Resumo de fratura de fêmur proximal: diagnóstico, tratamento e mais!

Resumo de fratura de fêmur proximal: diagnóstico, tratamento e mais!

A fratura de fêmur proximal (FP) é a fratura mais comum dos membros inferiores, agregando morbimortalidade importante, principalmente nos idosos, podendo ser geradas por mecanismo de alta energia ou por estresse secundário a osteoporose.  

Confira agora os principais aspectos referentes a esta condição da ortotraumatologia, que aparecem nos atendimentos e como podem ser cobrados nas provas de residência médica!

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Seu tempo é precioso e sabemos disso. Se for muito escasso neste momento, veja abaixo os principais tópicos referentes à fratura de fêmur.

  • A fratura do FP se refere àquelas que acometem cabeça e colo femoral e região trocantérica. 
  • Este tipo de fratura é mais comum entre os idosos com osteoporose após queda da própria altura. 
  • Este tipo de fratura em idosos está associado à alta morbimortalidade 
  • O diagnóstico é confirmado através de radiografias simples do quadril com visão ântero-posterior (AP). 
  • O tratamento cirúrgico depende da localização, funcionalidade prévia e tipo da fratura, mas quase sempre é indicada. 
  • Sempre deve ser realizada profilaxia para TEV e, nos idosos com fratura por estresse, tratamento para osteoporose

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Definição da doença

A fratura do fêmur proximal (FP) se refere à cabeça e colo femoral e região trocantérica. Junto com as fraturas de acetábulo, está englobada dentro das fraturas de quadril. Outras fraturas que acometem o fêmur envolvem a porção diafisária e distal, mas são menos comuns.

A fratura de FP pode ser dividida em intra e extracapsular, sendo a primeira identificada como as do colo do fêmur, enquanto as fraturas extracapsulares envolvem fraturas transtrocantéricas, sendo a intertrocantérica a mais comum.    

Divisão anatômica do fêmur. Crédito: Uptodate.

Epidemiologia das fraturas proximais de fêmur

A fratura de fêmur proximal é a mais comum entre os idosos. O aumento na incidência deste tipo de fratura está associado ao envelhecimento da população, pois aumenta o potencial de queda e a incidência de fraturas de quadril. 

As fraturas agregam bastante morbimortalidade, sendo que a taxa de mortalidade associada à fratura de FP em idosos é de até 37%  após um ano e 1 a cada 15 idosos internados por fraturas de quadril morrem no hospital.

Classificação geral e mecanismo de trauma

De acordo com a Classificação Müller AO, as fraturas do fêmur proximal são divididas em três tipos:

  • Extracapsulares: Trocantéricas, transtrocantéricas e subtrocantéricasfraturas do trocanter femoral
  • lntracapsulares, fraturas do colo femoral
  • lntracapsulares, fraturas da cabeça femoral
Tipos de fraturas proximais de fêmur. Crédito: Adaptado do Manual AO. 

As fraturas intracapsulares apresentam taxas mais altas de pseudoartrose, consolidação viciosa e necrose avascular da cabeça do fêmur porque o suprimento sanguíneo é mais facilmente interrompido.

Fraturas de colo femoral 

As fraturas de colo de fêmur podem ser divididas anatomicamente em intracapsular (subcapital e transcervical) ou extracapsular (basocervical). As intracapsulares ficam dentro da cápsula articular, o que afeta adversamente o suprimento sanguíneo da cabeça femoral. Geralmente causa dor significativa na virilha e a perna pode parecer rodada externamente e encurtada. Normalmente, há poucos hematomas. 

A classificação mais utilizada é a de GARDEN, que se baseia no desvio dos fragmentos em quatro grupos: não deslocadas ou estáveis (GARDEN 1 e 2 ) e deslocadas ou instáveis (GARDEN 3 e 4 ).

Classificação de Garden. Crédito: Garden RS. J Bone Joint Surg Br 1964. 

