Resumo sobre Radiculopatia Cervical: definição, manifestações clínicas e mais!
Fonte: Magnifict

Resumo sobre Radiculopatia Cervical: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a radiculopatia cervical, uma condição caracterizada pela compressão ou irritação de uma raiz nervosa na coluna cervical, geralmente causada por hérnia de disco ou alterações degenerativas. 

O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.

Vamos nessa!

Definição de Radiculopatia Cervical

A radiculopatia cervical é uma condição em que ocorre compressão ou comprometimento de uma raiz nervosa na coluna cervical, geralmente por compressão mecânica. Essa impingência da raiz nervosa pode gerar dor que se irradia além do pescoço, alcançando braços, ombros, tórax e região superior das costas. 

Além da dor, podem surgir déficits neurológicos como fraqueza muscular e redução ou perda de reflexos osteotendíneos. Em geral, a condição pode impactar significativamente a função, a produtividade e a qualidade de vida, podendo evoluir com piora dos déficits quando não adequadamente manejada.

Etiologia da Radiculopatia Cervical

A radiculopatia cervical ocorre por compressão ou inflamação química de uma raiz nervosa espinhal. Em pacientes mais jovens, as causas mais comuns são trauma e hérnia de disco. Com o envelhecimento, predominam processos degenerativos, como degeneração discal nas quinta e sexta décadas e estenose foraminal por alterações artrósicas na sétima década.

De forma geral, a maioria dos casos está ligada a alterações espondilóticas progressivas nas articulações uncovertebrais e facetárias ou à protrusão do núcleo pulposo degenerado. Isso leva à formação de osteófitos, perda da altura discal e estreitamento do forame intervertebral, comprimindo a raiz nervosa e estruturas vasculares associadas.

Além da compressão mecânica, há um componente isquêmico e inflamatório, com interrupção do fluxo axonal e venoso e liberação de mediadores pró inflamatórios que aumentam edema e dor.

Fatores de risco incluem predisposição genética, tabagismo, que acelera a degeneração discal, e fatores ocupacionais como flexão cervical prolongada, trabalho com os braços elevados e sobrecarga repetitiva dos membros superiores.

Fisiopatologia da Radiculopatia Cervical

A fisiopatologia da radiculopatia cervical envolve a ação combinada de fatores mecânicos, inflamatórios e vasculares sobre a raiz nervosa espinhal. O principal mecanismo é a compressão mecânica, causada por hérnia discal, complexos disco osteofitários ou hipertrofia das articulações facetárias, o que reduz o espaço foraminal e pode provocar compressão direta ou estiramento dinâmico da raiz durante os movimentos do pescoço.

Essa compressão leva à interrupção do fluxo venoso e do transporte axonal, resultando em isquemia intraneural. Em paralelo, ocorre sensibilização química, na qual o disco degenerado e tecidos lesionados liberam mediadores inflamatórios como TNF alfa, interleucinas 1 e 6, substância P e bradicinina. Essas substâncias reduzem o limiar de ativação dos neurônios do gânglio da raiz dorsal, aumentando a sensibilidade à dor, além de contribuírem para edema neural e maior vulnerabilidade à compressão.

Em muitos casos, os sintomas podem regredir com a redução da inflamação e a reabsorção espontânea do material discal herniado. No entanto, a persistência ou piora de déficits neurológicos geralmente indica compressão contínua da raiz nervosa, podendo exigir descompressão cirúrgica para evitar dano funcional permanente.

Manifestações clínicas da Radiculopatia Cervical

As manifestações clínicas da radiculopatia cervical podem ser organizadas em história clínica, sintomas associados e achados no exame físico.

História clínica e dor

O quadro típico é de dor cervical com irradiação para o membro superior, seguindo um padrão dermatomérico correspondente à raiz nervosa acometida. A dor é frequentemente descrita como em choque ou elétrica. Em geral, o início é unilateral e pode variar de intensidade ao longo do tempo.

Sintomas associados

Além da dor, podem ocorrer:

  • Parestesias (formigamento);
  • Dormência;
  • Fraqueza muscular no território da raiz afetada.

Os sintomas tendem a piorar com extensão do pescoço, rotação para o lado sintomático e atividades com os braços elevados.

Exame físico

Os principais achados incluem:

  • Limitação da mobilidade cervical, especialmente extensão;
  • Déficits motores em miótomos específicos (C5 a T1);
  • Alterações sensitivas em distribuição dermatomérica;
  • Redução ou assimetria de reflexos (bicipital C5 C6, braquiorradial C6, tricipital C7).

O teste de Spurling pode reproduzir a dor radicular e ajudar na confirmação diagnóstica.

Avaliação de gravidade e mielopatia

É essencial investigar sinais de comprometimento medular, que sugerem mielopatia cervical, como:

  • Alteração da marcha;
  • Descoordenação ou clumsiness das mãos;
  • Sensação de pernas pesadas;
  • Possíveis alterações autonômicas.

Sinais de alerta

Devem ser pesquisados sinais que podem indicar infecção ou neoplasia:

  • Febre;
  • Sudorese noturna;
  • Perda de peso inexplicada;
  • Imunossupressão;
  • Dor persistente em repouso.

