recorrente ou calázio e crostas ao longo da linha dos cílios.

A- alterações fimatosas. B- Pápulas e pústulas. C- rosácea ocular, em que blefarite mínima e um calázio na parte inferior da pálpebra pode ser vista. D-após um procedimento eletrocirúrgico; poros proeminentes ainda são visíveis. Crédito: NEJM, 2017. 

Critérios fenotípicos secundários

Nas classificações do ROSCO as manifestações dermatológicas fenotípicas secundárias incluem sensação de queimação, pinicação, ressecamento e edema.  

Tratamento da rosácea

O manejo da rosácea geralmente começa identificando potenciais fatores de exacerbação para ajudar os pacientes a melhorar seus mecanismos de enfrentamento. Dado o comprometimento da função de barreira da pele, os produtos cosméticos irritantes devem ser evitado. A luz ultravioleta é um gatilho bem conhecido para a rosácea, portanto, recomenda-se o uso diário de protetores solares

Como a inflamação compromete a função de barreira, aumenta a perda de água transepidérmica e deixa a pele seca e sensível, os hidratantes com função oclusiva e umectante devem ser aplicados, preferencialmente à noite, quando a recuperação da barreira epidérmica é mais lenta e a permeabilidade e a perda de água são mais elevadas.

Para pacientes com rosácea leve a moderada manifestando-se com pápulas e pústulas, os tratamentos tópicos são utilizados, como metronidazol, ácido azelaico, agonistas do receptor α‐1 adrenérgico (tartarato de brimonidina 0,5% em gel e oximetazolina 1% em creme) e ivermectina são a primeira escolha. Apesar de ainda não ser vendida no Brasil, a minociclina tópica em espuma a 4% também tem sido descrita mais recentemente. 

Casos mais graves se beneficiam de tratamento sistêmico associado ao tópico. As drogas de uso sistêmico são os antibióticos, especialmente do grupo das ciclinas (tetraciclina, doxiciclina e minociclina), metronidazol e isotretinoína.

Para pacientes que apresentam numerosas pápulas ou pústulas ou que têm doença mais leve que não melhora com agentes tópicos, pode ser utilizado tratamento com tetraciclina oral , doxiciclina ou minociclina por 4 a 12 semanas. Pacientes com pápulas ou pústulas refratárias podem se beneficiar do tratamento com isotretinoína oral. 

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Referências bibliográficas:

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