Resumo de Disartria Flácida: sintomas, tratamento e mais!

Resumo de Disartria Flácida: sintomas, tratamento e mais!

Olá, querido doutor e doutora! A disartria flácida é um distúrbio motor da fala associado a lesões do neurônio motor inferior que comprometem a inervação dos músculos responsáveis pela produção vocal. Esse quadro provoca alterações em diferentes componentes da fala, incluindo articulação, ressonância, fonação e controle respiratório.

Na disartria flácida, a fraqueza da musculatura da fala pode gerar voz soprosa, hipernasalidade e redução da intensidade vocal.

O que é a Disartria flácida

A disartria flácida é um distúrbio motor da fala associado à lesão dos neurônios motores inferiores, envolvendo os núcleos dos nervos cranianos ou seus axônios periféricos. A alteração neurológica provoca fraqueza ou paralisia da musculatura responsável pela produção da fala, comprometendo o controle motor necessário para a articulação e emissão vocal.

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Fisiopatologia  

A disartria flácida ocorre em consequência de lesão dos neurônios motores inferiores, envolvendo os núcleos dos nervos cranianos ou seus axônios periféricos, responsáveis pela inervação da musculatura utilizada na fala. Esse dano neurológico provoca fraqueza muscular, redução do tônus, diminuição dos reflexos e, em alguns casos, atrofia muscular, comprometendo o controle motor necessário para a produção adequada dos sons da fala.

Entre as condições relacionadas estão doenças do neurônio motor inferior, como atrofia muscular bulbar e amiotrofia espinhal bulbar, além de lesões traumáticas ou vasculares dos nervos cranianos. Esses processos alteram a transmissão do impulso nervoso para os músculos responsáveis pela fala, resultando em déficits motores que podem comprometer a comunicação verbal.

A lesão pode afetar músculos envolvidos na articulação, fonação, ressonância e respiração. Como consequência, surgem alterações acústicas e prosódicas, caracterizadas por redução da força e da precisão dos movimentos articulatórios, além de diminuição do volume vocal.

O mecanismo central é a fraqueza muscular decorrente da lesão do neurônio motor inferior. Esse aspecto diferencia a disartria flácida de outros tipos de disartria, como a disartria espástica, que está associada à hiperatividade muscular relacionada à lesão do neurônio motor superior.

Dados epidemiológicos  

Os dados epidemiológicos específicos sobre disartria flácida são limitados, pois grande parte das pesquisas descreve disartria de forma geral ou em subtipos mistos, especialmente em contextos de doenças neuromotoras e após acidente vascular cerebral. Essa limitação dificulta estimativas precisas de prevalência isolada para esse subtipo.

A disartria flácida é observada com maior frequência em condições que afetam o neurônio motor inferior, incluindo amiotrofia espinhal bulbar, atrofia muscular bulbar e distrofia miotônica. Também pode ocorrer em lesões traumáticas ou vasculares dos nervos cranianos, que comprometem a inervação da musculatura envolvida na fala.

Em pacientes com doenças do neurônio motor, a disartria flácida pode representar o padrão predominante de alteração da fala. Na amiotrofia espinhal bulbar, por exemplo, esse subtipo é frequentemente identificado como manifestação principal. Em contraste, na esclerose lateral amiotrófica, a disartria geralmente apresenta padrão misto espástico flácido, refletindo o comprometimento simultâneo de neurônios motores superiores e inferiores.

No contexto do acidente vascular cerebral, a disartria flácida é menos comum quando comparada à disartria unilateral do neurônio motor superior, que representa a maioria dos casos após AVC. A forma flácida pode ocorrer em lesões de tronco encefálico ou em lesões que envolvem nervos cranianos, embora existam poucos dados sobre sua incidência isolada nesse cenário.

Avaliação clínica

O quadro clínico da disartria flácida é caracterizado por alterações na produção da fala relacionadas à fraqueza da musculatura envolvida na articulação e fonação. Entre os achados mais comuns estão fala imprecisa, voz fraca ou soprosa, redução do volume vocal, articulação lenta e hipernasalidade. Essas alterações refletem o comprometimento motor decorrente da lesão dos neurônios motores inferiores.

Além das alterações na fala, podem ser observados sinais neurológicos relacionados ao comprometimento do neurônio motor inferior. Entre eles estão atrofia muscular, fasciculações, redução dos reflexos e diminuição do tônus muscular. Esses achados podem envolver músculos da face, língua, palato e faringe, estruturas diretamente envolvidas na produção da fala.

Os pacientes podem apresentar dificuldade na articulação de consoantes, escape nasal de ar durante a fala, voz monótona e redução da capacidade de sustentar a fonação. O comprometimento da musculatura respiratória também pode ocorrer, levando à produção de frases curtas e à presença de pausas frequentes durante a fala.

