Resumo de Laminina: estrutura, função e mais!
Adaptado de Atlas Interativo de Biologia Celular.

Resumo de Laminina: estrutura, função e mais!

Olá, querido doutor e doutora! A laminina é um componente estruturante da membrana basal, com ampla distribuição em diferentes tecidos e participação ativa na organização da matriz extracelular. Sua complexidade molecular e diversidade de isoformas explicam a variedade de funções biológicas associadas à adesão, sinalização e integridade tecidual. 

A massa molecular da laminina varia entre 700 e 900 kDa, dependendo da isoforma formada pelas combinações das cadeias α, β e γ.

O que é a Laminina 

A laminina é uma glicoproteína de alto peso molecular composta por três cadeias polipeptídicas distintas, denominadas α, β e γ, organizadas em uma estrutura trimérica com configuração cruciforme. Essa conformação permite múltiplos pontos de interação com outras proteínas da matriz extracelular e com receptores celulares.

Integra a membrana basal, onde atua na organização estrutural da lâmina basal e na modulação de vias de sinalização celular. Participa diretamente de processos como adesão celular, diferenciação, migração e sobrevivência celular, influenciando a dinâmica tecidual em diferentes contextos fisiológicos.

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Estrutura molecular 

Organização heterotrimérica

A laminina é constituída por um heterotrímero formado pelas cadeias α, β e γ, associadas por ligações covalentes. Essa organização origina uma molécula com morfologia cruciforme, composta por três braços curtos e um braço longo, o que possibilita ampla interação com componentes da matriz extracelular e com receptores celulares.

Braços curtos e domínios LN

Os braços curtos apresentam domínios globulares ricos em cisteína. Na região N-terminal localizam-se os domínios LN, responsáveis pela polimerização da laminina e pela formação da rede estrutural da membrana basal. Essa arquitetura permite a montagem da malha supramolecular que sustenta a lâmina basal.

Braço longo e domínio coiled-coil

O braço longo é formado por um domínio coiled-coil α-helicoidal, resultado do entrelaçamento das três cadeias polipeptídicas. Essa região garante estabilidade estrutural à molécula e organiza sua disposição tridimensional na membrana basal.

Domínios LG e interação celular

Na extremidade C-terminal da cadeia α encontram-se os domínios globulares LG, que mediam a interação com receptores como integrinas e distroglicano. Essas ligações participam da adesão célula matriz e da ativação de vias de sinalização intracelular.

Massa molecular e isoformas

A massa molecular total varia entre 700 e 900 kDa, conforme a combinação das cadeias. A organização modular permite a formação de múltiplas isoformas de laminina, cada uma com propriedades específicas na matriz extracelular e na constituição da membrana basal.

Atlas Interativo de Biologia Celular.

Síntese e distribuição tecidual  

Síntese celular e montagem do heterotrímero

A laminina é sintetizada principalmente por células envolvidas na formação da membrana basal, incluindo células epiteliais, endoteliais, musculares, adiposas e células de Schwann. Cada tipo celular pode produzir diferentes isoformas, conforme a combinação específica das cadeias α, β e γ expressas.

Após a tradução, as cadeias polipeptídicas passam por modificações pós-translacionais, como glicosilação e formação de pontes dissulfeto. Em seguida, são secretadas para o espaço extracelular, onde se associam formando o heterotrímero funcional.

A organização da rede de laminina na membrana basal depende da interação entre os domínios LN, permitindo a polimerização e a integração com outros componentes da matriz extracelular, como colágeno tipo IV, nidogena e perlecan, estabelecendo a malha estrutural característica da lâmina basal.

Distribuição tecidual

A distribuição da laminina é ampla, com predominância nas membranas basais que revestem epitélios e endotélios. Também envolve fibras musculares, adipócitos e células de Schwann nos nervos periféricos.

A expressão é dependente do tecido e do estágio de desenvolvimento. A laminina 111 apresenta maior expressão no período embrionário. No músculo adulto, predominam laminina 211 e laminina 221. Já as isoformas laminina 511 e laminina 521 são frequentemente encontradas em membranas basais de rim, pulmão e pele.

No sistema nervoso central, a expressão é célula específica. Astrócitos, neurônios, células endoteliais e pericitos sintetizam diferentes isoformas, associadas à manutenção da barreira hematoencefálica e aos processos de reparação tecidual.

Funções

Atuação na membrana basal

A laminina exerce funções amplas nos diferentes tecidos, principalmente por sua presença na membrana basal. Nos epitélios e endotélios, promove adesão celular, sustentação estrutural e delimitação entre o compartimento epitelial ou endotelial e o tecido conjuntivo subjacente. Também participa da regulação da migração celular, especialmente em processos de renovação tecidual e cicatrização.

Sistema musculoesquelético

No tecido muscular, a laminina está relacionada à estabilidade da fibra muscular e à adequada transmissão de força entre o citoesqueleto e a matriz extracelular. Alterações nessa interação comprometem a integridade estrutural do músculo e estão associadas a quadros de distrofia muscular.

