Nota técnica orienta ampliação da vacinação contra HPV no SUS para mulheres com lesões cervicais de alto grau
Foto de FRANK MERIÑO/Pexels

Nota técnica orienta ampliação da vacinação contra HPV no SUS para mulheres com lesões cervicais de alto grau

O Ministério da Saúde divulgou hoje (26) uma nota técnica recomendando a ampliação do público-alvo da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida inclui mulheres diagnosticadas com Neoplasia Intraepitelial Cervical de alto grau submetidas a procedimento excisional do colo do útero. 

Agora, esse público fará parte do grupo prioritário, incorporando a imunização também como estratégia de prevenção secundária. Confira o documento na íntegra:

Quem passa a ter indicação de vacinação

A nova recomendação contempla mulheres diagnosticadas com Neoplasia Intraepitelial Cervical de alto grau (NIC 2 ou superior) e adenocarcinoma in situ (AIS), que tenham sido submetidas a procedimentos excisionais do colo do útero, como LEEP ou conização.

Um dos pontos centrais da nota é a ampliação sem restrição etária: a vacinação passa a ser indicada independentemente da idade, desde que haja histórico de tratamento dessas lesões.

Por que esse grupo foi incluído

A decisão se baseia no risco persistente mesmo após o tratamento. Embora as lesões precursoras sejam tratáveis, a nota técnica destaca que há possibilidade relevante de recorrência e de evolução para câncer invasivo ao longo da vida.

No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer, o câncer do colo do útero segue entre os principais problemas oncológicos femininos, com cerca de 17 mil novos casos e 7 mil mortes por ano.

Além da carga da doença, o documento chama atenção para três pontos principais que justificam a ampliação:

  • risco de recorrência das lesões de alto grau, que pode chegar a 17%;
  • aumento do risco de câncer cervical invasivo por décadas após o tratamento;
  • impacto de procedimentos repetidos, associados a complicações ginecológicas e obstétricas.

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Evidências apontam benefício após o tratamento

A vacinação contra HPV já é consolidada como estratégia de prevenção primária. Agora, a nota reforça seu papel também após o tratamento das lesões cervicais.

De acordo com o documento, estudos indicam que a vacinação nesse contexto está associada à redução da recorrência de NIC 2 e NIC 3. Além disso, há benefícios consistentes na prevenção de novas infecções por outros tipos virais e na redução da disseminação do HPV no organismo.

Como será a vacinação desse público no SUS

A implementação seguirá critérios específicos definidos pelo Ministério da Saúde, com foco na integração entre assistência e imunização. A aplicação deve ocorrer preferencialmente no mesmo ano do procedimento, podendo ser feita no período perioperatório ou em até 12 meses após o tratamento.

Público-alvoMulheres tratadas por NIC 2+, NIC 3 ou AIS
IdadeSem limite etário
Esquema vacinalTrês doses (0, 2 e 6 meses)
Momento da vacinaçãoPerioperatório ou até 12 meses após o procedimento
Local de aplicaçãoUnidades do SUS, mediante prescrição médica

A vacinação deverá ser registrada com o CID correspondente ao diagnóstico, dentro das estratégias especiais do PNI.

Impacto esperado na prática

A expectativa do Ministério da Saúde é que a medida reduza não apenas a recorrência das lesões, mas também a necessidade de novos procedimentos cirúrgicos – fator diretamente relacionado a complicações como parto prematuro, ruptura prematura de membranas e estenose cervical.

Além disso, a estratégia fortalece o controle do câncer do colo do útero ao combinar prevenção primária e secundária, ampliando o alcance das políticas públicas de imunização.

Implementação depende de articulação da rede

A nota técnica destaca que o sucesso da medida dependerá da articulação entre os serviços que realizam diagnóstico e tratamento das lesões e as unidades de vacinação. Também será necessária a capacitação das equipes de saúde e o adequado registro das doses nos sistemas de informação.

Outro ponto reforçado é a manutenção do seguimento clínico dessas pacientes, que deve continuar conforme os protocolos assistenciais, independentemente da vacinação.

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