A inteligibilidade da fala pode variar de leve a gravemente comprometida, dependendo da extensão da fraqueza muscular e do número de subsistemas da fala envolvidos. A disartria flácida pode afetar simultaneamente os subsistemas respiratório, laríngeo, velofaríngeo e articulatório, produzindo alterações perceptíveis na articulação, ressonância e qualidade vocal.

Diagnóstico 

Estudos eletrofisiológicos

Os estudos eletrofisiológicos auxiliam na confirmação do comprometimento do neurônio motor inferior. A eletromiografia com agulha e os estudos de condução nervosa podem demonstrar alterações neurogênicas, incluindo potenciais de unidades motoras anormais, fibrilações e ondas positivas agudas.

Quando há suspeita de miastenia gravis, podem ser utilizados testes específicos de transmissão neuromuscular. A estimulação nervosa repetitiva pode evidenciar decremento progressivo da resposta muscular, indicando falha na transmissão pós sináptica. A eletromiografia de fibra única permite detectar alterações como aumento do jitter e bloqueio de transmissão, particularmente em músculos faciais.

Neuroimagem

A ressonância magnética do encéfalo e do tronco encefálico é o principal método para identificar lesões estruturais, como infartos, tumores ou processos desmielinizantes. Sequências de difusão podem identificar isquemia aguda com alta sensibilidade nas primeiras horas do evento.

A tomografia computadorizada de crânio é frequentemente utilizada na avaliação inicial, principalmente para excluir hemorragia intracraniana ou lesões expansivas, embora tenha menor sensibilidade para infartos agudos, sobretudo na fossa posterior.

Em pacientes com suspeita de doença vascular cerebral, exames como angiotomografia ou angioressonância permitem avaliar estenoses ou oclusões arteriais, incluindo estruturas da circulação posterior.

Exames laboratoriais

Os exames laboratoriais são direcionados conforme a suspeita etiológica. Na investigação de miastenia gravis, podem ser pesquisados anticorpos contra o receptor de acetilcolina ou anticorpos anti MuSK. Em algumas doenças do neurônio motor, pode ocorrer elevação da creatina fosfoquinase.

Outros exames podem incluir avaliação de função tireoidiana, dosagem de vitamina B12 e testes genéticos em casos suspeitos de doenças hereditárias que afetam o neurônio motor.

Diagnóstico diferencial

A distinção entre disartria flácida e outros tipos de disartria pode ser desafiadora na prática clínica. Na disartria espástica, associada à lesão do neurônio motor superior, predominam hipertonia, hiperreflexia e voz tensa ou estrangulada. Já na disartria atáxica, relacionada a alterações cerebelares, a fala tende a apresentar ritmo irregular e segmentação anormal das palavras.

Em algumas doenças, como a esclerose lateral amiotrófica, pode ocorrer disartria mista, combinando características flácidas e espásticas.

Diversas condições podem produzir manifestações semelhantes à disartria flácida. Entre elas estão miastenia gravis, que se caracteriza por fadigabilidade da musculatura da fala, síndrome de Guillain Barré, que pode envolver músculos bulbares, acidente vascular cerebral de tronco encefálico, geralmente com início súbito, e neuropatias cranianas isoladas associadas a doenças metabólicas, vasculares ou infecciosas.

Tratamento

A reabilitação fonoaudiológica constitui a principal abordagem terapêutica. As intervenções buscam otimizar o controle respiratório durante a fala, melhorar a precisão articulatória e favorecer maior intensidade vocal. O treinamento também pode incluir exercícios voltados para o fortalecimento e coordenação dos músculos envolvidos na produção da fala.

Quando a fala não consegue atender adequadamente às necessidades comunicativas, podem ser utilizadas estratégias de comunicação alternativa e aumentativa. Entre essas estratégias estão dispositivos eletrônicos de comunicação, uso de gestos, quadros de comunicação ou escrita, especialmente em pacientes com comprometimento mais acentuado ou em doenças de evolução progressiva.

Algumas abordagens adicionais têm sido investigadas como complemento à terapia convencional. Entre elas estão a estimulação transcraniana por corrente contínua e métodos de biofeedback, que buscam melhorar o controle motor da fala. Embora apresentem resultados promissores em estudos iniciais, ainda há necessidade de maior evidência científica para definir sua aplicação rotineira.

Abordagem multidisciplinar

O manejo da disartria flácida envolve frequentemente uma abordagem multidisciplinar, incluindo profissionais de diferentes áreas da saúde. O suporte psicossocial, a orientação de familiares e parceiros de comunicação e o uso de telereabilitação podem contribuir para ampliar a participação social do paciente e favorecer melhor adaptação às limitações da fala.

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Referências bibliográficas 

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