Resumo sobre Bronquiolite obliterante: definição, manifestações clínicas e mais!
Fonte: Magnific

Resumo sobre Bronquiolite obliterante: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a Bronquiolite obliterante, uma doença pulmonar caracterizada pela inflamação e fibrose dos bronquíolos, levando à obstrução progressiva das vias aéreas pequenas e resultando em dispneia, tosse e limitação ao fluxo aéreo.

O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.

Vamos nessa!

Definição de Bronquiolite obliterante

A bronquiolite obliterante é uma doença pulmonar rara caracterizada por inflamação e fibrose que acometem os bronquíolos terminais e distais, levando à obstrução das pequenas vias aéreas. 

Também chamada de bronquiolite constritiva ou obliterativa, pode surgir em diferentes contextos clínicos; quando ocorre após transplante pulmonar ou transplante de células-tronco hematopoéticas, é denominada síndrome da bronquiolite obliterante. 

A condição cursa com limitação ao fluxo aéreo evidenciada em testes de função pulmonar e, em geral, evolui com declínio progressivo da função respiratória, podendo apresentar desfechos variáveis.

Etiologia da Bronquiolite obliterante

A etiologia da bronquiolite obliterante é diversa e pode ser organizada em categorias principais, facilitando a compreensão:

1. Pós-transplante (principal causa)
É uma das complicações não infecciosas mais frequentes após:

  • Transplante pulmonar;
  • Transplante de células-tronco hematopoéticas.
    Nesses casos, recebe o nome de síndrome da bronquiolite obliterante.

2. Exposição a agentes inalados tóxicos
Diversas substâncias podem causar lesão direta das pequenas vias aéreas, como:

  • Gás mostarda;
  • Óxidos de nitrogênio;
  • Diacetil (aromatizante de pipoca);
  • Cinzas volantes;
  • Fibra de vidro.

3. Doenças autoimunes
A inflamação sistêmica pode acometer os bronquíolos, especialmente em:

  • Artrite reumatoide;
  • Lúpus eritematoso sistêmico;
  • Mais raramente, doenças inflamatórias intestinais.

4. Infecções
Particularmente relevantes em crianças e em quadros pós-infecciosos:

  • Virais: adenovírus, vírus sincicial respiratório;
  • Outras: HIV, herpesvírus humano 8;
  • Pós-infecciosas: micoplasma, bactérias e fungos.

5. Doenças raras e associações incomuns
Incluem condições menos frequentes, como:

  • Doença de Castleman;
  • Pênfigo paraneoplásico;
  • Tumorlets microcarcinoides;
  • Bronquiolite constritiva criptogênica.

Fisiopatologia da Bronquiolite obliterante

A fisiopatologia da bronquiolite obliterante baseia-se em um processo de lesão inflamatória crônica das pequenas vias aéreas, seguido de reparo tecidual anômalo.

Inicialmente, ocorre agressão ao epitélio bronquiolar, que pode ser desencadeada por toxinas inaladas, respostas autoimunes ou outros insultos. Essa lesão leva à inflamação das estruturas subepiteliais e a um processo de cicatrização desregulado. Em vez de regeneração normal, há fibroproliferação, com deposição excessiva de tecido fibroso e regeneração epitelial anormal.

Do ponto de vista histopatológico, o acometimento é predominantemente dos bronquíolos terminais e respiratórios (pequenas vias aéreas distais), com relativa preservação dos alvéolos e do parênquima pulmonar distal. As principais alterações incluem:

  • Hipertrofia da musculatura lisa bronquiolar;
  • Infiltrado inflamatório peribronquiolar;
  • Acúmulo de muco no lúmen;
  • Fibrose e cicatrização dos bronquíolos.

Essas alterações levam a um estreitamento concêntrico do lúmen bronquiolar, causado pela fibrose inflamatória. Em casos mais avançados, pode ocorrer obliteração completa do lúmen, resultando em obstrução significativa do fluxo aéreo.

Em pacientes submetidos a transplante pulmonar, mecanismos adicionais contribuem para a doença. A insuficiência microvascular do enxerto e respostas aloimunes contra o pulmão transplantado promovem lesão das vias aéreas. Fatores como episódios de rejeição celular aguda, presença de anticorpos anti-HLA e refluxo gastroesofágico com microaspiração aumentam o risco de desenvolvimento da síndrome da bronquiolite obliterante.

Já nos casos associados ao pênfigo paraneoplásico, autoanticorpos dirigidos contra proteínas como desmogleínas e plakinas atacam o epitélio cutâneo e respiratório, contribuindo diretamente para a lesão bronquiolar.

Manifestações clínicas da Bronquiolite obliterante

As manifestações clínicas da bronquiolite obliterante refletem a obstrução progressiva das pequenas vias aéreas e costumam ter início insidioso, com evolução ao longo de semanas a meses.

O quadro clínico é caracterizado principalmente por dispneia progressiva e tosse persistente, que não apresentam caráter episódico, diferentemente do que ocorre na asma. Alguns pacientes também podem apresentar sibilância, embora esse achado não esteja presente em todos os casos.

