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Visão geral
A duloxetina é um antidepressivo inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) sintetizado na década de 1980. Atualmente no Brasil possui indicações rotuladas e com eficácia comprovada para fibromialgia, transtorno de ansiedade generalizada, depressão maior unipolar, dor crônica, principalmente dor lombar e osteoartrite de joelho crônicas e dor neuropática associada ao diabetes mellitus.
Dicas para uso da Duloxetina
- Ingerir associado a alimentos pode atrasar o início de ação, mas parece afetar pouco o efeito final.
- A duloxetina apresentou taxas maiores de descontinuação do que placebo ou fluoxetina em estudos. A náusea é o principal motivo da descontinuação.
- Esse medicamento não está incluído na lista de Assistência Farmacêutica do SUS.
- Deve ser evitada em pacientes com insuficiência renal grave.
- A duloxetina é, via de regra, bem tolerada, mas pode estar associada a outros efeitos adversos, como sangramento, reabsorção óssea e hiponatremia.
- Para pacientes que descontinuam a duloxetina deve-se diminuir a dose ao longo de duas a quatro semanas para reduzir os eventos adversos da descontinuação.
Indicações e dosagem
Transtorno depressivo maior (unipolar): Doses aprovadas de duloxetina para esses casos são de 30 a 120 mg por dia. Estudos comprovaram eficácia em sintomas depressivos e ideação suicida.
Fibromialgia: Tratamento da fibromialgia em pacientes adultos e pediátricos ≥13 anos de idade. 30 mg uma vez ao dia por 1 semana, depois aumente para 60 mg uma vez ao dia conforme tolerado. Alternativamente, titulações mais lentas foram avaliadas: 20 mg uma vez ao dia, depois aumentar em 20 mg todas as semanas até 60 mg uma vez ao dia conforme tolerado.
Transtorno de ansiedade generalizada: Tratamento do transtorno de ansiedade generalizada em pacientes adultos e pediátricos ≥7 anos de idade. A dose almejada é 60 mg/dia inicialmente.
Doses maiores que 60 mg/dia não conferem benefício adicional em ensaios clínicos, alguns especialistas consideram razoável aumentar a dose em indivíduos que não respondem satisfatoriamente a 60 mg/dia até uma dose máxima de 120 mg/dia.
Dor crônica: Tratamento da dor musculoesquelética crônica, incluindo osteoartrite do joelho e dor lombar em adultos. Para dor lombar e cervical não radicular crônica é utilizada como adjuvante em pacientes com resposta inadequada à terapia não farmacológica e AINE. Dose inicial de 30 mg uma vez ao dia por 1 a 2 semanas, aumentando para 60 mg uma vez ao dia conforme tolerado, alcançando dose máxima: 60 mg/dia.
Na osteoartrite do joelho é um agente alternativo para pacientes com sintomas moderados a graves e uma resposta inadequada a AINEs orais ou quando AINEs orais são contraindicados. Dose inicial de 30 mg uma vez ao dia por 1 semana, depois dose máxima de 60 mg uma vez ao dia.
Dor neuropática associada ao diabetes mellitus: É uma opção de tratamento de primeira linha para dor neuropática em pacientes com neuropatia diabética. Acredita-se que o efeito modulador da dor seja mediado principalmente pela norepinefrina sináptica e efeitos na percepção central da dor. Doses iniciais mais baixas podem ser consideradas em pacientes quando a tolerabilidade até alcançar a dose máxima é de 60 mg/dia.
#Ponto importante: Na dor neuropática doses de até 120 mg/dia foram estudadas em ensaios clínicos, mas não conferiram nenhum benefício adicional.
Efeitos adversos importantes da duloxetina
- A náusea é o sintoma mais comum que leva à descontinuação.
- Monoterapia com duloxetina, assim como outros antidepressivos, em pacientes com transtorno bipolar pode precipitar um episódio misto/maníaco.
- Podem aumentar o risco de sangramento, principalmente se usados concomitantemente com antiplaquetários e/ou anticoagulantes.
- Houve relatos de hepatotoxicidade grave consistente com lesão, incluindo insuficiência hepática em pacientes tratados com duloxetina.
- Pode causar a síndrome de secreção inapropriada do hormônio antidiurético (SIADH) e/ou hiponatremia leve ou grave, predominantemente em idosos.
- Os inibidores da recaptação de serotonina norepinefrina (SNRIs) estão associados ao glaucoma agudo de ângulo fechado (AACG) em relatos de casos.
- A síndrome serotoninérgica foi relatada e normalmente ocorre com a coadministração de vários medicamentos serotoninérgicos.
- Orgasmo anormal , disfunção erétil , diminuição da libido e priapismo foram relatados com duloxetina.
- A descontinuação abrupta está associada à síndrome de abstinência.
Características farmacológicas da duloxetina
Farmacodinâmica
A duloxetina possui inibição dupla com ação balanceada sobre a recaptação de noradrenalina e 5-HT e uma ação fraca sobre a recaptação de dopamina, possuindo ações como antidepressivos e analgésicos. A duloxetina não tem atividade significativa para os receptores colinérgicos muscarínicos, H 1 -histaminérgicos ou alfa 2 -adrenérgicos.
Farmacocinética
A duloxetina é bem absorvida quando administrada por via oral. Quando ingerido junto com o alimento não tem efeito na concentração máxima, mas retarda um pouco o início de ação. O tempo para pico de ação é: 5 a 6 horas, mas atrasos na alimentação de 1,7 a 4 horas. Esse atraso não ocorre quando o medicamento é tomado no período da manhã.
É metabolizado pelo fígado, via CYP1A2 e CYP2D6, formando múltiplos metabólitos inativos prontos para excreção. A eliminação ocorre predominantemente na forma de metabólitos por via renal (70%) e fezes (20%). A meia-vida é de cerca de 10 horas para crianças e adolescentes e média de 12 horas para adultos.
Veja também:
- Resumo sobre fluoxetina: indicações, farmacologia e mais
- Resumo sobre escitalopram
- Resumo sobre dopamina
- Resumo sobre bupropriona: indicações, farmacologia e mais!
- Resumo de transtorno de ansiedade generalizada
- Resumo sobre transtorno bipolar: diagnóstico, tratamento e mais!
- Resumo sobre transtorno do pânico: diagnóstico, tratamento e mais!
Referências bibliográficas:
- Duloxetine: Drug information. Uptodate.
- Nascimento MHF, Barbosa AM. Eficácia e segurança de duloxetina comparada a outros antidepressivos disponíveis no SUA para o tratamento de depressão maior: revisão rápida de evidências. Rev Cient Esc Estadual Saúde Pública Goiás “Cândido Santiago”. 2022
- Shelton RC. Serotonin and Norepinephrine Reuptake Inhibitors. Handb Exp Pharmacol. 2019;250:145-180. doi: 10.1007/164_2018_164.
- Crédito da imagem em destaque: Pexels