Resumo sobre Farmacodermias: definição, manifestações clínicas e mais!
Fonte: Magnific

Resumo sobre Farmacodermias: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é as Farmacodermias, reações adversas a medicamentos que se manifestam principalmente na pele e nas mucosas, com apresentações clínicas variadas, desde exantemas leves até formas graves e potencialmente fatais, como a síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica.

O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.

Vamos nessa!

Definição de Farmacodermias

Farmacodermias são reações adversas cutâneas desencadeadas pela administração sistêmica de medicamentos, caracterizadas pelo surgimento de manifestações na pele e, em alguns casos, em mucosas. 

Essas reações apresentam grande diversidade clínica, variando desde erupções eritematosas leves e autolimitadas até formas graves e potencialmente fatais, como a necrólise epidérmica tóxica (síndrome de Lyell). 

Por constituírem um grupo heterogêneo de doenças, geralmente não apresentam características clínicas específicas que permitam identificar imediatamente o medicamento responsável, tornando fundamental a investigação cuidadosa da relação temporal entre o uso do fármaco e o aparecimento das lesões, bem como a identificação do agente causador para orientar o tratamento e prevenir novas exposições.

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Epidemiologia das Farmacodermias

As farmacodermias representam um importante problema de saúde pública devido à sua elevada frequência e ao potencial de causar morbidade e mortalidade. Estima-se que cerca de 10% dos pacientes hospitalizados desenvolvam algum tipo de reação cutânea relacionada ao uso de medicamentos, enquanto sua incidência varia entre 1% e 3% entre indivíduos que utilizam múltiplos fármacos.

Embora a maioria dos casos apresente evolução benigna e autolimitada, aproximadamente 2% das farmacodermias correspondem a formas graves, com risco significativo de sequelas permanentes e óbito.

Etiologia das Farmacodermias

As farmacodermias podem ser desencadeadas por praticamente qualquer medicamento de uso sistêmico, embora algumas classes farmacológicas apresentem maior potencial para causar reações cutâneas. 

Entre os principais agentes envolvidos destacam-se os antibióticos, anticonvulsivantes, antineoplásicos, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), alopurinol e meios de contraste radiológico. Os antibióticos e os fármacos antiepilépticos estão entre os medicamentos mais frequentemente associados a essas reações, apresentando complicações tóxicas em aproximadamente 1% a 5% dos tratamentos.

Fisiopatologia das Farmacodermias

A fisiopatologia das farmacodermias é complexa e envolve diferentes mecanismos biológicos. De maneira geral, as reações adversas a medicamentos podem ser classificadas em não imunológicas e imunológicas.

As reações não imunológicas correspondem à maioria dos casos (75% a 80%) e decorrem de efeitos previsíveis relacionados às propriedades farmacológicas do medicamento, como toxicidade dependente da dose, interações medicamentosas ou alterações metabólicas.

Já as reações imunológicas representam aproximadamente 5% a 10% de todas as reações adversas medicamentosas e fazem parte do grupo das reações imprevisíveis. Elas são mediadas pelo sistema imunológico e podem ocorrer por mecanismos de hipersensibilidade imediata, geralmente mediada por anticorpos IgE, ou por mecanismos tardios mediados por linfócitos T. Essa diversidade de mecanismos explica a ampla variedade de apresentações clínicas observadas nas farmacodermias.

Principais tipos de farmacodermias

As farmacodermias apresentam manifestações clínicas bastante variadas, desde erupções cutâneas benignas e autolimitadas até quadros graves, com comprometimento sistêmico e risco de morte. O reconhecimento do padrão clínico é essencial para o diagnóstico, suspensão do medicamento causador e início do tratamento adequado.

Exantema medicamentoso (erupção exantematosa ou morbiliforme)

O exantema medicamentoso é a forma mais frequente de farmacodermia, correspondendo a aproximadamente 40% de todas as reações cutâneas induzidas por medicamentos. Geralmente surge entre 1 dia e 3 semanas após o início do tratamento, embora possa ocorrer mais precocemente em pacientes previamente sensibilizados.

Clinicamente, caracteriza-se por máculas e pápulas eritematosas distribuídas de forma simétrica, sem acometimento das mucosas, lembrando um exantema viral. As lesões costumam iniciar no tronco ou em áreas submetidas à pressão e, posteriormente, disseminam-se para os membros.

Os principais medicamentos associados incluem:

  • Antibióticos, especialmente betalactâmicos e sulfonamidas;
  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs);
  • Anticonvulsivantes, como carbamazepina e hidantoínas;
  • Alopurinol.

Urticária medicamentosa e angioedema

A urticária induzida por medicamentos pode apresentar-se de duas formas principais: imediata ou tardia.

A urticária imediata manifesta-se geralmente entre 1 e 2 horas após a administração do medicamento e representa uma reação potencialmente grave, pois pode evoluir para anafilaxia. Nesses casos, o fármaco deve ser imediatamente suspenso.

Já a urticária tardia surge alguns dias após o início da medicação e, em muitos casos, está relacionada aos efeitos farmacológicos do medicamento, não constituindo necessariamente uma contraindicação absoluta para sua continuidade, dependendo da avaliação clínica.

O angioedema (edema de Quincke) pode ocorrer isoladamente ou associado à urticária, acometendo principalmente face, lábios, língua e vias aéreas superiores.

Eritema pigmentar fixo (EPF)

O eritema pigmentar fixo, também conhecido como erupção fixa por medicamento, caracteriza-se pelo aparecimento de uma ou mais lesões arredondadas ou ovais, de coloração vermelho-acastanhada, geralmente entre 24 horas e alguns dias após a administração do medicamento.

