Resumo sobre Posição ostostática: definição, manifestações clínicas e mais!
Fonte: Magnific

Resumo sobre Posição ostostática: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a Posição ortostática, a postura em que o indivíduo permanece em pé, com o corpo ereto e sustentando o peso sobre os membros inferiores, sendo amplamente utilizada na avaliação clínica da resposta cardiovascular, do equilíbrio postural e de alterações hemodinâmicas, como a hipotensão ortostática.

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Vamos nessa!

Definição de Posição ortostática

A posição ortostática é a postura ereta, ou em pé, na qual o corpo permanece verticalmente alinhado com os pés apoiados no solo. Nessa posição, a ação da gravidade promove o deslocamento de parte do volume sanguíneo para os membros inferiores e região abdominal, reduzindo temporariamente o retorno venoso, a pré-carga ventricular e a pressão arterial. 

Para manter a perfusão adequada dos órgãos, especialmente do cérebro, o organismo ativa rapidamente mecanismos compensatórios, como o reflexo barorreceptor e a resposta do sistema nervoso simpático, além de contar com a ação da bomba muscular dos membros inferiores e da bomba respiratória para favorecer o retorno venoso. 

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Alterações fisiológicas na posição ortostática

A adoção da posição ortostática desencadeia uma série de adaptações fisiológicas destinadas a manter a perfusão adequada dos órgãos, especialmente do cérebro, frente aos efeitos da gravidade sobre a circulação sanguínea.

Imediatamente após a mudança da posição supina para a posição em pé, ocorre um deslocamento gravitacional de aproximadamente 500 mL de sangue da região torácica para o sistema venoso de capacitância localizado abaixo do diafragma, fenômeno conhecido como pooling venoso. Como consequência, há redução do volume sanguíneo central, diminuição da pré-carga ventricular, do volume sistólico e da pressão arterial média.

Para compensar essas alterações hemodinâmicas, o organismo ativa rapidamente mecanismos regulatórios neurais. O principal deles é o reflexo barorreceptor, mediado por mecanorreceptores localizados no seio carotídeo e no arco aórtico, que promovem aumento da atividade do sistema nervoso simpático. Em menor grau, os quimiorreceptores também participam dessa resposta. Como resultado, ocorre aumento da frequência cardíaca, da contratilidade miocárdica e da vasoconstrição periférica, contribuindo para a manutenção da pressão arterial e da perfusão dos órgãos vitais.

Além dos mecanismos neurais, o retorno venoso é favorecido pela bomba muscular dos membros inferiores, na qual as contrações musculares, associadas às válvulas venosas, impulsionam o sangue em direção ao coração de forma unidirecional. A bomba respiratória também desempenha papel importante, uma vez que a inspiração profunda reduz a pressão intratorácica e aumenta a pressão intra-abdominal, facilitando o retorno venoso.

Quando a permanência na posição ortostática é prolongada, ocorrem adaptações adicionais. Observa-se uma redução aproximada de 13% do volume plasmático (cerca de 375 mL) nos primeiros 14 minutos, permanecendo relativamente estável após esse período. Paralelamente, há elevação da frequência cardíaca e aumento das concentrações plasmáticas de norepinefrina e epinefrina, refletindo a manutenção da ativação simpática necessária para preservar a estabilidade hemodinâmica durante a postura ereta.

Benefícios da posição ortostática

A posição ortostática proporciona diversos benefícios fisiológicos quando comparada à posição sentada, principalmente por promover maior ativação muscular, aumento do gasto energético e melhorias no metabolismo energético, além de reduzir os efeitos do comportamento sedentário.

Um dos principais benefícios é o aumento do gasto energético, uma vez que permanecer em pé eleva o consumo de energia em aproximadamente 9% em relação à posição sentada. Embora esse aumento seja relativamente modesto, sua manutenção ao longo do dia pode contribuir para maior dispêndio calórico.

Além disso, a posição ortostática promove maior ativação da musculatura dos membros inferiores, especialmente dos músculos da coxa e da perna, que permanecem continuamente ativos para sustentar a postura corporal e manter o equilíbrio. Em comparação com a posição sentada, observa-se aumento significativo da atividade muscular nesses grupos musculares, sem incremento relevante na atividade dos músculos das costas.

