E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a Diálise Peritoneal, uma modalidade de terapia renal substitutiva que utiliza o peritônio como membrana semipermeável para a remoção de toxinas e excesso de líquidos do organismo, sendo uma alternativa à hemodiálise no manejo da doença renal crônica.
O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.
Vamos nessa!
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Definição de Diálise Peritoneal
A diálise peritoneal é um método de terapia renal substitutiva no qual o peritônio atua como uma membrana semipermeável natural, permitindo a remoção de toxinas e excesso de líquidos do organismo por meio da infusão de uma solução dialítica na cavidade abdominal.
Esse processo ocorre por difusão e ultrafiltração, sendo uma alternativa à hemodiálise no tratamento de pacientes com insuficiência renal crônica, com a vantagem de possibilitar maior autonomia ao paciente e, em muitos casos, melhor sobrevida inicial.
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Indicações da diálise peritoneal
A indicação da diálise peritoneal deve ser individualizada e centrada no paciente. De acordo com o texto, é fundamental que o clínico avalie o risco do uso precoce de cateter venoso central para hemodiálise em comparação com os benefícios de iniciar a diálise peritoneal com um cateter peritoneal. Assim, a diálise peritoneal surge como uma alternativa inicial à hemodiálise, especialmente quando se busca reduzir complicações relacionadas ao acesso vascular e melhorar desfechos precoces.
Contraindicações da diálise peritoneal
A diálise peritoneal é contraindicada em situações que comprometem a integridade ou o funcionamento adequado da cavidade abdominal, incluindo:
- Hérnia de parede abdominal não corrigida;
- Shunt pleuroperitoneal;
- Aderências abdominais.
Essas condições dificultam a distribuição do líquido dialítico ou aumentam o risco de complicações, inviabilizando o uso seguro da técnica.
Equipamento e inserção do cateter de diálise peritoneal
A colocação do cateter de diálise peritoneal é um passo fundamental para o sucesso da terapia, podendo ser realizada por diferentes técnicas, com taxas de sucesso variando de 80% a 100% na literatura.
Técnicas de inserção
Existem três principais abordagens:
- Cirúrgica aberta;
- Laparoscópica;
- Percutânea (frequentemente guiada por fluoroscopia).
De modo geral, a técnica cirúrgica aberta está associada a maior número de complicações, como mau funcionamento do cateter, vazamentos e migração. Já a via laparoscópica tende a apresentar melhor sobrevida do cateter ao longo do tempo.
Em um estudo comparando inserção percutânea versus laparoscópica, observou-se maior sobrevida livre de complicações no grupo percutâneo (42,5% vs. 18,1%), embora a sobrevida do paciente e do cateter em um ano tenha sido semelhante entre as técnicas.
Fatores que influenciam a escolha da técnica
A escolha do método é influenciada por características do paciente e pela experiência do profissional. Em geral:
- Ambas as técnicas (cirúrgica e percutânea) apresentam baixas taxas de complicação quando realizadas por operadores experientes;
- Pacientes obesos, com cirurgias abdominais prévias ou histórico de peritonite relacionada à diálise peritoneal podem se beneficiar da abordagem laparoscópica avançada.
Aspectos práticos
- A implantação cirúrgica costuma ser mais demorada, devido a etapas como encaminhamento, agendamento de centro cirúrgico e avaliação pré-operatória;
- A inserção percutânea guiada por nefrologista é mais rápida, podendo ser feita em ambiente ambulatorial, com sedação;
- Essa rapidez torna a técnica percutânea especialmente útil em situações agudas, quando há necessidade de início precoce da diálise.
Preparação e benefícios da diálise peritoneal (DP)
Iniciar a diálise por meio de um cateter peritoneal (PDC) apresenta vantagens importantes quando comparado ao uso de cateter venoso central para hemodiálise (HDC), especialmente em termos de menor morbidade, menor mortalidade e menor custo.
Vantagens em sobrevida
Estudos observacionais de grande porte demonstram que a diálise peritoneal pode oferecer uma vantagem de sobrevida nos primeiros 1 a 3 anos de tratamento. Além disso, dados do United States Renal Data System (2013) indicam uma maior probabilidade ajustada de sobrevida em 5 anos para pacientes em diálise peritoneal quando comparados à hemodiálise.
