E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a lesão esplênica espontânea, uma condição rara caracterizada pela ruptura ou sangramento do baço na ausência de trauma, geralmente associada a doenças infecciosas, hematológicas, inflamatórias ou ao uso de anticoagulantes.
O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.
Vamos nessa!
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Definição da Lesão Esplênica Espontânea
A lesão esplênica espontânea, também denominada ruptura esplênica espontânea ou atraumática, é uma condição rara caracterizada pela ruptura do parênquima esplênico na ausência de trauma abdominal prévio ou de um fator mecânico externo identificável.
Essa entidade pode ocorrer associada a diferentes condições patológicas sistêmicas ou locais, como doenças infecciosas, hematológicas, neoplásicas, inflamatórias ou metabólicas, mas também pode acometer, de forma excepcional, baços previamente normais do ponto de vista macroscópico e histológico, situação descrita como ruptura esplênica verdadeiramente espontânea.
A fisiopatologia proposta envolve alterações da vascularização esplênica, congestão passiva, fragilidade do parênquima ou aumentos súbitos da pressão intra-abdominal, o que contribui para a ruptura mesmo na ausência de agressão traumática evidente.
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Etiologias da Lesão esplênica espontânea
A lesão esplênica espontânea apresenta etiologia variada e multifatorial, podendo ocorrer tanto em baços previamente comprometidos por doenças sistêmicas ou locais quanto, de forma mais rara, em baços sem alterações identificáveis.
Doenças associadas ao baço patológico
A maioria dos casos está relacionada a condições que levam à fragilidade do parênquima esplênico ou à congestão vascular. Entre as principais etiologias descritas estão:
- Doenças infecciosas, como mononucleose infecciosa, malária, tuberculose e endocardite bacteriana, que promovem hiperplasia do tecido esplênico e aumento do risco de ruptura;
- Doenças hematológicas e neoplásicas, incluindo linfomas, leucemias e outras discrasias sanguíneas, associadas à infiltração ou congestão do órgão;
- Condições inflamatórias e metabólicas, como pancreatite, sarcoidose e amiloidose, que podem alterar a arquitetura e a vascularização esplênica.
Causas locais e vasculares
Algumas etiologias estão relacionadas a alterações anatômicas ou hemodinâmicas do próprio baço, destacando-se:
- Trombose da veia esplênica, levando à congestão venosa e aumento da pressão intraparenquimatosa;
- Congestão esplênica crônica, com distensão progressiva do parênquima e fragilidade capsular.
Fatores precipitantes
Mesmo na ausência de trauma, determinados eventos podem atuar como fatores desencadeantes da ruptura, especialmente quando há um baço previamente vulnerável:
- Aumento súbito da pressão intra abdominal, como em episódios intensos de tosse, vômitos repetidos ou esforço físico;
- Situações de estresse fisiológico que favoreçam alterações hemodinâmicas esplênicas.
Ruptura esplênica verdadeiramente espontânea
Em uma parcela muito pequena dos casos, não é identificada nenhuma condição patológica subjacente, mesmo após avaliação histológica. Nessa situação, a lesão é classificada como ruptura esplênica verdadeiramente espontânea. As hipóteses etiológicas propostas incluem:
- Presença de alterações focais microscópicas não detectáveis após a ruptura;
- Espasmo vascular ou congestão passiva transitória;
- Mobilidade anormal do baço com torções intermitentes.
Epidemiologia da lesão esplênica espontânea
A lesão esplênica espontânea é uma condição rara, representando uma pequena parcela dos casos de ruptura do baço, com frequência estimada inferior a 1% quando comparada às rupturas esplênicas traumáticas. A maioria das informações disponíveis deriva de relatos de caso e pequenas séries, o que limita a definição precisa de sua incidência e prevalência.
Pode acometer indivíduos de diferentes faixas etárias, sem clara predominância por sexo, sendo mais frequentemente observada em pacientes com doenças subjacentes, especialmente infecciosas, hematológicas ou neoplásicas. A ruptura esplênica verdadeiramente espontânea, sem patologia esplênica identificável, é considerada excepcional e corresponde a uma minoria dos casos descritos na literatura.
Manifestações clínicas da lesão esplênica espontânea
As manifestações clínicas da lesão esplênica espontânea são variáveis e frequentemente inespecíficas, o que contribui para sua subvalorização inicial. O quadro pode se instalar de forma súbita ou progressiva, dependendo da extensão da lesão e do volume de sangramento.
- Dor abdominal: a manifestação mais comum é a dor abdominal aguda, geralmente localizada no quadrante superior esquerdo ou em todo o abdome. Em alguns casos, a dor pode ser descrita como mal definida ou inicialmente leve, com piora progressiva ao longo das horas ou dias.
- Dor referida: é frequente a presença de dor irradiada para o ombro esquerdo, conhecida como sinal de Kehr, resultante da irritação diafragmática pelo sangue intraperitoneal. Esse achado, embora sugestivo, não está presente em todos os casos.
