Câncer de Pulmão: fatores de risco, tipos, sintomas, diagnóstico e mais!

Câncer de Pulmão: fatores de risco, tipos, sintomas, diagnóstico e mais!

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O que é Câncer de Pulmão?

Câncer de pulmão é um grupo de doenças que abrange diversas neoplasias pulmonares, podendo ter diferentes manifestações, tratamentos e prognósticos. É o tipo de neoplasia mais prevalente em homens e é o câncer que mais mata no mundo todo, sendo responsável por quase 20% dos óbitos por câncer.

Os dados no Brasil também são expressivos e, segundo o INCA, em 2014 a estimativa foi de mais de 16.000 casos novos.

Fatores de risco

O principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pulmão, certamente, é o hábito tabágico, responsável por mais de 80% de todos os casos de manifestação da doença. Além disso, outros fatores de risco que estão frequentemente associados são:

  • Fibroses pulmonares;
  • Variações na concentração de vitamina A;
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
  • Inalação de substâncias como asbestos e metais, o que ocorre em trabalhadores que atuam na mineração, por exemplo;
  • Exposição a substâncias como radônio, benzopireno, urânio e sílica;
  • Ativação do oncogene ras;
  • Infecções pulmonares de repetição;
  • Ingestão reduzida de vegetais e frutas;
  • Irradiação prévia do tórax;
  • Concentração de radicais livres;
  • Fumo passivo, quando um não fumante inala a fumaça do cigarro de terceiros; e
  • Fatores genéticos, já que a hereditariedade é descrita como importante fator de risco, sendo uma doença que apresenta recorrência familiar.

Tipos

Existem variadas manifestações clínicas e fisiopatológicas desse câncer, a Organização Mundial da Saúde propôs, em 1998, uma classificação resumida das neoplasias de pulmão. Os principais tipos são:

Carcinoma epidermóide

Também chamado de carcinoma de células escamosas é o tipo mais fortemente associado ao tabagismo. Sua localização é, preferencialmente, central já que em 75% dos casos há acometimento dos brônquios hilares. É um tipo mais comum no sexo masculino.

Apresenta bom prognóstico, com crescimento lento, disseminação por via hematogênica bastante tardia e metástase possível para a cadeia linfonodal regional. Normalmente, se apresenta como carcinoma in situ sendo considerado pouco invasivo. Em alguns casos pode haver obstrução da luz por conta do espessamento da mucosa.

Adenocarcinoma

Sua manifestação é vista mais frequentemente em mulheres e a relação causal com o fumo é menos relevante, já que é o tipo de câncer de pulmão mais comum em pacientes não fumantes. O aparecimento dos adenocarcinomas costuma ser de padrão periférico, inclusive com possibilidade de retração pleural e está associado com cicatrizes prévias no pulmão. Sua origem se dá a partir de pneumócitos do tipo ll ou a partir de células de Clara.

Na histopatologia ele apresenta padrão maligno e pode ser subdividido nas seguintes classificações:

  • Acinar, que cursa com proliferação glandular;
  • Lepídico, que apresenta o melhor prognóstico e, normalmente manifesta-se como carcinoma in situ. Quando a invasão não supera os 5mm, é considerado minimamente invasivo;
  • Papilífero, que apresenta papilas com eixos conjuntivos; e
  • Sólido, com prognóstico bastante reservado.

Carcinoma de grandes células

É a apresentação de câncer de pulmão mais rara, com aproximadamente 1,3% dos casos apenas. Seu diagnóstico é feito por exclusão, já que a histoarquitetura não é semelhante a de nenhum outro tipo e não possui marcadores específicos para sua visualização. É altamente agressivo e, normalmente, apresenta evolução rápida para desfecho desfavorável.

Carcinoma de pequenas células

Sua apresentação se dá predominantemente em homens, fumantes e com localização central. Faz parte dos tumores neuroendócrinos e apresenta prognóstico muito reservado sendo, portanto, uma neoplasia bastante agressiva. Pode apresentar metástases hematogênicas principalmente para cérebro, adrenal e medula óssea. Também pode ser chamado de carcinoma indiferenciado de pequenas células ou carcinoma em ‘grãos de aveia’ já que, na microscopia, as células estão pouco coesas. A oclusão da luz do brônquio é comum, causando comprometimento parenquimatoso.

Por conta de ser uma neoplasia neuroendócrina, é capaz de produzir e secretar diversos hormônios, o que pode desencadear manifestações paraneoplásicas.

Vale ressaltar que há uma classificação que divide os cânceres de pulmão entre pequenas células e não pequenas células, categoria esta que abriga adenocarcinoma, carcinoma de grandes células e carcinoma epidermóide. 

Quais são os sintomas de câncer no pulmão?

