Olá, querido doutor e doutora! O cisto broncogênico é uma malformação congênita rara do trato respiratório, com ampla variabilidade clínica e apresentações que vão desde achados incidentais até quadros compressivos relevantes.
Embora muitos pacientes permaneçam assintomáticos por longos períodos, uma parcela significativa pode evoluir com sintomas respiratórios ou compressivos ao longo da vida.
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O que é o cisto broncogênico
O cisto broncogênico é uma malformação congênita do intestino anterior embrionário, resultante de alterações no desenvolvimento do sistema respiratório primitivo. Caracteriza-se pela formação de uma lesão cística geralmente preenchida por conteúdo líquido ou muco, revestida por epitélio respiratório ciliado.
Anatomia e classificação
Os cistos broncogênicos apresentam distribuição anatômica variável, refletindo o momento da alteração embriológica durante a formação da árvore traqueobrônquica. A localização mais comum é o mediastino médio, especialmente nas regiões paratraqueal, subcarinal e hilar.
Também podem ocorrer no parênquima pulmonar, com predomínio nos lobos inferiores, geralmente acometendo um único lobo. Localizações menos frequentes incluem regiões cervicais, subcutâneas e, raramente, intra-abdominais.
Do ponto de vista classificatório, os cistos broncogênicos podem ser agrupados conforme a localização anatômica:
- Mediastinais, frequentemente associados a compressão de vias aéreas, esôfago ou estruturas vasculares;
- Pulmonares, que podem comunicar-se com o trato respiratório e apresentar conteúdo aéreo ou níveis hidroaéreos;
- Extratorácicos, incluindo formas cervicais e cutâneas, geralmente identificadas como massas de crescimento lento.
Anatomicamente, trata-se de lesões císticas uniloculares, de contornos regulares, revestidas por epitélio respiratório ciliado, podendo conter cartilagem, músculo liso e glândulas brônquicas em sua parede.
Epidemiologia e fatores de risco
O cisto broncogênico é uma anomalia congênita pouco frequente, observada tanto na infância quanto na idade adulta. Apesar de sua origem embrionária, muitos casos permanecem assintomáticos por longos períodos, sendo identificados incidentalmente em exames de imagem. Há predomínio no sexo masculino, mais evidente em séries pediátricas, e maior ocorrência em lesões localizadas no mediastino médio e no parênquima pulmonar.
Os fatores de risco estão relacionados principalmente a alterações no desenvolvimento embrionário do intestino anterior, durante a formação da árvore traqueobrônquica. O cisto broncogênico pode coexistir com outras malformações congênitas, como sequestro pulmonar, enfisema lobar congênito e defeitos diafragmáticos. Não há associação estabelecida com fatores ambientais, hábitos de vida ou exposições adquiridas, reforçando seu caráter congênito.
Fisiopatologia
Origem embrionária
O cisto broncogênico tem origem em uma alteração do intestino anterior embrionário, durante a diferenciação do broto respiratório. A separação anômala de tecido respiratório primitivo leva à formação de uma estrutura cística independente da árvore traqueobrônquica funcional.
Composição histológica
A parede do cisto é revestida por epitélio respiratório ciliado pseudoestratificado, podendo conter cartilagem, músculo liso e glândulas mucosas. Essa composição reflete sua origem brônquica e diferencia o cisto de outras lesões císticas torácicas.
Acúmulo de conteúdo intracístico
A produção contínua de secreção mucosa pelo epitélio respiratório favorece o acúmulo progressivo de líquido, que pode variar de seroso a mucoso ou proteináceo. Em casos de comunicação com vias aéreas ou infecção, pode haver presença de ar, níveis hidroaéreos ou material inflamatório.
Efeitos compressivos e complicações
O aumento do volume do cisto pode causar compressão de estruturas adjacentes, como traqueia, brônquios, esôfago e vasos mediastinais, resultando em sintomas respiratórios ou digestivos. Processos infecciosos, hemorragia intracística e inflamação local podem modificar a evolução clínica e os achados de imagem.
Avaliação clínica
O cisto broncogênico apresenta quadro clínico variável, dependente da idade do paciente, da localização anatômica, do tamanho da lesão e da presença de complicações associadas. Muitos pacientes permanecem assintomáticos por longos períodos, com diagnóstico realizado incidentalmente em exames de imagem.
Pacientes assintomáticos
Uma parcela significativa dos casos, sobretudo em adultos, é identificada sem manifestações clínicas. Nesses pacientes, o cisto costuma apresentar crescimento lento e ausência de sinais inflamatórios ou compressivos no momento do diagnóstico.