Outro benefício importante refere-se às alterações no metabolismo dos substratos energéticos. Durante a permanência em pé, há maior utilização de gorduras como fonte de energia e menor dependência da oxidação de carboidratos, indicando um perfil metabólico potencialmente mais favorável quando comparado à posição sentada.

A posição ortostática também contribui para a interrupção do comportamento sedentário, especialmente quando alternada periodicamente com a posição sentada. Levantar-se regularmente reduz o tempo de sedentarismo contínuo e favorece adaptações rápidas dos sistemas fisiológicos. Após a transição da posição sentada para a posição em pé, os ajustes neuromusculares ocorrem em cerca de 10 segundos, as adaptações hemodinâmicas em aproximadamente 10 a 20 segundos e as respostas metabólicas em torno de 30 a 40 segundos, demonstrando a elevada capacidade do organismo em se adaptar às mudanças posturais.

Outras posições corporais utilizadas na prática clínica

Além da posição ortostática, diversas posições corporais são utilizadas na prática clínica com finalidades específicas, como facilitar a respiração, melhorar a circulação, prevenir aspiração, proporcionar conforto e auxiliar em procedimentos diagnósticos e terapêuticos.

Posições supinas e variações

Decúbito dorsal (supina): Paciente deitado de costas, com a face voltada para cima. É uma das posições mais utilizadas para exames físicos, monitorização e procedimentos.

Semi-Fowler (semi-recumbente): Paciente em posição supina com a cabeceira elevada entre 30° e 45°. Favorece a expansão pulmonar, reduz o esforço respiratório e é frequentemente utilizada em pacientes com desconforto respiratório.

Fowler (Fowler alta): Cabeceira elevada entre 60° e 90°, deixando o paciente praticamente sentado no leito. É indicada para melhorar a ventilação pulmonar, facilitar a alimentação e proporcionar maior conforto.

Posições laterais

Decúbito lateral: Paciente deitado sobre o lado direito ou esquerdo, geralmente com travesseiros posicionados ao longo das costas e entre as pernas para manter o alinhamento corporal. A rotação pode variar de 30° a 90° em relação ao plano horizontal.

Posição de recuperação: Também chamada de semi-prona, lateral recumbente ou três-quartos prona. É recomendada para pacientes com diminuição do nível de consciência, pois ajuda a manter a via aérea pérvia e reduz o risco de broncoaspiração.

Outras posições importantes

Decúbito ventral (prona): Paciente deitado sobre o abdômen, com a cabeça voltada para um dos lados. Tem grande importância em pacientes com insuficiência respiratória, pois pode melhorar a oxigenação.

Trendelenburg: Paciente em posição supina com a cabeça em nível mais baixo que os pés, geralmente com inclinação de cerca de 10°. Pode ser utilizada em situações específicas para favorecer o retorno venoso.

Trendelenburg reversa: Paciente com a cabeça elevada e os pés mais baixos, sem flexão do quadril, com inclinação aproximada de 30° a 45°. Auxilia na redução da pressão abdominal e pode facilitar alguns procedimentos cirúrgicos e respiratórios.

Veja também!

Referências

ICCI, F.; DE CATERINA, R.; FEDOROWSKI, A. Orthostatic hypotension: epidemiology, prognosis, and treatment. Journal of the American College of Cardiology, v. 66, n. 7, p. 848–860, 2015.

JACOB, G.; ERTL, A. C.; SHANNON, J. R. et al. Effect of standing on neurohumoral responses and plasma volume in healthy subjects. Journal of Applied Physiology, v. 84, n. 3, p. 914–921, 1998.

GAO, Y.; SILVENNOINEN, M.; PESOLA, A. J. et al. Acute metabolic response, energy expenditure, and EMG activity in sitting and standing. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 49, n. 9, p. 1929–1934, 2017.

ISACCO, L.; GIMENEZ, P.; ENNEQUIN, G.; MOUROT, L.; GROSPRÊTRE, S. Cardiometabolic and neuromuscular analyses of the sit-to-stand transition to question its role in reducing sedentary patterns. European Journal of Applied Physiology, v. 122, n. 5, p. 1143–1154, 2022.

HEWITT, N.; BUCKNALL, T.; FARAONE, N. M. Lateral positioning for critically ill adult patients. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 5, Art. No.: CD007205, 2016.

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