Resumo sobre Infarto Esplênico: definição, etiologias e mais!
Fonte: Freepik

Resumo sobre Infarto Esplênico: definição, etiologias e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é o infarto esplênico, uma condição caracterizada pela isquemia de áreas do baço, geralmente decorrente de eventos tromboembólicos ou de alterações no fluxo sanguíneo esplênico. 

O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.

Vamos nessa!

Definição de Infarto Esplênico

Infarto esplênico é uma condição patológica decorrente da interrupção parcial ou total do suprimento sanguíneo do baço, resultando em isquemia e necrose do tecido esplênico. Essa interrupção pode ocorrer por oclusão arterial ou venosa e está, na maioria das vezes, associada à presença de êmbolos blandos ou sépticos, estados de hipercoagulabilidade, congestão venosa causada por células anormais, traumatismo abdominal ou doenças hematológicas e neoplasias hematológicas.

A extensão do infarto pode variar desde áreas segmentares limitadas até o comprometimento global do órgão, dependendo do vaso afetado. Clinicamente, o quadro manifesta-se, de forma mais comum, por dor abdominal no quadrante superior esquerdo, podendo estar associado a náuseas, febre e sinais inflamatórios. 

O prognóstico e a abordagem terapêutica dependem da causa subjacente, variando desde tratamento conservador e suporte clínico até intervenções mais invasivas, como a esplenectomia, nos casos complicados.

Descubra como as bancas cobram na prática!

Prepare-se com o Estratégia MED!

Etiologias do Infarto Esplênico

As causas mais comuns incluem doenças tromboembólicas e doenças hematológicas infiltrativas, sendo as últimas mais frequentes em pacientes com menos de 40 anos. 

  • Malignidades hematogênicas e doenças hematológicas infiltrativas: incluem leucemias, linfomas e mielofibrose, que podem causar infiltração celular do baço, levando à congestão venosa e à obstrução do fluxo sanguíneo.
  • Estados de hipercoagulabilidade: englobam condições como anemia falciforme, deficiência de proteína C e S, policitemia vera, presença de anticoagulante lúpico, uso de estrogênios exógenos e neoplasias, todas associadas ao aumento da formação de trombos.
  • Doenças tromboembólicas: relacionadas principalmente a fibrilação atrial, endocardite infecciosa, forame oval patente e próteses valvares cardíacas, nas quais êmbolos podem se formar no coração e migrar para a circulação esplênica.
  • Traumatismo abdominal fechado: pode provocar lesão direta dos vasos esplênicos ou comprometimento secundário da perfusão, resultando em áreas de isquemia.
  • Doenças pancreáticas: como pancreatite aguda ou massas pancreáticas compressivas, capazes de causar inflamação local ou compressão dos vasos esplênicos.
  • Outras causas raras: incluem doenças autoimunes, doenças do colágeno e o chamado baço errante, descritas principalmente em relatos de caso, mas reconhecidas como potenciais fatores etiológicos.

Fisiopatologia do Infarto Esplênico

A fisiopatologia do infarto esplênico está relacionada ao comprometimento do fluxo sanguíneo que irriga o baço, órgão suprido principalmente pela artéria esplênica, ramo do tronco celíaco, em conjunto com as artérias gástricas curtas, derivadas da artéria gastroepiploica esquerda. Qualquer condição que provoque obstrução, redução ou interrupção desse suprimento pode resultar em isquemia do parênquima esplênico e, consequentemente, em necrose tecidual.

Entre os mecanismos mais comuns, destacam-se as hemoglobinopatias falciformes, nas quais episódios de hipóxia ou acidose induzem a deformação das hemácias em formato de foice. Essas células anormais sofrem polimerização da hemoglobina, levando à cristalização intracelular e à oclusão da microvasculatura esplênica. Esse processo ocorre de forma recorrente desde a infância, provocando múltiplos episódios de infarto, que culminam em fibrose progressiva, retração do órgão e, em muitos casos, autoesplenectomia funcional ou anatômica na vida adulta.

Doenças associadas à esplenomegalia também contribuem para a fisiopatologia do infarto esplênico. Condições como leucemia mieloide crônica, mielofibrose, doença de Gaucher, síndrome da esplenomegalia malárica, infecção pelo HIV associada ao Mycobacterium avium complex e linfomas promovem aumento do volume esplênico, elevando a demanda metabólica e predispondo à insuficiência relativa do fluxo sanguíneo, o que favorece a isquemia.

De forma menos frequente, alterações anatômicas vasculares do baço podem estar envolvidas, como no caso do baço errante, em que há fixação vascular anômala. Essa condição predispõe à torção do pedículo esplênico, resultando em interrupção aguda do fluxo sanguíneo e desenvolvimento de infarto esplênico.

Manifestações clínicas do Infarto Esplênico

O infarto esplênico é uma causa rara de dor abdominal e apresenta manifestações clínicas variadas, muitas vezes inespecíficas, o que pode dificultar o diagnóstico inicial. Em geral, a suspeita clínica surge a partir da identificação de doenças de base associadas ao comprometimento da perfusão esplênica. 

Estudos observacionais demonstram que o quadro clínico pode variar desde sintomas localizados até manifestações sistêmicas ou mesmo ausência de sinais específicos, sendo frequente a descoberta de uma condição subjacente previamente não diagnosticada durante a investigação do infarto.

