E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a Queratose pilar, uma condição dermatológica crônica e muito comum, frequentemente considerada até uma variante da normalidade que se caracteriza por uma queratinização folicular alterada.
O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.
Vamos nessa!
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Definição da queratose pilar
A queratose pilar é uma desordem hereditária e benigna da queratinização folicular, caracterizada pela formação de “tampões” de queratina nos orifícios dos folículos pilosos. Esse processo de hiperqueratose obstrui o infundíbulo folicular, resultando em pápulas firmes e ásperas que conferem à pele uma textura irregular e granulosa.
Embora sua etiologia exata permaneça desconhecida, a condição é amplamente considerada uma variante da normalidade devido à sua alta prevalência, chegando a afetar cerca de metade da população mundial em algum grau.
A condição frequentemente se manifesta de forma isolada, mas possui uma forte associação com a dermatite atópica e a ictiose vulgar, sugerindo uma relação direta com falhas na barreira epitelial. Existem variantes clínicas específicas, como a keratosis pilaris rubra, marcada por um eritema perifolicular evidente, e formas mais severas como o ulerythema ophryogenes, que pode evoluir com atrofia e perda de pelos, especialmente na região das sobrancelhas.
Etiologia da queratose pilar
A queratose pilar desenvolve-se a partir de uma falha no processo de queratinização do epitélio folicular, o que leva à formação de tampões queratósicos que obstruem o infundíbulo do folículo piloso. Esse processo resulta na distensão folicular e em uma resposta inflamatória local que altera a textura da pele.
De forma geral, as causas podem ser classificadas em dois grandes grupos: predisposição genética e fatores sistêmico-ambientais.
Predisposição genética
A base da condição é hereditária, seguindo majoritariamente um padrão de herança autossômica dominante, embora existam evidências de variações poligênicas. No campo molecular, o foco recai sobre mutações no gene da filagrina e falhas na sinalização da cascata Ras, que juntas levam ao comprometimento da barreira epitelial e ao acúmulo excessivo de queratina.
Fatores sistêmicos e ambientais
A etiologia também envolve a forte associação com patologias como a dermatite atópica, a ictiose vulgar e a obesidade. Além dos fatores biológicos, influências externas , como a baixa umidade do ar durante o inverno, atuam como agravantes críticos, reduzindo a hidratação cutânea e tornando os “tampões” foliculares mais evidentes.
Manifestações clínicas da queratose pilar
As manifestações clínicas da queratose pilar decorrem do acúmulo excessivo de queratina nos orifícios foliculares, resultando em uma alteração tátil e visual bastante característica. O quadro clínico é marcado por uma erupção papular crônica que, embora benigna, impacta significativamente a estética e o bem-estar do paciente.
- Pápulas e textura: O achado principal são múltiplas pápulas foliculares pequenas, firmes e ceratósicas. Ao toque, a pele apresenta uma textura áspera e rugosa, frequentemente comparada à “pele de galinha” ou ao toque de uma lixa.
- Localização: As lesões afetam tipicamente as superfícies extensoras das extremidades proximais, como a parte posterior dos braços e a frente das coxas. Outras áreas como nádegas, tronco e face também podem ser envolvidas, embora com menor frequência
- Eritema perifolicular: É comum a presença de um halo avermelhado ou rosado ao redor de cada pápula, conhecido como eritema perifolicular. Em variantes como a keratosis pilaris rubra, essa vermelhidão é ainda mais pronunciada e visível.

From: Keratosis Pilaris
Sintomatologia da queratose pilar
Na grande maioria dos casos, a condição é assintomática, não apresentando dor ou prurido (coceira). A busca por atendimento médico geralmente ocorre devido ao desconforto estético e ao impacto na autoestima gerado pela aparência das lesões.
Diagnóstico da queratose pilar
O diagnóstico da queratose pilar baseia-se na integração de achados clínicos e na avaliação física minuciosa, uma vez que a condição é eminentemente visual e tátil. Diferente de outras patologias dermatológicas, não há necessidade de exames laboratoriais específicos, sendo o reconhecimento do padrão de distribuição das lesões e o histórico do paciente os fatores determinantes para a conclusão diagnóstica.
Durante a anamnese, o médico deve investigar o tempo de evolução que geralmente tem início na infância ou adolescência e a presença de sintomas, que costumam ser inexistentes, já que a queixa principal é a textura “áspera” e não o prurido. O exame físico revela as pápulas inflamatórias de envolvimento folicular em locais clássicos, como as superfícies extensoras dos braços, coxas e nádegas.
O uso da dermatoscopia é uma ferramenta complementar valiosa, permitindo visualizar alterações que passam despercebidas a olho nu, como hastes capilares finas, curtas ou até enroladas e embutidas sob o estrato córneo. Além disso, a visualização direta de escamas e do eritema ao redor do óstio folicular ajuda a confirmar a suspeita clínica com maior precisão.

Fonte: https://www.uptodate.com/contents/keratosis-pilaris?search=queratose%20pilar&source=search_result&selectedTitle=1~113&usage_type=default&display_rank=1&searchCorrelationId=c0836e3e-6c82-412a-94f7-ce371b54e016&searchCorrelationTerm=queratose%20pilar
Tratamento da queratose pilar
O tratamento da queratose pilar foca primordialmente no benefício cosmético e na melhora da textura cutânea, uma vez que a condição é benigna e frequentemente assintomática. O manejo inicial baseia-se em medidas educativas, orientando o paciente a utilizar sabonetes hipoalergênicos e, principalmente, a evitar a manipulação das pápulas para prevenir inflamações secundárias, manchas e cicatrizes.
Para suavizar a aspereza da pele, a primeira escolha clínica envolve o uso de emolientes e ceratolíticos tópicos, como a ureia a 20% ou o ácido salicílico a 6%, que auxiliam na dissolução dos tampões de queratina. Em quadros mais resistentes, retinoides como o tazaroteno a 0,01% ou peelings químicos com ácido glicólico podem ser introduzidos para acelerar a renovação celular e melhorar o aspecto visual de forma mais rápida.
A terapia com laser surge como uma alternativa eficaz quando o objetivo é tratar componentes específicos, como o eritema perifolicular ou a irregularidade tátil acentuada. Enquanto lasers vasculares de comprimento de onda curto são indicados para reduzir a vermelhidão, o laser de diodo de 810-nm apresenta resultados robustos na melhora da textura e rugosidade, sendo ideal para variantes com pápulas muito proeminentes.
Referências
IBRAHIM, Omer et al. Treatment of Keratosis Pilaris With 810-nm Diode Laser: A Randomized Clinical Trial. JAMA Dermatology, Chicago, v. 151, n. 2, p. 187-191, fev. 2015.
ARNOLD, Andreas W.; BUECHNER, Stanislaw A. Keratosis pilaris and keratosis pilaris atrophicans faciei. JDDG: Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft, Basel, v. 4, p. 319-323, 2006.
PENNYCOOK, Keith B.; MCCREADY, Tess A. Keratosis Pilaris. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 26 jun. 2023.