A apresentação clínica das neoplasias de pulmão é variada e pouco específica, quase 20% dos doentes são assintomáticos e o restante normalmente só mostra sinais quando o câncer já se encontra em estágios avançados. Os principais sintomas são:

  • Tosse, presente em 75% dos pacientes;
  • Hemoptise, presente em 30% dos pacientes. É o sinal clínico que mais frequentemente leva o paciente a procurar ajuda médica;
  • Perda de peso, com manifestação tardia;
  • Dor torácica;
  • Queixa de cansaço ou fraqueza;
  • Bronquite;
  • Astenia;
  • Pneumonia recorrente;
  • Síndrome da veia cava superior;
  • Dispneia; e
  • Perda de apetite.

As metástases também podem apresentar sintomas como dor ou manifestações paraneoplásicas, no caso de carcinoma de pequenas células, cursando com osteoartrite, baqueteamento digital e hipercalcemia.

O tumor de Pancost localiza-se no ápice do pulmão e possui sintomas bastante característicos que podem ser de origem neurológica como miose, anidrose, ptose, síndrome de Horner, fraquza ou dor nos membros superiores e rouquidão.

Como diagnosticar o câncer de pulmão?

O diagnóstico do câncer de pulmão deve ser feito o mais precocemente possível e pode ser realizado, principalmente, por exames de imagem. O raio-x de tórax é o primeiro exame indicado e apresenta boa sensibilidade para tumores maiores do que 2 cm. A tomografia computadorizada é o exame padrão-ouro e deve ser indicada principalmente para pacientes que apresentam maior risco de manifestação da neoplasia e para avaliar a evolução do doente.

Diante do diagnóstico de câncer de pulmão, o próximo passo é avaliar e classificar o estadiamento, o que irá determinar a abordagem terapêutica do paciente. Para isso, a Sociedade Fleischner recomenda que biópsias e o exame de PET-CT sejam realizados apenas para tumores maiores do que 1 cm. Outros exames podem ser utilizados para a visualização de possíveis metástases, como o caso da cintilografia óssea. Além disso, a mediastinoscopia, a ecobroncoscopia, a broncoscopia e a ressonância magnética, podem ajudar.

O estadiamento do câncer de pulmão é feito, normalmente, pela classificação TNM que pode variar de l, com melhor prognóstico, até lV, quando o quadro apresenta prognóstico reservado e já é possível visualizar foco de metástase.

Screening do câncer de pulmão

A US Preventive Services Task Force, ou USPSTF, atualizou em 2021 a recomendação para a realização do screening do câncer de pulmão. A tomografia computadorizada de baixa dose segue sendo o principal exame indicado e os pacientes que devem ser submetidos à procura são os adultos entre 50 e 80 anos, com histórico de tabagismo 20 maços/ano. Mesmo pacientes que pararam de fumar nos últimos 15 anos, também devem passar pelo screening.

Assim, o rastreamento deve ser interrompido em pacientes que já pararam de fumar há mais de 15 anos e em pacientes que desenvolveram quadros com redução significativa da expectativa de vida ou que não possam ser submetidos à possível cirurgia pulmonar de caráter curativo.

Prevenção

A prevenção do câncer de pulmão é relevante, principalmente por sua alta prevalência e morbimortalidade. Sem dúvida, a medida profilática mais importante é parar de fumar. Além disso, a diminuição da exposição a fatores de risco ajuda na prevenção da doença. Vale ressaltar que, nesse contexto, o tabagismo passivo também deve ser evitado, já que ele vem sendo cada vez mais associado a manifestação do câncer de pulmão, assim como a poluição atmosférica.

Tratamento

O tratamento varia de acordo com o tipo de câncer de pulmão e seu estadiamento. Para a neoplasia pulmonar de pequenas células, com prognóstico muito reservado, o mais indicado é tratamento com quimioterapia e radioterapia, muitas vezes, a abordagem passa a ter caráter paliativo, o que deve ser explicado e conversado com o doente. Quando está presente a doença extensa, a sobrevida é estimada em menos de 1 ano.

Para os cânceres de pulmão não pequenas células, o tratamento varia conforme o estadiamento:

  • Estádio l: quando o tumor recebe classificação N0 por não haver comprometimento linfonodal, a opção de tratamento mais indicada é a cirurgia. Vale ressaltar que é um procedimento bastante invasivo e deve ser estudado com cuidado no pré-operatório, levando em conta outras características do paciente;
  • Estádio ll: com classificação N1, há comprometimento linfonodal dentro da pleura. O tratamento é variável, mas a cirurgia, quando possível, é a intervenção mais recomendada. Para alguns pacientes, a associação de quimioterapia com radioterapia no pós-operatório pode ser indicada;
  • Estádio llla: com classificação N2 e comprometimento linfonodal do mediastino ipsilateral. A abordagem mais indicada é cirurgia junto a quimioterapia e radioterapia; e
  • Estádio lllb ou IV: quando há comprometimento linfonodal no mediastino contralateral, N3, ou metástase, M1. A cirurgia deixa de ser a principal indicação de tratamento, quando a abordagem é, preferencialmente, feita com quimioterapia e radioterapia. Para alguns casos, o tratamento neoadjuvante pode ser realizado.

A intervenção cirúrgica pode ser feita por nodulonectomia, segmentectomia, lobectomia ou até pneumonectomia sempre com esvaziamento ganglionar.

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