Traumatismo cranioencefálico – definição, causas, tratamento

Traumatismo cranioencefálico – definição, causas, tratamento

Como vai, futuro Residente? O traumatismo cranioencefálico (TCE) é a principal causa de óbito e sequelas tanto em crianças quanto em adultos, ele ocorre por mecanismos trumáticos, sendo mais prevalente no sexo masculino.

No dia 31 de março, o ex-BBB Rodrigo Mussi sofreu um acidente de carro, ele estava sem cinto de segurança e foi encontrado de joelhos, atrás do banco. Rodrigo sofreu politraumatismo, incluindo traumatismo craniano, por issoteve que passar por procedimentos cirúrgicos. Vamos entender o que pode ter acontecido com o ex-bbb? Continue a leitura!

Definição e causas

O TCE é uma lesão que ocorre por um mecanismo de trauma externo, causando danos ao sistema nervoso central, como comprometimento das meninges, encéfalos ou seus vasos, que levam a alterações cerebrais muitas vezes graves. 

Acidentes automobilísticos podem causar graves TCEs associados à politraumas, pois geralmente envolvem mecanismos de altas velocidades de aceleração e desaceleração súbitas, em que o corpo vai para frente pelo impacto ou pela velocidade do carro. Uma das principais lesões típicas de acidentes automobilísticos é a lesão cervical “em chicote”, causando danos à coluna cervical e traumatismo craniano.

No caso do ex-BBB, o fato de estar sem cinto de segurança é um agravante do quadro, pois o corpo do paciente fica exposto a muito mais traumas do que estaria se estivesse protegido. Cerca de 50% dos casos de TCE ocorrem por acidentes de carro, principalmente na faixa etária dos 15 aos 24 anos, no sexo masculino. 

Outras causas importantes são quedas, principalmente em idosos, ou “causas violentas”, como ferimentos por projétil de arma de fogo e armas brancas, além de acidentes durante esportes e atividades recreativas. 

Fisiopatologia

Assim que ocorre o TCE, ocorrem mecanismos fisiopatológicos que podem causar sequelas por dias, semanas e até meses após a lesão, dependendo de sua gravidade. As lesões podem ser primárias, que ocorrem como resultado imediato ao trauma ou secundárias que se iniciam após o momento da lesão. 

Além disso as lesões podem ser focais, compostas por hematomas que acometem apenas uma região do cérebro, como contusões cerebrais, hematoma extradural agudo, hematoma subdural agudo, hematoma subdural crônico ou hematoma intracerebral; ou podem ser difusas, que acometem o cérebro como um todo e ocorrem por lesões cinéticas que causam rotação do encéfalo dentro da caixa craniana, como concussão, lesão axonal difusa ou hemorragia meníngea traumática.

O cérebro é nutrido pela oxidação da glicose, seu alto metabolismo faz com que necessite de um maior consumo de oxigênio. Com a lesão, ocorrem mecanismos que contribuem para morte celular após o trauma, causando distúrbios como hipóxia, distúrbios metabólicos, e eletrolíticos e hipertensão craniana. 

Ainda não se sabe exatamente o que aconteceu com o ex-BBB, mas acredita-se que possivelmente se trate de uma lesão focal, como hematoma subdural agudo, devido à gravidade que foi divulgada. 

Diagnóstico e classificação

A classificação do TCE é feita pela Escala de Coma de Glasgow, que avalia não só sua gravidade, mas também a deterioração do quadro neurológico do paciente, em que são avaliados a abertura dos olhos, melhor resposta verbal e melhor resposta motora. A classificação para adultos ocorre da seguinte maneira:

  • TCE leve: 13 a 15 pontos;
  • TCE moderado: 9 a 12 pontos; e
  • TCE grave: 3 a 8 pontos.

O diagnóstico pode ser suspeito durante a avaliação clínica do paciente, principalmente se ele se encontra irresponsivo, mas são necessários principalmente exames de imagem para além da confirmação, identificar o tipo de lesão, sua localização e permitir pensar na possível reversão do quadro, principalmente por tomografia computadorizada. 

Tratamento

Em mecanismos de politrauma, é importante que o atendimento primário seja o mais rápido e efetivo possível para minimizar os menores riscos possíveis que agravem o quadro do paciente. O protocolo internacional a ser seguido é o do ATLS. Portanto, devem ser analisadas primeiramente vias aéreas, respiração, estabilidade hemodinâmica, e posteriormente o quadro neurológico. Aqui no Portal do Estratégia MED você encontra um resumo exclusivo sobre ATLS, não deixe de conferir!

Após conseguir manter o paciente minimamente estável e diagnosticar o trauma cranioencefálico, o objetivo central do atendimento é evitar lesões secundárias através do controle da hipotensão e da hipóxia cerebral, além de avaliar a pressão intracraniana e a pressão de perfusão cerebral. 

O modo mais efetivo de cessar a lesão, é removendo a lesão expansiva que acomete as estruturas cerebrais, através de intervenção cirúrgica. Os procedimentos mais realizados são drenagem externa dos ventrículos e craniotomia descompressiva, que auxiliam na estabilização do paciente pela descompressão do hematoma. 

Porém, além do controle do quadro neurológico, o atendimento deve ser sistêmico para evitar outros possíveis danos ao organismo decorrentes do trauma. Devem ser realizados procedimentos que incluem suporte nutricional, controle glicêmico, suporte ventilatório, sedação e analgesia e suporte hemodinâmico, além de medicamentos como uso de barbitúricos para o controle da pressão intracraniana e anticonvulsivantes.

Sequelas

Na maioria dos casos, pessoas que sofrem traumatismos cranioencefálicos sofrem também politraumatismos, que podem interferir no processo de reabilitação. O cérebro é nosso centro de comando, portanto suas lesões podem causar sequelas em diferentes áreas do corpo, dependendo das áreas afetadas pelo trauma. 

Podem ser sequelas sensório-motoras, distúrbios cognitivos e alteração do nível de consciência, distúrbios sensoriais, motores ou comportamentais, que prejudiquem desde a capacidade cognitiva do indivíduo, até mecanismos inerentes como fala e deambulação. 

O prognóstico do paciente depende da gravidade do quadro, o paciente deve passar por um grande processo de reabilitação com equipe multiprofissional para retomar ao estado mais próximo de viabilidade antes do trauma. 

Gostou do conteúdo? Esse foi um pequeno resumo sobre traumatismo cranioencefálico (TCE), importante para seu conhecimento não só pelas provas de Residência Médica, mas principalmente pela sua prática clínica!

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