  • Dor abdominal no quadrante superior esquerdo: manifestação mais comum, geralmente de início agudo, relacionada à isquemia e necrose do tecido esplênico.
  • Sensibilidade abdominal à palpação: ocorre principalmente na região esquerda do abdome, refletindo inflamação local do baço.
  • Esplenomegalia: pode estar presente em parte dos pacientes, especialmente naqueles com doenças hematológicas ou infiltrativas associadas.
  • Ausência de sinais localizados: uma parcela dos pacientes não apresenta sintomas específicos na topografia esplênica, o que dificulta o reconhecimento clínico da doença.
  • Febre: relacionada à resposta inflamatória sistêmica secundária à necrose tecidual ou à doença de base associada.
  • Náuseas e vômitos: sintomas inespecíficos que podem acompanhar o quadro de dor abdominal.
  • Leucocitose: achado laboratorial frequente, indicando resposta inflamatória sistêmica.
  • Elevação da lactato desidrogenase: marcador laboratorial comum, associado à necrose celular e à extensão do infarto esplênico.

Diagnóstico do Infarto Esplênico

O diagnóstico do infarto esplênico deve ser realizado de forma sistemática, integrando dados clínicos, laboratoriais e de imagem, já que se trata de uma condição rara e com apresentação clínica inespecífica. A seguir, são apresentados os principais pontos do processo diagnóstico de maneira didática.

Avaliação clínica

A dor abdominal é a principal queixa dos pacientes com infarto esplênico, geralmente localizada no quadrante superior esquerdo. Diante desse sintoma, é fundamental adotar uma abordagem com amplo diagnóstico diferencial, considerando outras causas abdominais mais comuns antes de suspeitar do comprometimento esplênico.

Avaliação laboratorial

Os exames laboratoriais auxiliam principalmente na exclusão de outras etiologias de dor abdominal. A elevação de enzimas hepáticas, como bilirrubinas, ou de lipase pode sugerir origem hepatobiliar ou pancreática. No infarto esplênico, são frequentemente observados leucocitose e elevação da lactato desidrogenase, achados relacionados à resposta inflamatória e à necrose tecidual. Entretanto, esses marcadores não são específicos e não confirmam o diagnóstico de forma isolada.

Métodos de imagem

Os exames de imagem são indispensáveis para o diagnóstico definitivo. A tomografia computadorizada de abdome com contraste intravenoso é o método de escolha, especialmente na fase hiperaguda. O achado típico consiste em uma área hipodensa em formato de cunha no baço, com o ápice direcionado ao hilo e a base voltada para a cápsula esplênica. Com a progressão do quadro, essa área pode evoluir para liquefação, retração, cicatrização ou, eventualmente, normalização do parênquima.

A ultrassonografia abdominal pode ser utilizada como método alternativo ou complementar. Nas fases iniciais, evidencia áreas hipoecoicas em formato de cunha compatíveis com infarto. Em fases mais tardias, essas áreas podem tornar-se hiperecogênicas, associadas à retração da cápsula esplênica.

Tratamento do Infarto Esplênico

O tratamento do infarto esplênico deve ser organizado de forma sistemática, tendo como princípio fundamental a identificação e o manejo da doença de base responsável pela lesão. A conduta varia conforme a etiologia, a presença de complicações e a estabilidade clínica do paciente.

Tratamento conservador e suporte clínico

Nos casos não infecciosos e sem complicações, o manejo é predominantemente conservador. Inclui analgesia, hidratação, uso de antieméticos e outras medidas de suporte. A internação hospitalar pode ser necessária para controle dos sintomas, monitorização clínica e investigação diagnóstica adicional, especialmente quando a causa do infarto ainda não foi estabelecida. Em quadros não complicados, a dor abdominal costuma regredir espontaneamente em 7 a 14 dias.

Tratamento conforme a etiologia específica

Em pacientes com hemoglobinopatias falciformes, o tratamento visa corrigir hipóxia e acidose, reduzindo a falcização das hemácias e prevenindo novos episódios isquêmicos.
Quando o infarto esplênico decorre de êmbolos sépticos, é indicada antibioticoterapia intravenosa, associada à investigação cardiológica para identificação da fonte embólica.

Nos casos relacionados a doenças hematológicas, neoplásicas ou autoimunes, é fundamental a atuação conjunta com especialistas em hematologia, oncologia ou reumatologia, direcionando o tratamento da condição subjacente.

Indicações de avaliação cirúrgica

A avaliação cirúrgica é indicada em situações de trauma esplênico, alterações vasculares, instabilidade hemodinâmica ou falha do tratamento conservador.

Complicações graves, como formação de pseudocistos, abscesso esplênico, hemorragia, ruptura do baço ou aneurismas, exigem avaliação cirúrgica imediata. Nessas situações, o tecido esplênico infartado pode tornar-se infectado ou sofrer transformação hemorrágica, configurando emergência clínica e demandando intervenção rápida.

Veja também!

Referências

Chapman J, Helm TA, Kahwaji CI. Splenic Infarcts. [Updated 2023 Jul 17]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430902/

Você pode gostar também