Residentes da Unicamp pedem desligamento em massa: entenda o caso

Residentes da Unicamp pedem desligamento em massa: entenda o caso

Residentes do Programa de Ortopedia e Traumatologia da Unicamp desistem do programa alegando condições inadequadas de trabalho e de aprendizagem. 

No Brasil, dados da última Demografia Médica (DM) revelam que cerca de 1.160 médicos se afastaram dos programas de residência médica em que estavam matriculados, em 2019. Esses afastamentos referem-se tanto aos pedidos pontuais – decorrentes de licenças médicas, por exemplo – quanto por desistência dos próprios profissionais. O estudo ainda apresenta a tendência de haver mais médicos generalistas do que especialistas, já que a abertura de vagas na pós-graduação padrão-ouro (residência) não acompanha o mesmo ritmo da graduação. 

Esse cenário pode levar à crença de que os profissionais que conseguem ingressar em um Programa de Residência Médica referência, em uma especialidade bastante concorrida, estejam muito satisfeitos com o grande triunfo, mas um evento recente trouxe à tona uma nova perspectiva sobre o assunto.

Na tarde desta terça-feira (10), residentes recém-ingressos (R1) no programa de Ortopedia e Traumatologia da Unicamp divulgaram nas redes sociais o print de uma mensagem supostamente encaminhada para a Coordenação. A mensagem anunciava o desligamento de todos os R1, sob a alegação de que a instituição não oferecia condições adequadas de trabalho, além da carga horária excedente, para uma quantidade reduzida de residentes.

A própria mensagem indica que foram feitas tentativas de ajuste, que infelizmente não surtiram efeito e não deram confiança necessária aos residentes para continuarem.

Os programas de residência médica da instituição tiveram início no dia 3 de março desse ano, com a última chamada para matrícula no programa de Ortopedia e Traumatologia sendo divulgada no dia 10 do mesmo mês. Para este ano, foram ofertadas 8 vagas na especialidade e convocados mais de 25 candidatos, ao todo.

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Relatos

Após divulgação nas redes, uma onda de manifestações sobre o caso e relatos de outras situações parecidas – e algumas ainda piores – vieram à tona.

A maioria das manifestações são de apoio e, parte significativa da classe médica, comemorou a coragem e atitude dos residentes em pedir desligamento de um programa extremamente concorrido para priorizar a saúde física e mental.

Há também depoimentos que clamam por mudanças e sinalizam a recorrência de problemas em outros programas de residência pelo país.



Atualizações do Caso

O Estratégia MED ouviu de fontes seguras que, em reunião entre COREME e preceptores, novas propostas foram feitas de adequação do programa. As propostas sugeridas, segundo a fonte, são: delimitar e controlar a carga horária, mantendo em 60 horas semanais, conforme CNRM, e ampliar o quadro assistencial, escalando R2, R3 e até mesmo os médicos assistentes nos horários de pico.

Diante desse novo cenário, 4 dos 6 residentes matriculados decidiram continuar no programa, em carácter de teste.

Segundo as fontes, os problemas relatados pelos médicos vão muito além de carga horária excessiva, que passavam das 100 horas. Casos de assédio moral, racismo, sexismo e até mesmo castigos foram relatados.

Preceptores e membros do COREME alegaram total desconhecimento sobre esses fatos e propuseram uma investigação interna para esclarecimento. A proposta feita pelo COREME e pelos Preceptores asseguram, também, acompanhamento para os R1 em todas as ações, já que, até então, os relatos revelam que este acompanhamento não existiu, de fato.

Mesmo com toda repercussão, até o momento não houve pronunciamento por parte da Instituição ou da Coordenação do Programa.

Se quiser saber mais informações sobre esse caso, continue acessando o Portal do Estratégia MED. Estamos atualizando tudo em tempo real!

Texto com colaboração de Ana Carolina Damasceno e edição de Mara Rodrigues.

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