A anamnese pode fornecer pistas importantes para a etiologia, como:

  • Exposição recente a gases ou fumos tóxicos;
  • Infecções virais respiratórias prévias;
  • Sintomas articulares, como rigidez (sugerindo doenças autoimunes, por exemplo, artrite reumatoide);
  • Histórico de transplante pulmonar ou de células-tronco hematopoéticas.

Ao exame físico, os achados mais comuns incluem:

  • Diminuição dos sons respiratórios;
  • Prolongamento da fase expiratória;
  • Presença de sibilos, que podem ocorrer tanto na inspiração quanto na expiração;
  • Estertores (rales) em alguns pacientes.

Em situações específicas, podem existir manifestações associadas. Nos casos relacionados à doença de Castleman, por exemplo, pode haver pênfigo paraneoplásico, que se manifesta com úlceras orais e linfadenopatia.

Diagnóstico de Bronquiolite obliterante

O diagnóstico da bronquiolite obliterante baseia-se na integração de achados clínicos, funcionais e radiológicos, sendo a prova de função pulmonar o elemento central.

A espirometria é essencial e tipicamente demonstra um padrão obstrutivo persistente, caracterizado por:

  • Redução do VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo);
  • Redução da relação VEF1/CVF;
  • Ausência de resposta significativa ao broncodilatador.

Além disso, podem ser observados hiperinsuflação pulmonar e aprisionamento aéreo, com aumento da capacidade pulmonar total (CPT). A capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLCO) costuma estar reduzida. Em pacientes transplantados, a queda do VEF1 em relação ao valor basal pós-transplante é utilizada para estadiar a síndrome da bronquiolite obliterante.

Os exames de imagem também contribuem para o diagnóstico. A radiografia de tórax pode ser normal nas fases iniciais ou mostrar sinais de hiperinsuflação. Já a tomografia computadorizada de tórax é mais sensível, podendo evidenciar:

  • Espessamento das paredes brônquicas;
  • Padrão em mosaico com áreas de hipoatenuação;
  • Persistência desse padrão em imagens expiratórias, refletindo aprisionamento aéreo.

A broncoscopia pode ser útil para excluir outras causas de obstrução das vias aéreas, como tumores endobrônquicos ou sarcoidose, mas frequentemente não apresenta achados específicos na bronquiolite obliterante.

A biópsia pulmonar geralmente não é necessária quando há quadro clínico típico associado a alterações características na espirometria e na imagem, especialmente em contextos como pós-transplante ou exposição a toxinas inaladas. Quando indicada, a biópsia cirúrgica é preferível à transbrônquica, pois avalia melhor os bronquíolos distais; esta última apresenta baixa sensibilidade diagnóstica.

Nos casos após transplante pulmonar, o diagnóstico da síndrome da bronquiolite obliterante é predominantemente clínico-funcional, não sendo obrigatória a biópsia, embora ela possa ser utilizada para excluir diagnósticos diferenciais, como infecção ou rejeição aguda.

Tratamento da Bronquiolite obliterante

O tratamento da bronquiolite obliterante varia conforme a causa e o contexto clínico, podendo ser dividido em estratégias específicas para casos pós-transplante e não relacionados ao transplante.

Bronquiolite obliterante pós-transplante (síndrome da bronquiolite obliterante)

Nesses casos, a doença é considerada uma forma de rejeição crônica, e o tratamento baseia-se principalmente no aumento da imunossupressão. As medidas incluem:

  • Intensificação ou adição de imunossupressores, como tacrolimo, ciclosporina, micofenolato de mofetil e prednisona;
  • Uso de azitromicina, que pode reduzir a incidência da síndrome e melhorar a função pulmonar;
  • Terapia combinada com fluticasona inalatória, montelucaste oral e azitromicina, especialmente após transplante de células-tronco hematopoéticas, com benefício na redução do declínio funcional;
  • Controle do refluxo gastroesofágico, importante para diminuir microaspiração e lesão das vias aéreas.

Em casos mais graves ou progressivos, podem ser necessárias abordagens adicionais, como:

  • Fotoférese extracorpórea, que pode retardar a perda da função pulmonar;
  • Retransplante pulmonar, em situações avançadas e refratárias.

Bronquiolite obliterante não relacionada ao transplante

O manejo depende da causa subjacente:

  • Remoção do agente causal é fundamental, especialmente em casos por inalação de toxinas;
  • Em doenças autoimunes (como artrite reumatoide), podem ser utilizados corticosteroides e agentes citotóxicos, como ciclofosfamida;
  • No entanto, esses imunossupressores têm pouca eficácia em casos pós-infecciosos ou por exposição tóxica.

Tratamento sintomático (todos os casos)

Independentemente da etiologia, medidas de suporte são frequentemente necessárias:

  • Broncodilatadores inalatórios;
  • Antitussígenos;
  • Oxigenoterapia, quando indicada.

Veja também!

Referências

Krishna R, Anjum F, Oliver TI. Bronchiolitis Obliterans. [Updated 2023 Aug 14]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441865/

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