Entretanto, essa aparente vantagem inicial pode ser parcialmente explicada por viés de seleção, já que:
- Pacientes mais saudáveis tendem a optar pela diálise peritoneal;
- Pacientes com mais comorbidades frequentemente iniciam hemodiálise após eventos agudos, apresentando maior mortalidade precoce que pode ser erroneamente atribuída ao método.
Evidências mais recentes (controle de viés)
Estudos canadenses mais recentes buscaram reduzir esse viés:
- Em pacientes com início programado de diálise e acompanhamento prévio com nefrologista, não houve diferença na mortalidade em 2 anos entre DP e hemodiálise;
- Em pacientes sem diabetes, a diálise peritoneal mostrou benefício de sobrevida prolongado além de 2 anos;
- Outro estudo evidenciou que o maior risco de morte está associado ao uso de cateter venoso central na hemodiálise (aumento de 80% no risco), e não necessariamente à modalidade em si;
- Quando a hemodiálise é realizada por fístula arteriovenosa ou enxerto, a mortalidade é semelhante à da diálise peritoneal.
A escolha da diálise peritoneal como modalidade inicial pode ser vantajosa, especialmente quando:
- Há possibilidade de início programado;
- Evita-se o uso de cateter venoso central;
- O paciente apresenta menor carga de comorbidades.
Técnica e tratamento da diálise peritoneal (DP)
A diálise peritoneal é uma modalidade de terapia renal substitutiva que pode ser realizada no domicílio, oferecendo maior autonomia ao paciente em comparação à hemodiálise, que geralmente exige deslocamentos frequentes a centros especializados.
Etapas iniciais do tratamento
Os pacientes selecionados para DP passam inicialmente pela implantação do cateter peritoneal, por uma das técnicas disponíveis. Após a cicatrização do cateter, é necessário um período de treinamento de 2 a 3 semanas em unidade especializada, no qual o paciente aprende a realizar o procedimento com técnica asséptica adequada, fundamental para prevenir infecções.
Princípio do funcionamento
A remoção de toxinas na DP ocorre principalmente por difusão, em que solutos urêmicos passam do sangue, através da membrana peritoneal, para o líquido de diálise introduzido na cavidade abdominal. Após um período de permanência (dwell), esse líquido é drenado e descartado, removendo as substâncias indesejadas.
Modalidades de realização
A diálise peritoneal pode ser realizada de duas formas principais:
- Automatizada (DPA): Utiliza uma máquina (cicladora) conectada a bolsas de solução dialítica. O equipamento é programado para:
- Infundir o volume de líquido na cavidade peritoneal;
- Manter o líquido por um tempo determinado;
- Drenar automaticamente o conteúdo;
Esse ciclo é repetido várias vezes, geralmente durante a noite, conforme as necessidades do paciente e as características da membrana peritoneal.
- Manual (DP ambulatorial contínua – DPAC): O próprio paciente realiza as trocas manualmente, infundindo e drenando o líquido diversas vezes ao longo do dia, para garantir a depuração adequada de toxinas.
Complicações da diálise peritoneal
A infecção da cavidade peritoneal (peritonite) é a complicação mais importante da diálise peritoneal, pois pode não apenas levar à falha da técnica, mas também representar risco potencialmente fatal para o paciente.
Prevenção
A incidência de infecções pode ser significativamente reduzida por meio de:
- Treinamento adequado do paciente;
- Educação contínua;
- Rigor na técnica asséptica durante o manuseio do cateter de diálise peritoneal (PDC).
Manifestações clínicas
A maioria dos casos se apresenta com:
- Dor abdominal;
- Líquido peritoneal turvo.
O diagnóstico é feito pela análise do líquido da diálise peritoneal, sendo sugestivo de infecção:
- Contagem de leucócitos (WBC) > 100 células/mL no fluido.
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Referências
Sachdeva B, Zulfiqar H, Aeddula NR. Peritoneal Dialysis. [Updated 2023 Aug 8]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK532979/
Ponce D, Balbi A, Cullis B. Acute PD: Evidence, Guidelines, and Controversies☆. Semin Nephrol. 2017 Jan;37(1):103-112. doi: 10.1016/j.semnephrol.2016.10.011. PMID: 28153190.



