E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é o Xantoma, uma manifestação cutânea caracterizada pelo depósito de lipídios na pele e nos tecidos subcutâneos, frequentemente associada a distúrbios do metabolismo lipídico, como as dislipidemias.
O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.
Vamos nessa!
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Definição de Xantoma
Xantomas são lesões caracterizadas pelo acúmulo localizado de lipídios nos tecidos do organismo, mais frequentemente na pele e no tecido subcutâneo, resultantes da deposição de lipoproteínas no interior de células, especialmente macrófagos (formando as chamadas células espumosas).
Embora sejam lesões benignas do ponto de vista histológico, sua importância clínica é significativa, pois frequentemente representam manifestações visíveis de distúrbios sistêmicos, sobretudo alterações no metabolismo lipídico, como dislipidemias.
Essas lesões podem surgir em diversas regiões anatômicas e apresentar diferentes formas clínicas, estando sua distribuição e características diretamente relacionadas à doença subjacente.
Etiologia do Xantoma
A etiologia dos xantomas envolve principalmente distúrbios do metabolismo lipídico, embora também possa ocorrer em outras condições. Nos casos de hiperlipidemia, há extravasamento de lipoproteínas através do endotélio vascular, com deposição nos tecidos (derme, subcutâneo e tendões). Esses lipídios são fagocitados por macrófagos, formando as típicas células espumosas.
Entretanto, xantomas também podem surgir em indivíduos com níveis lipídicos normais. Nesses casos, acredita-se que trauma ou inflamação local aumentem a permeabilidade vascular, facilitando o depósito de lipoproteínas e levando ao mesmo mecanismo de formação das lesões, especialmente em áreas de estresse mecânico, como o tendão de Aquiles.
Além disso, há etiologias menos comuns, como:
- Paraproteinemias, com proliferação linforreticular cutânea e formação de lesões xantomatosas;
- Xantomatose cerebrotendínea, doença genética autossômica recessiva (mutação no CYP27A1), com depósitos lipídicos em sistema nervoso central e tendões.
Fisiopatologia do Xantoma
Em condições normais, as lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL) são metabolizadas nos tecidos adiposo e muscular pela ação da lipoproteína lipase (LPL), que promove a liberação de triglicerídeos e a formação de lipoproteínas de densidade intermediária (IDL). Essas partículas podem ser captadas pelo fígado por meio de receptores de LDL ou convertidas em LDL, ricas em apolipoproteína B-100.
Quando ocorrem alterações nesse processo metabólico, especialmente por mutações genéticas que afetam apolipoproteínas ou receptores, há acúmulo de lipoproteínas na circulação. Esse acúmulo leva a estados como hiperlipidemia ou hipercolesterolemia e favorece a deposição de lipídios nos tecidos, principalmente na pele e nos tendões, resultando na formação dos xantomas.
Além disso, doenças sistêmicas como diabetes mellitus, hipotireoidismo e síndrome nefrótica também podem comprometer o metabolismo lipídico, contribuindo para o desenvolvimento dessas lesões.
Manifestações clínicas do Xantoma
As manifestações clínicas dos xantomas são variadas e estão diretamente relacionadas ao tipo de lesão e à condição sistêmica subjacente. Em muitos casos, o paciente procura atendimento por alterações visíveis na pele ou nos tendões, sendo posteriormente identificado um distúrbio metabólico associado.
- Xantomas eruptivos: Lesões de início agudo, inflamatórias, que surgem rapidamente em forma de pápulas eritematosas agrupadas; podem regredir espontaneamente em semanas.
- Xantomas tuberosos e tuberoeruptivos: Pápulas ou nódulos avermelhados que podem coalescer; associados a hiperlipoproteinemias; têm predileção por regiões como cotovelos e palmas, podendo sugerir subtipos específicos de dislipidemia.
- Xantomas tendíneos: Acometem principalmente o tendão de Aquiles, além de cotovelos e tendões extensores das mãos; apresentam crescimento lento e forte associação com hipercolesterolemia familiar; indicam maior risco cardiovascular, especialmente nas formas mais graves.
