Resumo sobre Granuloma Piogênico: definição, manifestações clínicas e mais!
Fonte: UpToDate

Resumo sobre Granuloma Piogênico: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é o granuloma piogênico, um tumor vascular benigno e bastante comum que surge tanto na pele quanto nas membranas mucosas. 

O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.

Vamos nessa!

Definição de granuloma piogênico

O granuloma piogênico é um tumor vascular benigno, comum e adquirido, que se manifesta tanto na pele quanto nas membranas mucosas. Embora o nome sugira uma origem infecciosa, o termo cientificamente mais preciso para essa condição é hemangioma capilar lobular, refletindo sua real natureza: uma proliferação de vasos capilares organizados em lóbulos dentro de um estroma fibromixoide.

Clinicamente, ele costuma se apresentar como uma pápula ou nódulo solitário, avermelhado e exofítico, que se destaca pelo seu crescimento extremamente rápido ao longo de dias ou semanas. Uma das características mais marcantes e que mais assusta os pacientes é a sua fragilidade, por ser uma lesão muito friável, ela tende a sangrar profusamente diante de traumas mínimos, sendo este o principal motivo que leva à busca por atendimento médico.

A condição pode surgir em qualquer idade e local, mas é frequentemente observada nas mãos, lábios e gengivas. Quando essas lesões aparecem na mucosa oral de mulheres grávidas, recebem a denominação de granuloma gravídico, ocorrendo com maior frequência no segundo ou terceiro trimestre de gestação.

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Etiologia de granuloma piogênico

A causa exata do granuloma piogênico ainda não é totalmente compreendida pela ciência, mas o que sabemos é que ele funciona como uma resposta reativa exagerada do organismo. O trauma local é um dos gatilhos mais clássicos, onde pequenos ferimentos ou agressões repetitivas na pele ou mucosa acabam desencadeando um processo de granulação reativa em cerca de 7% dos casos.

Os fatores hormonais também desempenham um papel central no surgimento dessas lesões. É muito frequente o aparecimento do granuloma na mucosa oral de mulheres grávidas, o chamado granuloma gravídico, devido à influência dos níveis elevados de estrogênio que estimulam a proliferação dos vasos sanguíneos.

Atualmente, o uso de medicamentos tem se destacado como uma das causas mais comuns para o desenvolvimento dessas lesões induzidas por drogas. Substâncias como os retinoides (muito usados para acne) e diversas terapias oncológicas modernas, como os inibidores de BRAF e de EGFR, estão fortemente associadas ao aparecimento de granulomas múltiplos, especialmente ao redor das unhas.

No campo da genética e vírus, pesquisas recentes identificaram a mutação BRAF c.1799T>A como um dos principais motores biológicos da doença. Além disso, a presença de vírus como o HPV tipo 2 e o Herpes Simplex tipo 1 sugere que certas infecções podem atuar como fatores que estimulam indiretamente a formação desenfreada desses novos vasos.

Manifestações clínicas de granuloma piogênico

As manifestações clínicas do granuloma piogênico são muito características e, embora a lesão seja benigna, o seu aspecto costuma gerar bastante preocupação nos pacientes. O quadro geralmente se inicia como uma pápula ou nódulo solitário de cor avermelhada, que pode ser pedunculado (com uma base estreita) ou séssea. O que mais chama a atenção é o seu crescimento exofítico extremamente rápido, que ocorre em um intervalo de poucos dias ou semanas.

A superfície da lesão é lisa ou lobulada e, em muitos casos, apresenta uma base circundada por um fino “colar” de escamas brancas, conhecido como colarete epidérmico. Por ser uma lesão composta basicamente por vasos capilares muito frágeis, ela é extremamente friável. Isso significa que o sintoma mais marcante é o sangramento profuso e recorrente, que pode ser desencadeado por traumas mínimos ou até ocorrer de forma espontânea.

Localização

Embora possa surgir em qualquer lugar, as mãos, os lábios e a gengiva são os locais mais afetados. Nas mulheres grávidas, é clássico o aparecimento na mucosa oral, recebendo o nome de granuloma gravídico. 

Outra apresentação importante ocorre ao redor ou sob as unhas (periungueal ou subungueal), muitas vezes associada ao uso de certos medicamentos, onde a lesão pode mimetizar uma inflamação comum de pele, como a paroníquia.

Granuloma piogênico. A colarinha epitelial pode ser vista na base da lesão. Fonte: UpToDate

Diagnóstico de granuloma piogênico

O diagnóstico do granuloma piogênico é, na maioria das vezes, essencialmente clínico, fundamentado na observação direta da lesão e em uma história detalhada do paciente. Durante a consulta, é fundamental investigar se houve algum trauma local prévio, se a paciente está grávida ou se há o uso de medicamentos específicos, como retinoides ou terapias oncológicas, que são gatilhos conhecidos para o surgimento dessa condição.

Para auxiliar na avaliação, a dermatoscopia se mostra uma ferramenta valiosa ao revelar padrões típicos, como uma área central homogênea avermelhada cercada por um “colar” de escamas brancas. Em alguns casos, é possível observar linhas brancas que se cruzam, representando septos fibrosos dentro da lesão, o que ajuda o médico a diferenciar o granuloma de outras alterações vasculares comuns.

Apesar da aparência muitas vezes característica, o exame histopatológico é fortemente recomendado para confirmar o diagnóstico definitivo. Essa etapa é crucial para descartar “red flags” ou diagnósticos diferenciais perigosos que podem mimetizar o granuloma, como o melanoma amelanótico, o carcinoma espinocelular ou o sarcoma de Kaposi.

Fonte: UpToDate

Tratamento de granuloma piogênico

O tratamento do granuloma piogênico baseia-se na remoção completa da lesão e no controle de possíveis fatores causais, sendo a excisão cirúrgica o tratamento padrão por apresentar as menores taxas de recorrência. O manejo deve ser individualizado, levando em conta o tamanho da lesão, a localização e o perfil do paciente, visando sempre o melhor resultado estético e funcional.

Além da cirurgia convencional, dispomos de diversas alternativas eficazes, como a curetagem, a eletrocauterização e a criocirurgia. A tecnologia laser, incluindo os lasers de CO2 e Nd:YAG, também se destaca como uma excelente opção, pois permite uma remoção precisa com controle imediato do sangramento, o que é uma grande vantagem em lesões vasculares tão friáveis.

Uma inovação importante no tratamento médico, especialmente para crianças pequenas ou lesões em áreas sensíveis como a face e região periungueal, é o uso de betabloqueadores. O uso tópico de timolol ou propranolol tem se mostrado uma alternativa segura e não invasiva, embora o tratamento exija monitoramento médico para evitar efeitos colaterais sistêmicos, como bradicardia ou hipotensão.

Referências:

SARWAL, Parul; LAPUMNUAYPOL, Kamolyut. Pyogenic Granuloma. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2024.

WOLLINA, Uwe et al. Pyogenic Granuloma – A Common Benign Vascular Tumor with Variable Clinical Presentation: New Findings and Treatment Options. Open Access Macedonian Journal of Medical Sciences, Skopje, v. 5, n. 4, p. 423-426, jul. 2017.

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