Fraturas de cabeça femoral 

A fratura de cabeça de fêmur é bem menos frequente quando comparada às outras fraturas de FP, mais comuns em jovens e por mecanismo de alta energia. Frequentemente é associada com luxação traumática da articulação do quadril, além de fraturas de acetábulo e colo femoral, por este motivo, o quadro clínico é variado. É classificada por Pipkin em: 

  • Tipo I, fratura da cabeça do fêmur inferior à fóvea central. 
  • Tipo II, fratura estendida superiormente à fóvea central. 
  • Tipo III, qualquer fratura da cabeça do fêmur com fratura associada do colo do fêmur. 
  • Tipo IV, qualquer fratura da cabeça femoral com fratura acetabular associada.
Classificação Pipkin. Crédito: Researchgate.

Fraturas trocantéricas 

A fratura trocantérica pode ser isolada quando localizada na região do trocânter maior ou trocânter menor ou ser transtrocantérica. Enquanto as transtrocantéricas ocorrem predominantemente em pacientes idosos com osteoporose, as fraturas trocantéricas isoladas geralmente resultam da contração muscular vigorosa de um membro fixo e ocorrem com mais frequência em adultos jovens e ativos. 

Por definição são extracapsulares e a vascularização da cabeça femoral é raramente comprometida. A região intertrocantérica contém grande quantidade de osso esponjoso com bom suprimento sanguíneo e geralmente cicatrizam bem quando reparadas adequadamente. 

Crédito: Uptodate.

Em adultos mais velhos com fraturas transtrocantéricas geralmente descrevem dor no quadril, inchaço e equimoses importantes podem estar presentes, dependendo do tempo decorrido desde a lesão. A perna lesionada pode ser encurtada e rotacionada externamente se a fratura for deslocada. 

Diagnóstico das fraturas de fêmur proximal

O diagnóstico é confirmado através de radiografias simples do quadril com visão ântero-posterior (AP). A visão em perfil é para casos selecionados em que a radiografia em AP não foi conclusiva, visto que a mobilidade do paciente está reduzida. Com ajuda de um auxiliar, pode-se também realizar uma leve tração com rotação interna máxima. 

Se as radiografias simples não forem reveladoras, mas a dor for significativa ou a suspeita clínica for alta, a ressonância magnética é o melhor estudo para determinar se existe uma fratura oculta. 

Fratura de cabeça de fêmur Pipkin 1. Crédito: Guimarães, Rodrigo Pereira et al. 2010. 
Fratura de colo de fêmur sem desvio. Crédito: Uptodate.
Fratura transtrocantérica. Crédito: Uptodate.

Visão geral do tratamento

O tratamento definitivo deve ser realizado, quando possível, dentro de 48 horas após a fratura para melhorar o prognóstico. Deve ser realizado profilaxia para tromboembolismo venoso de maneira química com anticoagulantes ou mecânica com meias compressivas. Nos idosos com fraturas por queda ou estresse ósseo, também está indicado tratamento da osteoporose com reposição de vitamina D, cálcio e bifosfonatos. 

Nas fraturas de cabeça de fêmur é realizada redução da luxação de quadril com tratamento cirúgico ou conservador, que visa o correto alinhamento e congruência articular. 

As fraturas do colo do fêmur são tratadas de forma cirúrgica em todos os pacientes. Quando não há desvio ou é incompleta (Garden 1 e 2), a osteossíntese com parafusos canulados pode ser realizada. Nas fraturas com desvio (Garden 3 ou 4) é realizada artroplastia total ou parcial. 

Para as fraturas transtrocantéricas, o manejo conservador com bom controle da dor pode ser a melhor abordagem para o paciente que não deambula previamente. Já para pacientes funcionais o tratamento cirúrgico é a melhor opção, comumente com colocação de parafuso deslizante ou parafuso de quadril intramedular.  

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Veja também:

Referências bibliográficas:

  • Labronici PJ, Santos FC, Diamantino YLO, Loureiro E, Ezequiel MCDG, Alves SD. Fratura proximal do fêmur e lesão vascular em adultos – Relato de caso. Rev Bras Ortop. 2019;54(3):343-6.
  • Lustosa LP, Bastos EO. Proximal fracture of the femur on the elderly: what’s the best treatment? Acta Ortop Bras. [online]. 2009.
  • Overview of common hip fractures in adults. Uptodate. 
  • Rüedi, Thomas P. Princípios AO do tratamento de fraturas/ Thomas P. Rüedi, Richard E. Buckley, Christopher G. Moran; tradução Jacques Vissoky. – 2. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2009. 
  • Crédito da imagem em destaque: Pixabay
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