Diagnóstico da Radiculopatia Cervical

O diagnóstico da radiculopatia cervical é principalmente clínico, sendo complementado por exames de imagem e estudos eletrofisiológicos quando necessário. Nenhum exame isolado confirma o diagnóstico de forma definitiva, sendo essencial a correlação entre história, exame físico e achados complementares.

Exames de imagem

  • Radiografia simples: utilizada inicialmente na avaliação de dor cervical e de membros superiores. Pode mostrar estreitamento do espaço discal e sinais de doença degenerativa. Incidências oblíquas ajudam a identificar estreitamento foraminal relacionado aos sintomas. As incidências com flexão e extensão são úteis quando há suspeita de instabilidade. A incidência transoral pode ser indicada se houver suspeita de lesão atlantoaxial.
  • Tomografia computadorizada (TC): é mais útil em contextos traumáticos. Permite excelente avaliação óssea e identifica estenose foraminal de origem óssea, mas tem menor utilidade para avaliação de tecidos moles.
  • Ressonância magnética (RM): é o método de escolha. Permite visualizar hérnias discais, compressão de raiz nervosa e alterações degenerativas. Apesar de sua alta sensibilidade, alterações como protrusões discais ou estreitamento foraminal podem existir sem sintomas, exigindo correlação clínica. Também pode identificar alterações como mudanças de Modic.

Exames complementares

  • Eletromiografia (EMG): auxilia na confirmação de disfunção da raiz nervosa afetada, especialmente quando há dúvida entre achados clínicos e de imagem.
  • Bloqueio seletivo de raiz nervosa: pode ter função diagnóstica e terapêutica, ajudando a identificar o nível exato responsável pela dor e proporcionando alívio temporário dos sintomas.

Tratamento da Radiculopatia Cervical

O tratamento é progressivo e tem como metas principais reduzir a dor, restaurar a função neurológica e prevenir recorrências. A maioria dos pacientes evolui com melhora espontânea, geralmente em 8 a 12 semanas, sem necessidade de intervenção cirúrgica.

Tratamento conservador

O manejo inicial é clínico e indicado para a maioria dos casos, especialmente na fase aguda. O paciente deve ser orientado a manter atividades diárias conforme tolerância, evitando repouso prolongado. A fisioterapia estruturada é um dos pilares do tratamento, pois pode acelerar a recuperação funcional e reduzir a dor. 

Medidas de suporte como travesseiro cervical e uso temporário de colar cervical macio podem ser úteis em alguns casos. Terapias complementares, como acupuntura, também podem ser consideradas como adjuvantes.

Do ponto de vista medicamentoso, o controle da inflamação e da dor é central. Utilizam se anti-inflamatórios não esteroidais por curto período, além de analgésicos simples quando necessário. Em casos selecionados, podem ser usados fármacos para dor neuropática e corticoide oral em cursos curtos. Opioides devem ser evitados de rotina, sendo reservados apenas para situações específicas.

Principais medidas conservadoras:

  • Manutenção de atividades leves conforme tolerância;
  • Fisioterapia estruturada;
  • Uso de travesseiro cervical e colar macio por curto período;
  • AINEs por 1 a 2 semanas;
  • Analgésicos simples;
  • Fármacos para dor neuropática como gabapentina e pregabalina;
  • Corticoide oral em casos selecionados;
  • Acupuntura como terapia adjuvante.

Injeções epidurais

As injeções epidurais de corticoide são opções intermediárias entre tratamento clínico e cirúrgico. São indicadas em pacientes com dor persistente ou limitação funcional importante.

Esses procedimentos são preferencialmente realizados por via interlaminar e guiados por imagem, o que aumenta a segurança. Podem proporcionar redução significativa da dor e acelerar o retorno às atividades, com benefício que pode durar semanas ou meses.

Principais características:

  • Via preferencial interlaminar;
  • Guiado por imagem;
  • Efeito analgésico relevante;
  • Pode acelerar recuperação funcional;
  • Uso repetido apenas em casos selecionados.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia é indicada quando há falha do tratamento conservador após 6 a 12 semanas ou em casos com déficit neurológico progressivo ou dor incapacitante.

Existem duas abordagens principais, anterior e posterior, ambas com bons resultados quando bem indicadas. A escolha depende do tipo e localização da compressão.

Indicações principais:

  • Falha do tratamento conservador por 6 a 12 semanas;
  • Dor intensa e incapacitante persistente;
  • Déficit neurológico progressivo.

Técnicas cirúrgicas:

  • Abordagem anterior: discectomia com fusão ou artroplastia discal;
  • Abordagem posterior: foraminotomia com ou sem remoção de fragmento discal.

Referências

Margetis K, Magnus W, Mesfin FB. Cervical Radiculopathy. [Updated 2025 Aug 6]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441828/

Milind J Kothari, DOKathy Chuang, MD. Clinical features and diagnosis of cervical radiculopathy. UpToDate, 2025. Disponível em: UpToDate

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