Resumo de Creatina: produção, função, suplementação e mais!
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Resumo de Creatina: produção, função, suplementação e mais!

Olá, querido doutor e doutora! A creatina é um composto naturalmente presente no organismo que é obtido por meio da alimentação ou suplementação. Seu papel vai além da performance esportiva, sendo estudada por seus efeitos na saúde muscular, óssea e cerebral, especialmente em idosos. Com o envelhecimento, a suplementação de creatina tem sido considerada uma estratégia para preservar a força, melhorar a cognição e reduzir o impacto da sarcopenia, contribuindo para uma melhor qualidade de vida.

A creatina pode melhorar o desempenho cognitivo em idosos, especialmente em tarefas que exigem raciocínio rápido e memória de curto prazo.

O que é a creatina 

A creatina é um composto orgânico produzido naturalmente pelo organismo a partir dos aminoácidos arginina, glicina e metionina. Sua síntese ocorre predominantemente no fígado, rins e pâncreas, e sua principal função está ligada ao fornecimento rápido de energia para as células. Aproximadamente 95% da creatina corporal é armazenada nos músculos esqueléticos, enquanto o restante se encontra no cérebro, coração e outros tecidos com alta demanda energética.

Como ocorre a produção da creatina no corpo

A creatina é sintetizada de forma endógena pelo organismo a partir dos aminoácidos arginina, glicina e metionina. Esse processo ocorre principalmente no fígado, rins e pâncreas, onde diferentes etapas bioquímicas garantem sua formação e posterior transporte para os tecidos que mais necessitam de energia, como os músculos esqueléticos e o cérebro.

Etapas da síntese da creatina 

Formação da Guanidinoacetato 

A primeira etapa ocorre nos rins, onde a enzima L-arginina:glicina amidinotransferase (AGAT) catalisa a conversão da arginina e glicina em guanidinoacetato, liberando ornitina como subproduto.

Metilação do Guanidinoacetato 

Em seguida, o guanidinoacetato é transportado para o fígado, onde sofre uma reação de metilação mediada pela enzima guanidinoacetato N-metiltransferase (GAMT), utilizando S-adenosilmetionina como doadora de metil. Esse processo resulta na formação de creatina.

Transporte e armazenamento 

Após sua síntese, a creatina é liberada na circulação sanguínea e transportada até os músculos esqueléticos e outros tecidos metabolicamente ativos por meio de transportadores específicos, como o SLC6A8 (transportador de creatina dependente de sódio e cloro). 

Nos músculos, aproximadamente 60% da creatina é convertida em fosfocreatina, forma armazenada que atua na regeneração do ATP durante atividades de alta demanda energética. O restante permanece na forma livre.

Eliminação e reciclagem 

Parte da creatina armazenada é continuamente degradada em creatinina, um metabólito eliminado pelos rins na urina. Para manter os estoques adequados, o organismo sintetiza cerca de 1 a 2 gramas de creatina por dia, enquanto outra parte pode ser obtida pela dieta ou suplementação.

Funções da creatina 

Regeneração de ATP e fornecimento de energia 

A principal função da creatina é atuar como reserva energética para células de alta demanda, como as musculares e neurais. Durante atividades intensas, a creatina armazenada na forma de fosfocreatina doa grupos fosfato para regenerar rapidamente o trifosfato de adenosina (ATP), permitindo que a célula mantenha a contração muscular e outras funções metabólicas essenciais. 

Melhora do desempenho físico 

A suplementação de creatina pode aumentar os estoques musculares de fosfocreatina, proporcionando maior capacidade de realizar exercícios de alta intensidade e curta duração, como sprints, levantamento de peso e saltos. Além disso, contribui para a recuperação muscular, reduzindo a fadiga e melhorando a resistência ao esforço repetitivo.

Aumento da massa muscular 

A creatina estimula a síntese proteica e promove a hidratação celular, aumentando o volume das fibras musculares. Esse efeito favorece o ambiente anabólico e auxilia no ganho de massa muscular, especialmente quando combinado com exercícios resistidos.

Neuroproteção e saúde cerebral 

O cérebro também utiliza creatina como fonte de energia para processos cognitivos e neuromusculares. Estudos indicam que a creatina pode ter um papel protetor em doenças neurodegenerativas, como Parkinson, Alzheimer e esclerose lateral amiotrófica (ELA), além de contribuir para a melhora da função cognitiva e redução da fadiga mental.

Recuperação muscular e redução da inflamação 

A creatina pode acelerar a recuperação muscular após exercícios intensos, diminuindo os níveis de dano muscular e marcadores inflamatórios. Isso se deve ao seu papel na regulação do estresse oxidativo e na melhora do metabolismo energético das células musculares.

