Resumo de PrEP injetável com Lenacapavir
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Resumo de PrEP injetável com Lenacapavir

Olá, querido doutor e doutora! A PrEP injetável com lenacapavir representa uma inovação no campo da prevenção do HIV, ao introduzir um esquema de longa duração com administração semestral. Essa estratégia amplia as opções disponíveis na prevenção combinada, especialmente para populações com maior risco de exposição sexual ao HIV.

O esquema semestral com lenacapavir demonstrou elevada eficácia na redução da incidência de HIV-1 em diferentes populações, com bom perfil de segurança e tolerabilidade.

O que é o PrEP injetável com Lenacapavir 

A profilaxia pré-exposição injetável com lenacapavir consiste em uma estratégia biomédica para prevenção da infecção pelo HIV-1, indicada para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso ≥ 35 kg e risco de aquisição sexual do HIV. O esquema utiliza um antirretroviral de ação prolongada, administrado por via subcutânea a cada 6 meses, o que o diferencia das modalidades orais de uso diário.

Mecanismo de ação do lenacapavir  

Inibição do capsídeo do HIV-1

O lenacapavir atua por meio da inibição direta da proteína capsídeo do HIV-1, uma estrutura altamente conservada e envolvida em diversas funções do ciclo viral. O fármaco liga-se a sítios específicos na interface das subunidades do capsídeo, promovendo alterações conformacionais que comprometem sua estabilidade e funcionalidade.

Ação em múltiplas etapas do ciclo viral

A ligação do lenacapavir ao capsídeo interfere simultaneamente em fases iniciais e tardias da replicação viral. Nas etapas iniciais, o fármaco prejudica a desintegração controlada do capsídeo, a entrada viral efetiva e o transporte nuclear do complexo pré-integração. Nas fases tardias, compromete a montagem adequada de novos vírions, resultando na liberação de partículas virais estruturalmente defeituosas e com baixa capacidade infectante.

Propriedades farmacológicas e duração de ação

A alta potência antiviral associada à longa meia-vida plasmática permite que o lenacapavir seja administrado por via subcutânea em intervalos semestrais, mantendo concentrações plasmáticas protetoras ao longo de vários meses. Esse perfil farmacodinâmico e farmacocinético sustenta sua utilização como PrEP injetável de longa duração, com eficácia demonstrada em estudos clínicos e modelos pré-clínicos.

Ausência de resistência cruzada com outras classes

O lenacapavir não pertence às classes tradicionais de antirretrovirais, como inibidores da transcriptase reversa, da protease ou da integrase. Essa característica confere um perfil distinto de resistência, reduzindo a probabilidade de resistência cruzada com outros fármacos utilizados na PrEP ou no tratamento do HIV, e ampliando suas possibilidades de uso em estratégias preventivas.

Perfil farmacológico e esquema de administração 

Perfil farmacológico

O lenacapavir é um inibidor do capsídeo do HIV-1 com alta potência antiviral e meia-vida prolongada, características que viabilizam seu uso como PrEP injetável de longa duração. Após a administração subcutânea, o fármaco forma um depósito local, a partir do qual ocorre liberação lenta e sustentada, mantendo concentrações plasmáticas protetoras por pelo menos seis meses.

Do ponto de vista farmacocinético, o lenacapavir apresenta baixa depuração sistêmica e estabilidade de níveis séricos, sem necessidade de ajuste de dose em insuficiência renal ou hepática. O potencial de interações medicamentosas clinicamente relevantes é reduzido, embora o fármaco atue como inibidor moderado do CYP3A4 e da P-glicoproteína, o que deve ser considerado na avaliação individual do paciente.

Esquema de administração

O esquema de administração da PrEP injetável com lenacapavir inclui uma fase inicial oral, seguida da manutenção subcutânea semestral. A indução consiste em duas doses orais de 600 mg, administradas nos dias 1 e 2, seguidas de uma injeção subcutânea única de 927 mg no início da fase injetável.

Após essa etapa, o regime de manutenção prevê a administração subcutânea de 927 mg a cada 26 semanas, garantindo cobertura preventiva contínua. O local preferencial de aplicação é o abdome, devendo a injeção ser realizada por profissional de saúde.

Tolerabilidade e eventos adversos

Os eventos adversos mais frequentemente observados estão relacionados ao local da injeção, incluindo dor, eritema e formação de nódulos, em geral de intensidade leve a moderada. Esses eventos apresentam evolução autolimitada e raramente resultam em interrupção do esquema, reforçando a boa tolerabilidade do lenacapavir na profilaxia pré-exposição.

Populações elegíveis para PrEP com lenacapavir 

Critérios gerais de elegibilidade

A PrEP injetável com lenacapavir é indicada para adultos e adolescentes com peso igual ou superior a 35 kg que apresentem risco de aquisição sexual do HIV-1. A elegibilidade pressupõe sorologia negativa para HIV no momento da avaliação e ausência de sinais clínicos ou laboratoriais sugestivos de infecção aguda.

