E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a Pitiríase alba, uma dermatose inflamatória benigna caracterizada pelo surgimento de máculas ou placas hipopigmentadas, geralmente de bordas pouco definidas e fina descamação, predominando na face de crianças e adolescentes, especialmente naqueles com histórico de pele atópica.
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Definição de Pitiríase alba
A pitiríase alba é uma dermatose inflamatória benigna, comum na infância e na adolescência, frequentemente considerada uma manifestação leve da dermatite atópica e associada a antecedentes de atopia.
Caracteriza-se pelo surgimento de máculas e placas hipopigmentadas, mal delimitadas, de formato circular ou oval, geralmente acompanhadas por descamação fina e, ocasionalmente, prurido.
As lesões acometem predominantemente a face, especialmente as bochechas, podendo também atingir os braços e a porção superior do tronco. Inicialmente, as lesões podem apresentar discreto eritema, evoluindo gradualmente para áreas de hipopigmentação. Trata-se de uma condição autolimitada, com repigmentação espontânea da pele ocorrendo ao longo de meses a anos, geralmente em até um ano.
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Epidemiologia da Pitiríase alba
A pitiríase alba é uma dermatose benigna comum na infância, acometendo principalmente crianças entre 3 e 16 anos, sendo a maioria dos casos observada antes dos 12 anos de idade. É mais frequente em indivíduos com história de atopia e apresenta discreto predomínio no sexo masculino.
Embora não haja predileção racial, as lesões são mais evidentes em pessoas com pele mais escura. A doença não possui sazonalidade definida, mas o ressecamento no inverno e a exposição solar podem tornar as lesões mais aparentes. A repigmentação ocorre espontaneamente, geralmente em até um ano.
Etiologias da Pitiríase alba
A etiologia da pitiríase alba permanece desconhecida, e sua patogênese ainda não está completamente esclarecida. Trata-se de uma condição não contagiosa, sem evidências de etiologia infecciosa.
Associação com atopia
A pitiríase alba apresenta forte associação com a atopia, sendo frequentemente considerada uma manifestação menor da dermatite atópica. Entretanto, a doença também pode ocorrer em indivíduos sem antecedentes atópicos, sugerindo que outros mecanismos patogênicos estejam envolvidos.
Alterações na produção de melanina
Estudos histopatológicos demonstram redução da produção de melanina nas áreas afetadas, o que explica o surgimento das lesões hipopigmentadas características da doença. Nesse contexto, a pitiríase alba tem sido comparada a um quadro de dermatite inespecífica com alterações pigmentares residuais pós-inflamatórias.
Fatores associados
Alguns estudos identificaram possíveis associações com:
- Atrofia das glândulas sebáceas;
- Anemia por deficiência de ferro;
- Baixos níveis séricos de cobre.
No entanto, a relevância desses achados e sua participação direta na gênese da doença permanecem incertas.
Hipótese relacionada à Malassezia
Outra teoria propõe que a hipopigmentação resulte da ação da pitiriacitrina, uma substância produzida por leveduras do gênero Malassezia, capaz de filtrar a radiação ultravioleta. Apesar dessa hipótese, sua relação causal com a pitiríase alba ainda não foi definitivamente estabelecida.
Manifestações clínicas da Pitiríase alba
A pitiríase alba caracteriza-se pelo surgimento de máculas, manchas ou placas finas hipopigmentadas, geralmente assintomáticas ou acompanhadas de prurido leve. Em alguns casos, as lesões iniciam-se com um discreto eritema, que frequentemente passa despercebido, evoluindo posteriormente para áreas de hipopigmentação.
Características das lesões
As lesões apresentam as seguintes características:
- Formato: arredondado ou oval;
- Bordas: mal delimitadas;
- Superfície: descamação fina, podendo haver leve eritema residual;
- Número: geralmente entre 4 e 20 lesões;
- Tamanho: variando de 0,5 a 5 cm de diâmetro.
Distribuição corporal
As lesões localizam-se predominantemente em áreas expostas, especialmente:
- Face, principalmente as bochechas;
- Pescoço;
- Braços, sobretudo a região proximal;
- Porção superior do tronco.
Relação com a exposição solar
A hipopigmentação tende a tornar-se mais evidente após a exposição solar, pois o bronzeamento da pele adjacente aumenta o contraste com as áreas acometidas.
Associação com atopia
Muitos pacientes apresentam história pessoal ou familiar de doenças atópicas, como:
- Dermatite atópica;
- Rinite alérgica;
- Asma.
