Gota: tudo sobre!

Gota: tudo sobre!

Quer saber mais sobre a gota? O Estratégia MED separou as principais informações sobre o assunto para você. Vamos lá!

O que é Gota?

A gota é uma doença metabólica com importante manifestação reumatológica. Ela é decorrente do aumento sérico de ácido úrico que passa a sofrer deposição em diferentes tecidos na forma de cristais.

A epidemiologia da gota é relevante e, durante o período de maior aparecimento da doença, entre os 30 e 60 anos, acomete 9 homens para cada mulher. A prevalência na população adulta geral pode chegar a 1% e está fortemente associada aos hábitos de vida. Outras doenças estão fortemente relacionadas à gota, como diabetes, hipertensão arterial, insuficiência coronariana, hipertrigliceridemia, hipercolesterolemia e dislipidemia, além de possuir importante carga hereditária.

Alguns fatores parecem estar associados à manifestação da crise de gota com acometimento articular, principalmente: 

  • Medicamentos, como tuberculostáticos, salicilatos e diuréticos;
  • Traumas;
  • Bebidas alcoólicas;
  • Infecções;
  • Consumo exagerado de carnes e outros alimentos como feijão, ervilha e lentilha;
  • Variações emocionais com estresse; e
  • Cirurgias.

Quais as causas da Gota?

A causa inicial da gota é a elevação dos níveis de ácido úrico no organismo. Tal alteração faz com que o metabólito seja precipitado e se concentre nos tecidos humanos, com grande destaque para os rins e articulações. Diante dessa situação, as células passam a responder com uma resposta inflamatória tendo os cristais como alvo.

Os cristais de ácido úrico são, inicialmente, atacados por imunoglobulina G e, então, fagocitados formando fagolisossomos. As principais células imunes são ativadas e os fibroblastos, linfóctios, monócitos, sinoviócitos e neutrófilos atuam na resposta inflamatória.

Existe ainda um agravante local para o quadro quando o hidrogênio é liberado pela degradação de IgG, que está opsonizando as moléculas de ácido úrico, causando lise de diversas células, as quais liberam seu conteúdo citoplasmático. Quando isso acontece, a resposta celular é exagerada, principalmente com IL-1, IL-6, ROSs, leucotrienos e protraglandina E2, aumentando a migração celular.

O resultado tecidual da resposta inflamatória desencadeada pela presença de cristais de ácido úrico é a proliferação sinovial, congestão vascular, infiltração de neutrófilos e, por fim, dano tecidual.

Além disso, a doença pode acontecer, basicamente, por dois mecanismos fisiopatológicos principais:

  • Diminuição da eliminação de ácido úrico pelos rins, o que acontece em quase 85% dos pacientes. Vale ressaltar que essa deficiência não necessariamente está relacionada ao mau funcionamento renal, podendo ser decorrente do uso de variados fármacos, por exemplo; e
  • Aumento da síntese do ácido úrico, o que pode ser causado por diversos mecanismos, como: defeito enzimático, idiopático, turnover elevado dos ácidos nucleicos, dieta rica em proteínas, cirurgia, infecções ou traumas.

Quais os sintomas?

Os sintomas da gota podem ser diversos a depender do tecido ou órgão acometido pelos cristais. Os principais sinais foram agrupados em diferentes formas e períodos de manifestação da doença, que podem estar presentes concomitante, simultânea ou alternadamente.

Elevação assintomática de ácido úrico

Costuma ser um achado acidental já que, normalmente, os sintomas ainda não começaram, mas é uma situação que evidencia a possibilidade de um quadro posterior sintomático. Laboratorialmente, um paciente é considerado hiperuricêmico para valores acima de 7 mg/dL de ácido úrico, a partir dessa concentração a solubilidade é diminuída e pode começar a haver deposição do metabólito na forma de cristais.

Artrite aguda

A artrite é o principal sintoma da gota e em 90% dos casos cursa com monoartrite, principalmente nos membros inferiores. O comprometimento é agudo, portanto, muito repentino, causando edema, eritema, aumento da temperatura e, principalmente, dor muito intensa.

O quadro sintomático, normalmente, é autolimitado e, mesmo quando não tratado, tende a desaparecer em um período de até 2 semanas. Durante esse período, a resposta ao medicamento costuma ser rápida e pode ser eficaz. 

A evidência reumatológica, normalmente se manifesta em membros inferiores, como nas articulações do tornozelo, tarso, joelhos, metatarsofalangeanas e interfalangianas. Um sinal importante acontece pelo acometimento da articulação metatarsofalangeana do primeiro dedo, também chamada de podagra. Ela acontece em quase metade dos quadros iniciais e em 90% dos doentes no curso da doença durante a vida. Já as articulações do cotovelo, punhos interfalangeanas e metacarpofalangianas são os principais sítios sintomáticos da gota aguda no membro superior. Importante salientar que em alguns pacientes a crise aguda pode cursar com quadros de acometimento poliarticular.

Outros sintomas que podem acontecer nesse momento são: febre, poliúria e irritabilidade. Além disso, após o acometimento agudo pode haver certa descamação da epiderme limitada à região afetada.