- Xantomas planos: Localizam-se em pregas palmares, superfícies flexoras dos dedos e dobras cutâneas; frequentemente associados à cirrose biliar; podem ter valor diagnóstico, como nas lesões palmares da disbetalipoproteinemia tipo III.
- Outras formas clínicas
- Xantoma planum: lesões extensas distribuídas em grandes áreas do corpo;
- Xantoma diabeticorum: associado a diabetes mellitus grave;
- Xantoma verrucoso: relacionado à presença de histiócitos no tecido conjuntivo.
A avaliação clínica deve sempre considerar a morfologia, localização e evolução das lesões, pois esses aspectos podem indicar a doença sistêmica subjacente e orientar a investigação diagnóstica.



Diagnóstico do Xantoma
O diagnóstico dos xantomas deve envolver uma avaliação combinada das lesões locais e da condição sistêmica subjacente, sendo fundamental para identificar possíveis doenças metabólicas associadas.
Inicialmente, a avaliação locorregional baseia-se no exame clínico, que na maioria dos casos é suficiente para o reconhecimento das lesões. Exames de imagem geralmente não são necessários, mas podem ser úteis em situações específicas. Radiografias costumam ser normais; a ultrassonografia pode ser empregada na avaliação de xantomas tendíneos; a ressonância magnética pode auxiliar no diagnóstico diferencial e no planejamento cirúrgico, quando indicado.
Uma vez identificado o xantoma, é indispensável realizar investigação sistêmica simultânea. O objetivo principal é detectar distúrbios do metabolismo lipídico e outras condições associadas. Devem ser solicitados exames laboratoriais, preferencialmente em jejum, incluindo triglicerídeos, colesterol total, LDL e HDL.
Além disso, certos padrões clínicos, como xantomas planos difusos ou em pregas palmares, podem ser indicativos de doenças específicas e devem direcionar a investigação. Conforme a suspeita clínica, também é importante avaliar parâmetros relacionados à síndrome metabólica, como glicemia e hemoglobina glicada.
Tratamento do Xantoma
O tratamento dos xantomas deve ser estruturado de forma sistemática, com foco principal na doença de base e, secundariamente, nas lesões cutâneas ou tendíneas.
Tratamento da condição sistêmica (base do manejo)
O objetivo principal é a normalização do perfil lipídico, reduzindo os níveis de lipoproteínas circulantes.
- Os inibidores da HMG-CoA redutase (estatinas) são a principal terapia;
- Apresentam benefício duplo: controle da hiperlipidemia e possível redução do tamanho dos xantomas;
Outras abordagens incluem:
- Controle rigoroso de doenças associadas;
- Uso de terapias mais recentes, como anticorpos monoclonais anti-PCSK9, especialmente na hipercolesterolemia familiar;
Tratamento das lesões xantomatosas
A abordagem local é reservada para casos específicos:
- Lesões sintomáticas;
- Dúvida diagnóstica;
Nessas situações:
- Pode-se realizar excisão cirúrgica, especialmente em xantomas tendíneos submetidos a atrito frequente, como no tendão de Aquiles;
- É fundamental associar a cirurgia ao controle da doença sistêmica para reduzir o risco de recorrência;
- Em áreas de difícil cicatrização, deve-se ter atenção ao manejo dos tecidos moles e às técnicas de fechamento, incluindo o uso de retalhos;
Terapias adicionais e situações especiais
- A regressão espontânea de xantomas menores pode ocorrer após adequado controle metabólico;
- Procedimentos como plasmaférese e transplante hepático já foram associados à redução das lesões;
- Em casos raros, como xantoma disseminado, a 2-clorodeoxiadenosina pode ser utilizada com bons resultados.
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Referências
Bell A, Shreenath AP. Xanthoma. [Updated 2023 Aug 28]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK562241/
Karolyn Wanat, MD. Cutaneous xanthomas. UpToDate, 2025. Disponível em: UpToDate