Fontes alimentares de creatina

Os alimentos com maior concentração de creatina são aqueles de origem animal, especialmente carnes e peixes. A seguir, uma média da quantidade de creatina presente em diferentes alimentos (por 100g de alimento cru):

AlimentoQuantidade de Creatina (g/100g)
Carne vermelha (bovina)3 – 5 g
Peixe (salmão, atum)3 – 4,5 g
Frango2 – 3 g
Suíno2 – 3 g
Leite0,1 g
OvosTraços
Vegetais e frutasNenhuma quantidade significativa

A suplementação de creatina  

A suplementação de creatina é amplamente utilizada tanto por atletas quanto por indivíduos que buscam benefícios relacionados à saúde e ao desempenho físico. Embora o organismo seja capaz de produzir creatina endogenamente e obtê-la por meio da alimentação, a suplementação se destaca por aumentar os estoques musculares desse composto, otimizando suas funções metabólicas.

Tipos de creatina disponíveis 

Existem diferentes formas de creatina no mercado, sendo a creatina monohidratada a mais estudada e recomendada devido à sua eficácia e segurança. Outros tipos incluem: 

  • Creatina monohidratada: forma mais comum e eficaz, com alto grau de absorção e melhor custo-benefício. 
  • Creatina micronizada: versão com partículas menores para melhor solubilidade, mas sem evidências de superioridade em absorção. 
  • Creatina HCl (hidrocloridrato): promete maior solubilidade, porém não há comprovação de que seja mais eficaz que a monohidratada. 
  • Creatina etil éster: comercializada como alternativa de rápida absorção, mas estudos indicam menor retenção muscular em comparação à monohidratada.
  • Creatina nitrato: associada ao nitrato para potencializar efeitos vasodilatadores, mas sem vantagens claras sobre outras formas.

Apesar da variedade, a creatina monohidratada continua sendo a forma mais estudada e recomendada devido à sua segurança e capacidade comprovada de aumentar os estoques musculares.

Protocolos de suplementação 

Protocolo de saturação 

Consiste em ingerir 20g de creatina por dia, divididas em 4 doses de 5g, por um período de 5 a 7 dias. Após essa fase, faz-se a manutenção com 3 a 5g diárias para manter os estoques musculares elevados. Esse método é útil para quem deseja obter resultados rapidamente, como atletas em períodos de competição.

Protocolo de uso contínuo 

Consiste na ingestão de 3 a 5g de creatina por dia, sem a necessidade de uma fase de saturação. Esse método leva mais tempo para atingir a saturação total dos músculos (cerca de 3 a 4 semanas), mas é igualmente eficaz a longo prazo. Ideal para uso contínuo, sem oscilações nos estoques musculares.

Segurança e efeitos colaterais 

A creatina é considerada segura e amplamente estudada, com diversos ensaios clínicos demonstrando sua eficácia e ausência de efeitos adversos significativos quando utilizada dentro das doses recomendadas. Alguns pontos importantes: 

  1. Não sobrecarrega os rins: sua suplementação não prejudica a função renal em indivíduos saudáveis. 
  1. Pode causar retenção hídrica inicial: a creatina aumenta a retenção de água intracelular, o que pode levar a um leve aumento de peso. 
  1. Não há necessidade de “ciclar” a creatina: o uso contínuo não reduz sua eficácia nem prejudica a produção natural do corpo.

Estratégias para melhor absorção 

Embora a creatina seja bem absorvida pelo organismo, algumas estratégias podem otimizar sua captação pelos músculos: 

  • Consumir com carboidratos: a insulina facilita o transporte da creatina para as células musculares. Combinar com uma refeição contendo carboidratos pode ser benéfico. 
  • Hidratação adequada: beber água suficiente ajuda na retenção e absorção da creatina. 
  • Uso diário e consistente: a suplementação contínua garante níveis elevados de creatina nos músculos, independentemente do horário de ingestão.

Uso da creatina em idosos

Creatina e saúde muscular em idosos 

O envelhecimento leva a uma redução progressiva da massa muscular e da força, conhecida como sarcopenia, que pode comprometer a mobilidade e aumentar o risco de quedas e fraturas. A suplementação de creatina tem se mostrado uma estratégia eficaz para atenuar essa perda, pois auxilia na regeneração do ATP, fornecendo energia para a contração muscular. Quando associada a exercícios de resistência, a creatina pode aumentar a força, melhorar a recuperação muscular e favorecer o ganho de massa magra, tornando-se uma ferramenta valiosa para manter a funcionalidade em idosos. Além disso, há evidências de que a creatina pode influenciar positivamente a saúde óssea, ajudando na preservação da densidade mineral óssea e reduzindo o risco de osteoporose.

Creatina e saúde cerebral no envelhecimento 

Além dos benefícios musculares, a creatina também desempenha um papel importante na função cerebral, uma vez que o cérebro utiliza esse composto para manter seu metabolismo energético. Com o envelhecimento, há uma redução natural nos estoques cerebrais de creatina, o que pode impactar negativamente a memória, a cognição e a resistência à fadiga mental. A suplementação de creatina pode melhorar o desempenho cognitivo em idosos, especialmente em tarefas que exigem raciocínio rápido e memória de curto prazo. Além disso, a creatina tem sido investigada por seu potencial neuroprotetor em doenças como Alzheimer e Parkinson, mostrando-se uma aliada na manutenção da saúde cerebral durante o envelhecimento.

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Referências Bibliográficas 

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