Período intercrítico

Entre as crises agudas, principalmente em pacientes no início da doença, o indivíduo costuma estar assintomático, sem qualquer queixa, sequela ou perda funcional nas articulações previamente afetadas pela gota. A duração desse período é extremamente variada, mas normalmente é de 1 a 6 meses, em alguns casos o doente pode apresentar apenas uma ou poucas crises durante toda a vida. Em pessoas com maior tempo de início da doença, as crises sintomáticas tendem a ser mais frequentes e mais prolongadas, porém com intensidade menor.

A evolução para fase crônica poliarticular é rara, mas pode acontecer, principalmente, em pacientes com mais anos de doença, nesses casos, mesmo no período intercrítico pode haver dor e comprometimento articular.

Gota tofácea crônica

O principal sintoma desse grupo e um dos principais sinais da gota é o aparecimento de tofos, que são depósitos de cristais de urato, na porção subcutânea da região articular ou periarticular. Geralmente, os tofos aparecem apenas após 11 anos de doença e a terapia uricorredutora pode ser bastante eficaz no controle desse sinal. Os principais locais em que os tofos aparecem são: cotovelo, punhos, pés, joelhos, tornozelos, orelha externa, bursa do olécrano, porção extensora das mão e ulnar do antebraço.

Urolitíase e gota com manifestação renal

De forma geral, a gota cursa com acometimento das vias urinárias e essa é a terceira principal manifestação da doença, atrás apenas do comprometimento articular e subcutâneo. Os principais sintomas e achados relacionados são:

  • Nefropatia úrica aguda: o ácido úrico se precipita em grande quantidade nos ureteres e ductos coletores, podendo causar insuficiência renal de padrão obstrutivo agudo. Vale ressaltar que tal manifestação possui relação com o tratamento quimioterápico de doenças mielo ou linfoproliferativas;
  • Nefropatia úrica crônica: nesse caso, a precipitação dos cristais de ácido úrico ocorre, provavelmente, no parênquima dos rins. A resposta inflamatória é, então, desencadeada com a participação de células gigantes o que causa incapacidade de concentração da urina e proteinúria; e
  • Urolitíase: quase um quarto dos pacientes com gota apresentam cálculo em alguma porção do trato urinário. O próprio ácido úrico forma os cálculos, que também podem ter oxalato de cálcio em sua composição.

Diagnóstico da Gota

A gota é uma artrite com manifestação bastante típica e, muitas vezes, o diagnóstico clínico é bastante eficiente. Pacientes que apresentam um quadro de monoartrite aguda sucessiva, acima dos 40 anos, com outras doenças associadas, do sexo masculino, histórico familiar positivo, urolitíase e podagra possuem grande indicação para a suspeita da doença. 

O principal exame laboratorial utilizado é a dosagem da uricemia, que pode, entretanto, apresentar valores normais, ou seja, valores abaixo de 7 mg/dL, em até 25% dos pacientes em períodos de crise.

A presença de cristais de monourato de sódio, comprovada por técnica de birrefringência na análise do líquido sinovial ou dos tofos, é patognomônica da doença e fecha o diagnóstico. Exames de imagem podem ajudar e costumam mostrar cistos, aumento da densidade óssea na porção perilesional ou lesões em saca-bocado ao raio-x.

Tratamento para Gota

O tratamento da gota varia por conta do período e da forma de manifestação da doença, principalmente na questão da apresentação aguda ou crônica. Além disso, objetiva prevenir novas crises, mantendo o nível de ácido úrico abaixo da marca de 6 mg/dL.

Durante a crise da doença, os AINEs são as drogas mais indicadas, os principais são cetoprofeno em 50 mg 3 vezes/dia, naproxeno 500 mg 2 a 3 vezes/dia ou diclofenaco de sódio em 50 mg 3 vezes/dia, que parecem mostrar bons resultados, inclusive com atuação anelgésica. Alguns menos utilizados são inibidores específicos da cicloxigenase, como meloxicam e o piroxicam. Para as crises, os corticoides são pouco indicados, mas prednisolona ou dexametasona podem ajudar em alguns casos.

A droga mais clássica e mais utilizada para o controle das crises agudas de gota é a colchicina na dose de 0,5 mg 2 a 3 vezes/dia, mas possui efeitos colaterais relevantes como diarreia e cólicas. A associação dessa droga com corticoides ou AINEs pode ser proposta.

Fora das crises, em uma abordagem mais preventiva para futuras manifestações agudas, as principais medidas utilizadas são:

  • Drogas uricosúricas, que tem como principal exemplo a benzobromarona na posologia de 25 a 200 mg/dia. A administração deve ser gradual e evitada em pacientes com urolitíase, esse fármaco age inibindo a reabsorção tubular do ácido úrico. Fenofibratos, losartan, probenecida e sulfinpirazona são outras drogas dessa classe;
  • Drogas inibidoras da síntese do ácido úrico tendo como a principal representante o alopurinol, fármaco que limita o metabolismo das purinas por competir com a enzima xantina oxidase. A posologia mais indicada é de 100 a 600 mg/dia. Algumas interações medicamentosas devem ser previamente analisadas e o febuxostate parece ser uma opção; e
  • Uma mudança na dieta também é indicada, principalmente evitando leguminosas e carnes. Muitas vezes os pacientes com gota já estão submetidos a uma dieta por conta das outras doenças associadas. Além disso, bebidas alcoólicas devem ser completamente retiradas da dieta.

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