Sistema nervoso

No sistema nervoso, contribui para o crescimento axonal, regeneração nervosa e organização da barreira hematoencefálica. Também influencia a diferenciação de células neurais, modulando a interação entre células e matriz extracelular em diferentes fases do desenvolvimento e da reparação.

Rim e tecidos metabólicos

No rim, integra a estrutura da membrana basal glomerular, participando da manutenção da arquitetura dos glomérulos e da dinâmica de filtração. Em tecidos adiposos e metabólicos, está envolvida na diferenciação celular e na regulação da homeostase metabólica.

Sinalização celular e regulação funcional

Além da função estrutural, a laminina atua como mediadora de sinalização celular, influenciando proliferação, sobrevivência, diferenciação e resistência à apoptose. Essas ações ocorrem por meio da interação com receptores como integrinas e distroglicano, ativando vias intracelulares específicas.

Aplicações diagnósticas

Imuno-histoquímica em patologia tumoral

A laminina é amplamente utilizada na imuno-histoquímica para identificação e caracterização da membrana basal em biópsias teciduais. A avaliação da integridade, descontinuidade ou ruptura da membrana basal auxilia no diagnóstico diferencial entre carcinomas e sarcomas, além de contribuir para a identificação de invasão tumoral e potencial metastático. A perda do padrão contínuo de marcação pode indicar transposição da barreira basal por células neoplásicas.

Doenças musculares

Na investigação de distrofias musculares congênitas, a análise da expressão de laminina α2, também denominada merosina, em músculo esquelético permite distinguir subtipos específicos. A deficiência ou ausência de laminina α2 configura um marcador diagnóstico associado a determinadas formas de distrofia muscular.

Nefropatias

No rim, a detecção de laminina na membrana basal glomerular contribui para a avaliação de glomerulopatias hereditárias e outras nefropatias estruturais. Alterações na expressão de laminina β2 podem estar relacionadas a disfunção da barreira de filtração glomerular.

Neuropatias periféricas

Em neuropatias, especialmente nas formas desmielinizantes, a análise da laminina nas células de Schwann pode auxiliar na caracterização estrutural da bainha nervosa e na investigação etiológica.

Biomarcadores séricos e prognóstico

Fragmentos de laminina ou isoformas específicas podem ser detectados em fluidos biológicos, sendo estudados como biomarcadores de progressão tumoral, fibrose e remodelamento tecidual. Alterações nos níveis circulantes podem refletir modificação estrutural da matriz extracelular e da membrana basal.

Aplicações terapêuticas 

Engenharia de tecidos e medicina regenerativa

As aplicações terapêuticas da laminina decorrem de sua capacidade de modular adesão, migração, diferenciação e sobrevivência celular. Em engenharia de tecidos, laminina e fragmentos bioativos são utilizados como revestimento de biomateriais, favorecendo adesão celular e direcionamento de linhagens, especialmente em protocolos de regeneração neural e muscular.

Hidrogéis biomiméticos inspirados em laminina são empregados para reproduzir o microambiente da matriz extracelular. Esses sistemas têm demonstrado melhora na sobrevivência e funcionalidade de células-tronco neurais, além de favorecer integração tecidual após transplantes celulares.

Distrofias musculares e terapias gênicas

Em distrofias musculares congênitas associadas à deficiência de laminina α2, estratégias experimentais incluem terapia gênica e administração de proteínas recombinantes visando restaurar a organização da membrana basal. Estudos pré-clínicos indicam melhora estrutural e funcional do tecido muscular em modelos experimentais.

Cicatrização e reparação tecidual

Fragmentos ou peptídeos derivados de laminina têm sido aplicados topicamente para acelerar cicatrização de feridas, promovendo regeneração epitelial e modulando a formação de tecido cicatricial. A ação envolve estímulo à migração celular e reorganização da matriz extracelular local.

Oncologia translacional

Peptídeos derivados de laminina vêm sendo investigados para interferir na interação entre células tumorais e a membrana basal, visando reduzir invasão e disseminação metastática. A modulação dessas interações pode alterar o comportamento celular em microambientes tumorais.

Integração de enxertos e transplantes

A modulação da laminina também é explorada para melhorar integração de enxertos, vascularização e viabilidade celular após transplantes, promovendo melhor adaptação do tecido implantado ao leito receptor.

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Referências bibliográficas 

  1. DEL MONTE-NIETO, G.; FISCHER, J. W.; GORSKI, D. J.; HARVEY, R. P.; KOVACIC, J. C. Basic biology of extracellular matrix in the cardiovascular system. Part 1 of 4: JACC Focus Seminar. Journal of the American College of Cardiology, 2020.
  1. HOHENESTER, E. Structural biology of laminins. Essays in Biochemistry, 2019.
  1. DURBEEJ, M. Laminins. Cell and Tissue Research, 2009.

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