Populações incluídas nos estudos clínicos

Os estudos que embasaram a aprovação do lenacapavir como PrEP incluíram mulheres cisgênero, homens cisgênero que fazem sexo com homens, pessoas transgênero e pessoas não binárias, contemplando uma população diversa quanto a sexo, identidade de gênero e práticas sexuais. Os resultados demonstraram proteção consistente em diferentes contextos epidemiológicos e perfis de risco.

Indicação baseada no risco individual

A indicação da PrEP com lenacapavir baseia-se na presença de risco substancial de infecção pelo HIV-1, independentemente de sexo biológico, identidade de gênero ou orientação sexual. Esse risco pode estar associado a múltiplos parceiros sexuais, uso inconsistente de preservativos, histórico recente de infecções sexualmente transmissíveis ou parceria sexual com pessoa vivendo com HIV sem supressão viral documentada.

Situações clínicas de maior benefício potencial

O lenacapavir injetável é uma opção particularmente adequada para indivíduos com dificuldade de adesão à PrEP oral diária, barreiras relacionadas ao estigma do uso contínuo de medicamentos ou preferência por esquemas com menor frequência de administração. Essas características favorecem maior persistência na profilaxia em populações historicamente vulneráveis.

Segurança e eventos adversos

Perfil geral de segurança

Os dados disponíveis indicam que o perfil de segurança do lenacapavir como PrEP injetável é favorável, com predominância de eventos adversos leves a moderados em adultos e adolescentes com peso ≥ 35 kg. A incidência de eventos graves e de descontinuação relacionada à segurança foi baixa e semelhante à observada com a PrEP oral diária.

Reações no local da injeção

As reações no local da injeção constituem os eventos adversos mais frequentes, incluindo dor, eritema e nódulos subcutâneos. Essas manifestações ocorreram em elevada proporção dos participantes, geralmente classificadas como grau 1 ou 2, com baixa taxa de interrupção do tratamento.
Os nódulos subcutâneos tendem a ser palpáveis, com tamanho moderado, podendo persistir por semanas ou meses, porém com redução progressiva após aplicações subsequentes. Não foram descritos casos de queloide, necrose ou reações locais graves.

Eventos adversos sistêmicos

Entre os eventos sistêmicos relatados, destacam-se cefaleia, diarreia, náusea e infecções respiratórias, além de infecções sexualmente transmissíveis, como clamídia e gonorreia. A frequência desses eventos foi comparável à observada em usuários de PrEP oral, sem sinal de aumento de risco associado ao lenacapavir.

Eventos graves e alterações laboratoriais

A ocorrência de eventos adversos de maior gravidade foi incomum, com taxas semelhantes entre os diferentes esquemas de PrEP. As alterações laboratoriais observadas foram, em sua maioria, leves e transitórias, sem evidência de toxicidade sistêmica clinicamente relevante. Não foram identificados sinais de comprometimento renal ou hepático atribuíveis ao lenacapavir.

Aspectos regulatórios e situação no Brasil

Aprovação regulatória internacional

O lenacapavir teve sua indicação para profilaxia pré-exposição (PrEP) do HIV-1 aprovada por autoridades regulatórias internacionais após resultados consistentes de eficácia e segurança em estudos de fase 3. A aprovação contempla adultos e adolescentes com peso ≥ 35 kg, com risco de aquisição sexual do HIV, utilizando administração subcutânea semestral como estratégia preventiva.

Situação regulatória no Brasil

No Brasil, o lenacapavir obteve registro sanitário pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em PrEP, ampliando o portfólio de tecnologias biomédicas disponíveis para prevenção do HIV. O medicamento encontra-se autorizado para comercialização, com indicação formal alinhada ao perfil populacional estudado nos ensaios clínicos.

Incorporação no Sistema Único de Saúde

A disponibilização no Sistema Único de Saúde (SUS) depende de avaliação específica pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que analisa critérios como impacto orçamentário, custo-efetividade e relevância em saúde pública. Até a conclusão desse processo, o uso no SUS permanece condicionado às decisões das instâncias gestoras do Ministério da Saúde.

Integração às estratégias de prevenção combinada

No contexto das políticas nacionais, o lenacapavir tem potencial para integração às estratégias de prevenção combinada do HIV, complementando modalidades já existentes, como PrEP oral diária, PEP, testagem regular e uso de preservativos. Sua posologia semestral pode favorecer maior persistência na profilaxia em populações com barreiras à adesão a esquemas contínuos.

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Veja também

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Referências bibliográficas 

  1. DE CLERCQ, Erik et al. Lenacapavir: a capsid inhibitor for HIV-1 treatment and prevention. Biochemical Pharmacology, v. 240, p. 117125, 2025.
  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Sunlenca® (lenacapavir): nova indicação. Brasília: Anvisa, 2026. 
  1. KOREN, D. E.; CHAHINE, E. B.; SHERMAN, E. M. Lenacapavir: a twice-yearly injectable for HIV preexposure prophylaxis. The Annals of Pharmacotherapy, 2025.
  2. MCKELLAR, M. S. Lenacapavir: a first-in-class capsid inhibitor for HIV treatment and prevention. Current Opinion in Infectious Diseases, 2025.
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