ResuMED de abdome agudo em ginecologia: definições, causas e mais!

ResuMED de abdome agudo em ginecologia: definições, causas e mais!

Como vai, futuro Residente? Você sabia que o abdome agudo é extremamente frequente nas provas de Residência Médica, não só para Cirurgia Geral, mas também em Ginecologia? Esse tema está presente em pelo menos 1% das questões.

Por isso, é extremamente importante que você esteja inteirado do assunto para alcançar sua tão sonhada vaga! Nós, do Estratégia MED, preparamos um resumo exclusivo com tudo o que você precisa saber sobre o tema, desde suas definições até suas causas, diagnósticos e tratamentos. Para saber mais, continue a leitura. Bons estudos!

Introdução

Por definição, abdome agudo é uma síndrome cuja manifestação mais característica é a dor abdominal, já sua abordagem deve ser imediata, seja ela clínica ou cirúrgica. Por ser uma afecção potencialmente grave, o abdome agudo possui grande importância clínica, já que seu diagnóstico tardio e, consequentemente, tratamento tardio podem levar a graves complicações futuras, inclusive ao óbito. 

Entre as suas principais causas estão as patologias ginecológicas, que se manifestam na maioria dos casos com dor no hipogástrio e na pelve. 

Patologias ginecológicas:  dismenorreia, abortamentos, doença inflamatória pélvica, torção de ovário, gravidez ectópica, cisto hemorrágico roto, dor do meio/dor de ovulação/Mittelschmerz, tumor/cisto ovariano e mioma parido. 

Nesses casos, para investigação de abdome agudo de causa ginecológica, deve ser requisitada uma ultrassonografia pélvica transvaginal e um exame de beta HCG para eliminar possível causa de gravidez ectópica em mulheres de idade reprodutiva com dor abdominal. 

Veja agora um pouco sobre algumas das patologias ginecológicas mais importantes que podem causar abdome agudo. 

Torção anexial 

Consiste na torção do ovário e da tuba uterina em relação aos ligamentos útero ovárico e infundíbulo pélvico, a qual ocorre mais comumente no anexo direito, devido a maior estabilidade do esquerdo pelo cólon sigmóide. 

Seu principal fator de risco é a presença de tumor ovariano, mas outros fatores, como a presença de cistos maiores que 4 centímetros, também influenciam na ocorrência de torção anexial. Curiosamente, cistos maiores que 10 centímetros diminuem o risco, devido ao peso e à maior estabilidade na pelve. 

A chance de desenvolver torção anexial por lesões malignas costuma ser menor, já na gestação aumenta pelo crescimento uterino e distensão dos ligamentos. 

A evolução do quadro pode levar à necrose ou até mesmo infecção, com peritonite no exame físico, além de sinais inespecíficos associados, como náuseas e vômitos.

Seu diagnóstico é essencialmente clínico, mas exames de imagem podem complementar, como a ultrassonografia com Doppler, em que os achados incluem: massa pélvica, aumento de volume ovariano, líquido livre na pelve e estruturas ovarianas císticas periféricas uniformes, com presença ou não de fluxo ao Doppler. 

A torção anexial é uma emergência cirúrgica e deve ser tratada imediatamente para que não cause a perda do anexo. O tratamento pode ser conservador ou definitivo, caso necessário, geralmente é realizado por videolaparoscopia. 

Cisto hemorrágico

Os cistos funcionais são folículos que não ovularam por terem mantido seu desenvolvimento, eles podem ser preenchidos por conteúdo folicular ou sangue. Quando preenchidos por sangue, são denominados cistos hemorrágicos, geralmente assintomáticos que regridem até o próximo ciclo menstrual, mas podem alcançar maiores proporções, culminando no quadro de abdome agudo hemorrágico. 

Seu quadro clínico é caracterizado por dor pélvica súbita, de intensidade variável, associada ou não ao exercício físico ou atividade sexual. Em sangramentos maiores, pode haver sinais de irritação peritoneal, que pode evoluir para choque hipovolêmico por instabilidade hemodinâmica

Além de boa avaliação clínica, exames de imagem como a ultrassonografia podem auxiliar no diagnóstico, pois neles podem ser encontrados cistos hemorrágicos com parede irregulares, com conteúdo heterogêneo ou a presença de debris e septos, refletindo sobre a existência de coágulos. Em casos de rupturas, pode haver líquido na cavidade pélvica em quantidade variável. 

Em pacientes com dor localizada, sem peritonite, sem sinais de sangramento importante e com hemograma sem sinais de perda sanguínea, a conduta é expectante, com uso de analgésicos e anti-inflamatórios. Já quando o caso for o contrário, com presença dos sinais de peritonite difusa, grande quantidade de líquido na cavidade abdominal, instabilidade hemodinâmica ou níveis hematimétricos em queda, deve ser realizada uma laparotomia exploratória ou uma ooforoplastia, até mesmo uma ooforectomia, caso necessário. 

Gravidez ectópica

É toda gestação que ocorre fora da cavidade endometrial, na maioria dos casos na tuba uterina. 

Pacientes com atraso menstrual, sangramento vaginal e dor abdominal com certeza possuem um quadro sugestivo de gravidez ectópica, que pode estar associada a sintomas como instabilidade hemodinâmica e anemia, além de irritação peritoneal. Seu tratamento é SEMPRE cirúrgico, geralmente por laparotomia exploradora. 

Novamente: toda mulher com dor abdominal em idade reprodutiva deve ser sujeita a exame de beta HCG para descartar possível gestação ectópica. 

Doença inflamatória pélvica (DIP)

É uma importante causa de abdome agudo em ginecologia e consiste em um processo inflamatório do trato genital superior

Os sinais e sintomas são leves e inespecíficos, a não ser em casos de urgências abdominais em que há um quadro clínico mais importante. Geralmente, consiste em dor pélvica de intensidade considerável e, no exame físico, dor à mobilização de colo e à palpação anexial (quando houver massa anexial palpável com presença de abscesso tubo-ovariano). Em quadros mais graves, pode haver sinais de sepse ou choque séptico, além de secreção mucopurulenta de colo. 

Dor do meio/ dor de ovulação/ Mittelschmerz

É a causa de dor pélvica em cerca de 20% das mulheres e trata-se de uma afecção benigna, caracterizada por dor unilateral, próxima ao período ovulatório, de graus variáveis e que desaparece espontaneamente. Considera-se de parâmetro variável, pois, em mulheres com ciclos bem regulados, é possível estimular o período ovulatório (geralmente no 14° dia do ciclo menstrual).

Ocorre devido à contração tubária e à ruptura da parede ovariana na ovulação. É diagnosticada essencialmente pela clínica e seu tratamento consiste no uso de medicação para os sintomas da dor, sem necessidade de intervenção cirúrgica. 

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