- Sinais sistêmicos: pacientes podem apresentar náuseas, vômitos, sudorese, mal estar geral e sensação de fraqueza, sintomas que refletem a resposta sistêmica ao sangramento intra abdominal.
- Instabilidade hemodinâmica: em situações mais graves, podem surgir hipotensão arterial, taquicardia e sinais de choque hipovolêmico, decorrentes da perda sanguínea significativa. No entanto, alguns pacientes permanecem hemodinamicamente estáveis nas fases iniciais, mesmo diante de sangramento volumoso.
- Achados clínicos abdominais: o exame físico pode revelar sensibilidade abdominal, dor à palpação, defesa muscular ou rigidez, especialmente no hemiabdome esquerdo. Em casos menos exuberantes, os achados podem ser discretos, dificultando a suspeita clínica.
- Variabilidade da apresentação: a apresentação clínica pode simular outras causas de abdome agudo, como pancreatite, perfuração de víscera oca, isquemia miocárdica ou patologias pulmonares, o que reforça a heterogeneidade do quadro clínico descrito nos relatos.
Diagnóstico da Lesão Esplênica Espontânea
O diagnóstico da lesão esplênica espontânea é considerado complexo, principalmente pela ausência de história traumática e pela apresentação clínica inespecífica, o que frequentemente retarda o reconhecimento da condição.
Dificuldades diagnósticas iniciais
Na maioria dos casos, a lesão esplênica espontânea não é suspeitada na avaliação inicial, pois seus sinais e sintomas podem simular outras causas de abdome agudo. A ausência de trauma recente contribui para que o baço não seja prontamente considerado como fonte do quadro clínico, mesmo diante de dor abdominal significativa ou deterioração clínica.
Papel dos métodos de imagem
Os exames de imagem têm papel central na confirmação diagnóstica. A tomografia computadorizada do abdome é descrita como o principal método para identificação da lesão esplênica espontânea. Esse exame permite a detecção de:
- Hematomas subcapsulares;
- Hematomas intraparenquimatosos;
- Lacerações do parênquima esplênico;
- Presença de líquido livre na cavidade abdominal.
Além disso, a tomografia auxilia na avaliação da extensão da lesão e na identificação de possíveis alterações associadas, como esplenomegalia ou achados vasculares.
Diagnóstico em pacientes instáveis
Em pacientes com instabilidade hemodinâmica, o diagnóstico pode ser estabelecido diretamente durante laparotomia exploradora. Nesses casos, a ruptura esplênica é identificada de forma intra operatória, sem a realização prévia de exames de imagem.
Avaliação histopatológica
A análise histopatológica do baço, quando realizada, é essencial para a classificação etiológica da lesão. Ela permite distinguir as rupturas associadas a doenças subjacentes da chamada ruptura esplênica verdadeiramente espontânea. De acordo com os critérios clássicos descritos nos documentos, essa última exige:
- Ausência de trauma prévio;
- Ausência de doença esplênica identificável;
- Aspecto macroscópico e microscópico normal do baço;
- Exclusão de infecção recente associada ao acometimento esplênico.
Tratamento da Lesão Esplênica Espontânea
O tratamento da lesão esplênica espontânea depende fundamentalmente da condição clínica do paciente e da gravidade da lesão esplênica, não diferindo, em princípios gerais, do manejo das rupturas esplênicas de outras etiologias.
Tratamento conservador
Em pacientes hemodinamicamente estáveis, com lesões de menor gravidade, pode ser adotada a conduta conservadora. Essa abordagem inclui monitorização clínica rigorosa, suporte hemodinâmico e acompanhamento seriado, com o objetivo de permitir a resolução espontânea do sangramento. Os documentos ressaltam, no entanto, que mesmo pacientes inicialmente estáveis podem evoluir com deterioração clínica, exigindo reavaliação contínua.
Tratamento cirúrgico
O tratamento cirúrgico é indicado nos casos de instabilidade hemodinâmica, falha do manejo conservador ou presença de lesões esplênicas extensas. A esplenectomia é descrita como a principal intervenção cirúrgica realizada nos relatos analisados, sendo frequentemente necessária devido ao sangramento significativo associado à ruptura esplênica espontânea. Em muitos casos, a decisão cirúrgica ocorre de forma emergencial, especialmente quando há hemorragia intra abdominal volumosa.
Fatores determinantes da conduta
Os documentos destacam que a situação clínica do paciente é o fator mais importante na definição da estratégia terapêutica, mais relevante do que a classificação isolada da lesão. Assim, mesmo lesões consideradas de menor grau podem evoluir desfavoravelmente, enquanto alguns pacientes com lesões extensas podem, em situações selecionadas, ser manejados sem cirurgia, desde que permaneçam clinicamente estáveis.
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Referências
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