SUS amplia uso da doxiciclina como profilaxia pós-exposição para prevenção de sífilis e clamídia
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SUS amplia uso da doxiciclina como profilaxia pós-exposição para prevenção de sífilis e clamídia

O Ministério da Saúde publicou na edição de ontem (11) do Diário Oficial da União (DOU) a portaria que amplia no Sistema Único de Saúde (SUS) o uso da doxiciclina 100 mg como profilaxia pós-exposição (Doxi-PEP) para prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) bacterianas, especialmente sífilis e clamídia.

A medida formaliza a incorporação da estratégia após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e consulta pública, que analisaram evidências de eficácia e segurança da intervenção.

Segundo a portaria, as áreas técnicas do Ministério da Saúde terão até 180 dias para efetivar a oferta da estratégia no SUS, o que indica que a Doxi-PEP deverá estar disponível na rede pública até setembro de 2026. Acesse a portaria na íntegra:

O que é a estratégia Doxi-PEP

A Doxi-PEP (doxycycline post-exposure prophylaxis) consiste na administração de doxiciclina após uma exposição sexual de risco, com o objetivo de prevenir o desenvolvimento de infecções bacterianas sexualmente transmissíveis.

O esquema recomendado envolve:

  • 200 mg de doxiciclina em dose única (dois comprimidos de 100 mg ao dia);
  • Administração preferencialmente nas primeiras 24 horas após a exposição sexual;
  • Limite máximo de até 72 horas após a relação desprotegida.

A estratégia tem sido estudada principalmente como ferramenta de prevenção combinada, devendo ser utilizada como complemento – e não substituto – de outras medidas preventivas, como o uso de preservativos e a testagem regular para ISTs.

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Evidências científicas da profilaxia com doxiciclina

Ensaios clínicos realizados em populações de maior risco demonstraram eficácia significativa da Doxi-PEP na prevenção de ISTs bacterianas. Entre os principais estudos estão o IPERGAY, na França, e o DoxyPEP, nos Estados Unidos.

Os resultados indicaram redução entre 70% e 80% na incidência de sífilis e clamídia em populações de alto risco, especialmente em homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres trans.

Esses dados foram considerados pela Conitec na recomendação favorável à incorporação da estratégia no SUS.

Consulta pública precedeu decisão de incorporação

Antes da decisão final, o Ministério da Saúde abriu consulta pública em 30 de dezembro de 2025 para avaliar a ampliação do uso da doxiciclina como profilaxia pós-exposição para ISTs. A consulta, conduzida pela Conitec, recebeu contribuições da sociedade até 19 de janeiro de 2026.

De acordo com o relatório técnico apresentado durante o processo, a estratégia foi avaliada como potencial ferramenta para reduzir a carga de sífilis e clamídia no país, especialmente em populações com maior vulnerabilidade epidemiológica.

Cenário epidemiológico das ISTs

A incorporação da Doxi-PEP ocorre em um contexto de aumento de casos de sífilis no país. Dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, referentes ao ano de 2024, apontam 256.830 casos de sífilis adquirida no Brasil, com taxa de detecção de 120,8 casos por 100 mil habitantes.

Já a clamídia não é uma infecção de notificação compulsória no Brasil, o que dificulta a consolidação de dados nacionais. Ainda assim, estimativas internacionais indicam que se trata da IST bacteriana mais comum no mundo, com elevada prevalência principalmente entre jovens e populações consideradas mais vulneráveis.

Segundo relatório técnico da Conitec, populações-chave — como homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres trans — apresentam prevalência significativamente maior de ISTs bacterianas quando comparadas à média da população.

Dados da Organização Mundial da Saúde estimam que 374 milhões de novos casos de ISTs curáveis ocorreram em adultos em 2020, incluindo 129 milhões de casos de clamídia e 7,1 milhões de sífilis. Estudos também indicam prevalência de sífilis em torno de 7,5% entre HSH em diferentes regiões do mundo.

No Brasil, pesquisas realizadas entre 2019 e 2021 identificaram prevalência entre 11% e 13% de clamídia e gonorreia em mulheres trans urbanas. Além disso, a sífilis voltou a apresentar tendência de crescimento após avanços observados na década de 2010, especialmente entre homens que fazem sexo com homens.

Especialistas apontam ainda que coinfecções por diferentes ISTs bacterianas são frequentes nessas populações, o que reforça a importância de estratégias adicionais de prevenção, como a profilaxia pós-exposição com doxiciclina.

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