ResuMED de cefaleias: primária, secundária, abordagens e muito mais!

ResuMED de cefaleias: primária, secundária, abordagens e muito mais!

Como vai, futuro Residente! As cefaleias são um tema muito cobrado nas provas de Residência Médica. Por isso, nós do Estratégia MED, preparamos um resumo exclusivo com tudo o que você precisa saber sobre o assunto para alcançar sua tão sonhada vaga! Quer saber mais? Continue a leitura. Bons estudos!

Introdução 

A cefaleia (dor de cabeça) é causada por comprometimento de estruturas intra ou extracranianas com inervação dolorosa, afetando cerca de 90% da população e sendo mais comum em mulheres. Segundo a Terceira edição da Classificação Internacional das Cefaleias, pode ser dividida em 3 tipos (primária, secundária e outras como dores faciais e neuralgias cranianas, que serão abordadas ao longo do texto. 

Lembre-se: o cérebro em si não costuma ser fonte de dor, mas sim as estruturas adjacentes a ele. 

Seus fatores de risco devem ser obrigatoriamente pesquisados, pois podem caracterizar cefaleias secundárias. São eles: início da dor após os 50 anos, associação de anticoncepcional e tabagismo, uso de anticoagulantes, imunossupressão e câncer, uso diários de analgésicos. 

As crises de dor de cabeça podem vir acompanhadas de outros sintomas, como náuseas, vômitos, foto, osmo e fonofobia – características importantes para a diferenciação dos tipos de cefaleias. 

Com isso, alguns sinais de alerta são importantes, podendo ser decorado pelo mnemônico INSIPIDA, observe:

  • I – início: início súbito;
  • N – neurológico: alterações no exame neurológico, convulsões;
  • S – sistêmico:  toxemia, rigidez nucal, rash cutâneo e imunossupressão;
  • I – idade: após os 50 anos;
  • P – papiledema: borramento da papila no fundo de olho;
  • I – inédita: ausência de episódios prévios – atinge sua intensidade máxima em menos de 1 minuto;
  • D – despertar: desperta o paciente; e
  • A – anticoagulantes: pacientes que fazem o uso de anticoagulantes.

Obs.: Nos casos de pacientes com cefaleia inédita, é importante suspeitar de hemorragia subaracnóidea

Cefaleias primárias

São condições, nas quais a dor de cabeça em si é a doença, sem outra causa clínica específica que a justifique. Essa é a mais comum, cerca de 55% dos casos. Sua duração de dor é entre 4 e 72 horas. Confira a seguir os tipos de cefaleias primárias:

Enxaqueca

Também chamada de migrânea, pode ser dividida em clássica (com aura) ou comum (sem aura), os pacientes afetados apresentam dores com características típicas, sendo assintomático fora das crises.

A aura de enxaqueca tem duração de 5 a 60 minutos, dependendo do local acometido no córtex, se manifesta de maneiras diferentes, a mais comum é a manifestação aura visual, que ocorre no lobo occipital. Para saber mais sobre cada uma, confira o material exclusivo do Estratégia MED! 

De maneira geral, a dor migrânea é caracterizada por crises recorrentes com duração variável de 4 a 72 horas quando não tratada. É uma dor de caráter pulsátil, latejante ou em pontadas geralmente incapacitantes e ao menos de intensidade moderada, podendo estar associada a náuseas ou até mesmo vômitos. 

Seus critérios diagnósticos incluem:

  • Número de episódios: pelo menos 5 crises, preenchendo os outros requisitos;
  • Duração: 4h-74h sem tratamento eficaz;
  • Pelo menos duas características: unilateral, pulsátil, intensidade moderada a grave, piora com atividade física ou aversão a ela;
  • Pelo menos um sintoma associado: náusea e/ou vômitos, foto e fonofobia; e
  • Diagnóstico diferencial: sem outra explicação plausível para a dor. 

Pode ser que a enxaqueca leve a algumas complicações, como o status migranoso, quando há cefaleia com duração maior de 72 horas. Mas, a mais temida delas é o infarto enxaquecoso, em que o paciente apresenta uma crise de migrânea com aura, com duração maior de 1 hora, com evidência de infarto em exames de neuroimagem. 

Por fim, seu tratamento pode ser profilático ou sintomático; O sintomático tem como objetivo aliviar os sintomas da dor e os associados, como náuseas e vômitos. Na plataforma Estratégia MED você tem acesso ao tratamento completo da enxaqueca, não deixe de conferir!

Cefaleia tipo tensão

Esta é a segunda doença mais prevalente no mundo. Classificada de acordo com a quantidade de crises, pode ser infrequente, frequente ou crônica. 

Apesar de ter alguns aspectos semelhantes à enxaqueca, a cefaleia tipo tensão apresenta uma dor não pulsátil em mais de 80% dos casos. Além disso, sua duração é de 30 minutos a 7 dias, sendo uma dor bilateral, de intensidade leve a moderada. 