Manifestações respiratórias
Quando sintomático, o quadro clínico é dominado por sintomas respiratórios, especialmente nos cistos pulmonares ou mediastinais. Podem ocorrer tosse, dispneia, dor torácica, sibilância, infecções respiratórias de repetição, febre e expectoração, além de hemoptise em situações menos frequentes.
Sintomas compressivos
O aumento do volume do cisto pode gerar compressão de estruturas adjacentes, levando a disfagia por compressão esofágica, rouquidão por envolvimento do nervo laríngeo recorrente ou sinais de obstrução de vias aéreas centrais, sobretudo em crianças.
Apresentações atípicas
Cistos localizados em regiões cervicais ou subcutâneas podem manifestar-se como massa indolor de crescimento lento, ocasionalmente associada a sinais inflamatórios locais ou drenagem cutânea quando infectados. Em pediatria, quadros agudos com comprometimento respiratório podem ocorrer em lesões volumosas.
Diagnóstico
O diagnóstico do cisto broncogênico baseia-se principalmente na avaliação por métodos de imagem, associados à correlação clínica. A confirmação definitiva pode ser obtida por exame anatomopatológico após ressecção cirúrgica, embora nem sempre seja necessária quando os achados radiológicos são característicos.
Avaliação clínica inicial
A suspeita diagnóstica surge diante de sintomas respiratórios inespecíficos ou como achado incidental em exames de imagem. A anamnese deve considerar história de infecções respiratórias recorrentes, sintomas compressivos e presença de malformações congênitas associadas.
Radiografia de tórax
A radiografia pode demonstrar lesão arredondada, bem delimitada, com densidade homogênea, localizada no mediastino ou no parênquima pulmonar. Em alguns casos, observam-se níveis hidroaéreos ou sinais indiretos de compressão pulmonar, como atelectasia.

Tomografia computadorizada
A tomografia computadorizada é o exame mais utilizado para caracterização da lesão, permitindo identificar massa cística de contornos regulares, avaliar densidade do conteúdo e definir a relação com estruturas adjacentes. O conteúdo pode apresentar densidade variável, conforme a presença de muco, material proteináceo, sangue ou infecção.
Ressonância magnética
A ressonância magnética é útil em situações específicas, especialmente para diferenciar o conteúdo intracístico. Geralmente, observa-se hipersinal em T2 e sinal variável em T1, sem realce após contraste, reforçando o caráter cístico da lesão.
Confirmação histopatológica
A confirmação diagnóstica é obtida pela análise histológica, que demonstra epitélio respiratório ciliado pseudoestratificado, frequentemente associado a cartilagem, músculo liso e glândulas mucosas. Procedimentos invasivos diagnósticos isolados são pouco utilizados, sendo a análise histológica mais comum após ressecção cirúrgica.
Tratamento e prognóstico
O manejo do cisto broncogênico é direcionado pela presença de sintomas, localização da lesão e risco de complicações, com abordagem predominantemente intervencionista.
Tratamento
A ressecção cirúrgica completa é a conduta mais adotada tanto em pacientes sintomáticos quanto assintomáticos, com objetivos diagnósticos e terapêuticos. A remoção precoce reduz a ocorrência de infecção, inflamação local, compressão de estruturas adjacentes e outras intercorrências tardias.
As técnicas cirúrgicas variam conforme a localização e complexidade da lesão, incluindo cirurgia torácica aberta ou abordagens minimamente invasivas, como a cirurgia videoassistida. Em situações de aderência a estruturas nobres, pode ser realizada ressecção subtotal associada a cauterização da mucosa remanescente, visando reduzir recorrência.
Métodos conservadores, como aspiração percutânea ou endobrônquica, são reservados para casos selecionados e demandam acompanhamento rigoroso, devido ao risco de recidiva e infecção.
Prognóstico
O prognóstico após exérese completa é geralmente favorável, com baixa taxa de recorrência e reduzida morbidade pós-operatória. A evolução clínica costuma ser satisfatória, especialmente quando o tratamento é realizado antes do surgimento de complicações.
Ressecções incompletas estão associadas a maior risco de recidiva, tanto precoce quanto tardia. Em casos não tratados, pode haver progressão com infecção, compressão de vias aéreas ou outras estruturas mediastinais, o que reforça a indicação de tratamento definitivo quando viável.
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Referências bibliográficas
- DYNAMED. Bronchogenic cyst. EBSCO Information Services, atualizado em 2025.