Uma característica marcante dessa farmacodermia é o reaparecimento das lesões exatamente nos mesmos locais quando ocorre nova exposição ao fármaco responsável. Em alguns casos, as máculas podem evoluir para placas associadas à formação de vesículas ou bolhas, deixando hiperpigmentação residual após a resolução.

Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e Necrólise Epidérmica Tóxica (NET)

A síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e a necrólise epidérmica tóxica (NET) representam as formas mais graves das farmacodermias e constituem um espectro contínuo da mesma doença.

A diferenciação entre elas baseia-se na extensão do descolamento epidérmico:

  • SSJ: comprometimento inferior a 10% da superfície corporal;
  • Síndrome de sobreposição SSJ/NET: acometimento entre 10% e 30%;
  • NET: comprometimento superior a 30% da superfície corporal.

As manifestações geralmente surgem cerca de 1 a 3 semanas após o início do medicamento causador.

Inicialmente, observa-se um exantema macular eritematoso ou purpúrico que rapidamente evolui para necrose epidérmica, formação de bolhas e extensas áreas de descolamento da pele. O acometimento costuma iniciar na face e disseminar-se simetricamente para o restante do corpo.

Dois achados clínicos são altamente sugestivos dessas condições:

  • Sinal de Nikolsky positivo, caracterizado pelo descolamento da epiderme mediante leve fricção;
  • Erosões dolorosas em duas ou mais mucosas, incluindo cavidade oral, conjuntivas, nariz, região genital ou anal.

Os pacientes frequentemente apresentam febre alta, intensa dor cutânea, desidratação, infecção secundária e comprometimento respiratório. A NET apresenta elevada mortalidade, estimada em cerca de 25%, exigindo tratamento hospitalar intensivo.

Síndrome DRESS

A síndrome DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms) é uma reação de hipersensibilidade grave caracterizada por acometimento cutâneo associado a manifestações sistêmicas.

Os sintomas surgem geralmente entre 2 e 6 semanas após o início do medicamento.

A manifestação cutânea mais comum consiste em um exantema maculopapular pruriginoso ou eritrodermia febril. Aproximadamente 30% dos pacientes apresentam edema facial importante.

O principal diferencial da síndrome DRESS é o comprometimento de órgãos internos, podendo ocorrer:

  • Hepatite;
  • Nefrite intersticial;
  • Pneumonite;
  • Miocardite;
  • Pancreatite.

Também são frequentes linfadenomegalias generalizadas, eosinofilia e quadro semelhante à mononucleose infecciosa. Entretanto, a eosinofilia pode estar ausente nas fases iniciais da doença.

Como as manifestações viscerais podem persistir por várias semanas após o desaparecimento das lesões cutâneas, pacientes com DRESS necessitam de hospitalização e acompanhamento prolongado.

Pustulose Exantemática Generalizada Aguda (PEGA/AGEP)

A pustulose exantemática generalizada aguda (PEGA), conhecida internacionalmente como AGEP, caracteriza-se pelo surgimento abrupto de numerosas pústulas estéreis sobre áreas extensas de eritema.

As lesões predominam nas grandes pregas corporais, como regiões axilares e inguinais, podendo posteriormente evoluir para descamação superficial. O acometimento de mucosas pode ocorrer, porém costuma ser discreto.

Na maioria dos casos, a doença inicia-se entre 24 horas e 4 dias após o uso do medicamento, sendo frequentemente desencadeada por:

  • Aminopenicilinas;
  • Macrolídeos;
  • Outros antibióticos.

Os principais sintomas são prurido, sensação de queimadura e febre. Embora a evolução geralmente seja favorável, com resolução em aproximadamente 10 dias após a suspensão do medicamento, a PEGA apresenta potencial para evolução grave, com mortalidade estimada em cerca de 5%.

O principal diagnóstico diferencial é a psoríase pustulosa generalizada, cuja diferenciação baseia-se na história clínica, evolução das lesões e achados histopatológicos.

Tratamento das Farmacodermias

A principal medida no tratamento das farmacodermias é a suspensão imediata do medicamento suspeito, sempre que possível, considerando a relação entre os riscos e os benefícios da interrupção do tratamento. Quando necessário, o fármaco deve ser substituído por uma alternativa terapêutica. Além disso, recomenda-se a notificação dos casos graves aos sistemas de farmacovigilância.

Na maioria dos casos, o tratamento é sintomático e inclui o uso de corticosteroides tópicos e anti-histamínicos orais para controle da inflamação e do prurido. Os corticosteroides sistêmicos, como a prednisona (0,5–1 mg/kg/dia), são frequentemente utilizados na prática clínica, embora sua eficácia não esteja bem estabelecida para todas as farmacodermias.

Indicações de hospitalização

A internação é indicada na presença de sinais de gravidade, como:

Sinais cutâneos

  • Comprometimento de mais de 60% da superfície corporal;
  • Eritema confluente;
  • Edema facial;
  • Dor cutânea intensa;
  • Púrpura palpável;
  • Necrose, bolhas ou descolamento da epiderme;
  • Sinal de Nikolsky positivo;
  • Erosões em mucosas;
  • Urticária extensa ou edema de língua.

Sinais sistêmicos

  • Febre alta;
  • Linfadenomegalia;
  • Artralgia ou artrite;
  • Dispneia;
  • Hipotensão.

Alterações laboratoriais

  • Eosinofilia >1.000 células/mm³;
  • Linfócitos atípicos;
  • Alterações das provas de função hepática.

O reconhecimento precoce dos casos graves e a suspensão imediata do medicamento responsável são fundamentais para reduzir a morbidade e a mortalidade associadas às farmacodermias.

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Referências

Al Aboud DM, Nessel TA, Hafsi W. Cutaneous Adverse Drug Reaction. [Updated 2023 Apr 10]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK533000/

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