Variantes clínicas
Pitiríase alba pigmentante: apresenta uma área central de hiperpigmentação azulada circundada por um halo hipopigmentado e descamativo, acometendo principalmente a face e podendo estar associada à infecção por dermatófitos.
Pitiríase alba extensa: caracteriza-se por lesões simétricas e disseminadas, menos eritematosas e menos descamativas, geralmente assintomáticas, mais persistentes e com predomínio no tronco em vez da face.

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Diagnóstico da Pitiríase alba
O diagnóstico da pitiríase alba é essencialmente clínico, sendo geralmente estabelecido com base na aparência característica e na distribuição das lesões hipopigmentadas em crianças e adolescentes. Na maioria dos casos, não há necessidade de exames complementares.
Avaliação clínica
As lesões típicas consistem em máculas ou placas hipopigmentadas, mal delimitadas, discretamente descamativas, localizadas predominantemente na face, pescoço, braços e porção superior do tronco.
Exames complementares
Embora raramente necessários, alguns exames podem ser úteis em casos de dúvida diagnóstica:
- Lâmpada de Wood: as lesões tornam-se mais evidentes, porém permanecem não fluorescentes. Esse achado auxilia na diferenciação do vitiligo, que apresenta fluorescência mais intensa e bordas bem definidas.
- Exame micológico direto com hidróxido de potássio (KOH): apresenta resultado negativo para elementos fúngicos, permitindo distinguir a pitiríase alba de micoses superficiais, como a tinea versicolor e a tinea corporis.
- Biópsia de pele: geralmente desnecessária, mas pode ser empregada em casos atípicos para excluir outros diagnósticos, especialmente a micose fungoide.
Dermatoscopia
Os principais achados dermatoscópicos incluem:
- Áreas brancas opacas e mal delimitadas;
- Descamação branca fina, frequentemente de aspecto poligonal ou distribuída ao longo dos sulcos cutâneos;
- Rede pigmentar castanho-clara discreta no fundo das lesões, especialmente em indivíduos de fototipos elevados;
- Semicírculos periecrinos, considerados um achado característico na pele negra, correspondendo a áreas de pigmentação semicircular ao redor dos óstios das glândulas écrinas;
- Presença eventual de áreas brancas satélites e pontos acastanhados em indivíduos com fototipos mais altos.
Tratamento da Pitiríase alba
O tratamento da pitiríase alba baseia-se, inicialmente, na orientação e tranquilização do paciente e de seus familiares, enfatizando o caráter benigno e autolimitado da doença. Embora a repigmentação ocorra espontaneamente, sua resolução pode levar vários meses a alguns anos, sendo que a maioria dos casos melhora em até um ano.
Medidas gerais
- Fotoproteção: recomenda-se evitar a exposição excessiva ao sol, pois o bronzeamento da pele adjacente aumenta o contraste das lesões hipopigmentadas e piora seu aspecto estético.
- Uso de protetor solar: auxilia na prevenção de queimaduras solares nas áreas acometidas e reduz o escurecimento da pele ao redor das lesões.
Tratamento tópico
- Corticosteroides tópicos de baixa potência: formulações como a hidrocortisona a 1% podem ser utilizadas para reduzir o eritema e o prurido, além de favorecer a repigmentação.
- Emolientes: produtos como vaselina e cremes hidratantes ajudam a diminuir o ressecamento e a descamação, constituindo uma das principais medidas terapêuticas.
Terapias alternativas
- Inibidores tópicos da calcineurina: o tacrolimo 0,1% e o pimecrolimo 1% podem ser eficazes no tratamento da pitiríase alba, embora seu uso seja limitado pelo elevado custo.
- Calcitriol tópico: análogo da vitamina D que apresentou eficácia semelhante à do tacrolimo em alguns estudos.
Tratamento dos casos extensos
Nos casos mais disseminados ou persistentes, podem ser consideradas terapias fototerápicas, como:
- Fotoquimioterapia com psoraleno e radiação ultravioleta A (PUVA);
- Fototerapia direcionada com laser excimer de 308 nm.
Referências
Givler DN, Saleh HM. Pityriasis Alba. [Updated 2024 Jan 25]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK431061/
Mi Ryung Roh, MD, PhDSang Ho Oh, MD, PhD. Acquired hypopigmentation disorders other than vitiligo. UpToDate, 2026. Disponível em: UpToDate