O tratamento também pode ser profilático ou sintomático, sendo feito, respectivamente,  com amitriptilina e analgésicos simples ou AINES. 

Cefaleia em salvas

Também chamada de cluster headache, é um tipo de cefaleia muito raro, mas muito frequente em provas de Residência! 

Ocorre cerca de 4 vezes mais em homens do que mulheres, geralmente dos 20 aos 50 anos de idade, em que o paciente apresenta quadros de dor intensa repetitivos em um curto espaço de tempo (de 6 a 12 semanas), podendo estar associada a sintomas autonômicos, como rinorreia ou hiperemia conjuntival, além da síndrome de Horner (miose, semiptose palpebral e  anidrose ipsilaterais à dor).

Segundo a terceira edição da Classificação Internacional de Cefaleias, seu diagnóstico segue os seguintes critérios:

  • Número de crises: pelo menos 5, preenchendo outros critérios;
  • Intensidade, localização e duração: dor forte e muito forte/orbitária, supraorbitária e/ou temporal unilateral/de 15 a 180 minutos, se não tratada;
  • Pelo menos 1: hiperemia conjuntival e/ou lacrimejamento ipsilaterais, congestão nasal e/ou rinorreia ipsilaterais, edema palpebral ipsilateral, sudorese frontal e facial ipsilateral, miose e/ou ptose palpebral, sensação de inquietude ou agitação;
  • Frequência: uma crise a cada 2 a 8 dias; e
  • Diagnóstico diferencial: sem outra etiologia evidente da dor.

Seu tratamento sintomático é feito, na maioria dos casos, com oxigenioterapia, e o profilático com verapamil

Cefaleias secundárias

São as cefaleias secundárias a outras doenças de base, surgindo como um sintoma.

Lembre-se: no pronto-socorro, o paciente com queixa de dor de cabeça apresenta cefaleia secundária até que se prove o contrário.

Veja a seguir os diagnósticos diferenciais das cefaleias secundárias: 

Arterite de células gigantes

Nada mais é do que uma vasculite de artérias de grande calibre, muito cobrada nas provas de Residência, também conhecida como arterite temporal (muito comum após os 50 anos de idade).

Além da cefaleia em si, pode estar associada a amaurose fugaz, claudicação mandibular e polimialgia reumática, sendo muito importante no exame físico notar o espessamento doloroso da artéria temporal, muitas vezes visível sob a pele. 

Seu diagnóstico pode ser complementado por hemograma, com as elevações dos índices de VHS e PCR, confirmando por biópsia de artéria temporal, e o tratamento é feito com doses elevadas de corticosteroides. 

Trombose venosa cerebral e pseudotumor cerebral 

São duas condições clínicas que causam a cefaleia por conta do aumento da pressão intracraniana. Os pacientes podem apresentar, além da cefaleia, papiledema ao exame neurológico, devendo ser investigada por neuroimagem para confirmação diagnóstica. 

Porém, para confirmar a hipertensão craniana em si, deve ser realizada coleta de líquor com manometria, encaminhando para um oftalmologista caso a pressão esteja normal, ou para avaliação de circulação venosa cefálica caso esteja aumentada de fato. 

A trombose venosa cerebral se associa a um quadro de dor orbital, quemose, proptose e paralisia locomotora, podendo apresentar sinal do delta vazio e infarto venoso em tomografia. Porém, para confirmar o diagnóstico, deve ser realizado um exame angiográfico venoso, como angiotomografia, onde é possível detectar falha no enchimento pelo contraste do seio comprometido, e pode ser tratada com anticoagulação.

Já o pseudotumor cerebral é muito comum em mulheres em idade fértil que estejam acima do peso, podem surgir sintomas como alterações visuais transitórias, diplopia e perda visual sustentada, além da cefaleia. Ao exame neurológico, a paciente geralmente apresenta papiledema, e sua complicação mais comum é a perda visual. 

O diagnóstico de pseudotumor cerebral pode ser feito por exame de líquor também, observando o aumento da pressão intracraniana, seu tratamento é associado a perda de peso unido a medicamentos que diminuam a produção de líquor.

Outros tipos de cefaleia secundária são por hipertensão liquórica, cefaleia crônica diária, em tumores cerebrais ou por hemorragia subaracnóidea. Para saber mais sobre cada uma delas, consulte o material completo e exclusivo do Estratégia MED!

Neuralgia trigeminal 

Ocorre de acordo com a inervação do nervo trigêmeo nos nervos da face, é a mais comum nos territórios V2 e V3. Caracterizada por ter  episódios recorrentes, com dor em choque, de curta duração, com início e término abrupto e desencadeado por gatilhos táteis. 

Acomete geralmente mulheres acima dos 50 anos e pode ser tratada com carbamazepina, e em casos refratários, com aplicação de toxina botulínica ou tratamento cirúrgico. 

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