Pancreatite: O que é, sintomas e muito mais!

Pancreatite: O que é, sintomas e muito mais!

Quer saber o que é pancreatite? O Estratégia MED separou para você as principais informações sobre o assunto. 

O que é?

É um processo inflamatório que acomete o pâncreas e pode ter diversas causas. Essa doença pode levar a várias complicações, inclusive à morte do paciente em casos mais graves. 

Anatomia do pâncreas

Quais os tipos?

É possível dividir as pancreatites em três grandes grupos: a pancreatite hereditária, a aguda e a crônica. Confira os detalhes de cada uma abaixo. 

Pancreatite hereditária

Nesse caso, a doença se assemelha a crises repetidas de pancreatite aguda, de forma que resultam em alterações nos ductos pancreáticos e do parênquima do pâncreas. Essas alterações também são encontradas em quadros de pancreatite crônica.

A pancreatite hereditária acontece devido a mutações genéticas que facilitam a ativação do tripsinogênio em tripsina ou que dificultam sua inativação dentro dos ácinos do pâncreas, o que promove a inflamação. 

A gravidade do quadro é variável, de maneira que alguns pacientes apresentam poucos sintomas, enquanto outros desenvolvem pancreatites agudas graves.

Pancreatite aguda

Pancreatite aguda é a inflamação aguda do pâncreas, que pode envolver também tecidos próximos e órgãos mais distantes. A manifestação mais grave da doença é rara, porém apresenta até 35% de mortalidade entre os pacientes e requer tratamento intensivo. 

Há várias causas da pancreatite aguda, porém as principais são:

  1. Litíase biliar – principal causa de pancreatite aguda, é responsável por 40% dos casos;
  2. Álcool – o etilismo é causa de aproximadamente 30% das pancreatites agudas e afeta principalmente homens jovens;
  3. Hipertrigliceridemia – triglicerídeos plasmáticos acima de 1000 mg/dL aumentam consideravelmente o risco de pancreatite aguda, mas não se sabe exatamente qual  mecanismo fisiopatológico é a causa;
  4. Medicamentos – os mecanismos que levam à pancreatite aguda medicamentosa são variáveis. As substâncias mais comuns que causam  a doença são sulfonamidas, tetraciclinas, tiazídicos, furosemida, salicilatos, etc.
  5. Tumores – qualquer massa que obstrua a drenagem do suco pancreático pode levar à pancreatite aguda. 

Diagnóstico

Diagnóstico pancreatite

O diagnóstico da pancreatite aguda é feito caso haja dois de três achados:

  • Dor abdominal típica no andar superior do abdome, acompanhada de náuseas e vômitos.
  • A amilase ou lipase deve ser maior ou igual a três vezes o limite superior da normalidade.
  • Achados típicos nos exames de imagem.

Na tomografia, os principais achados relacionados à pancreatite aguda são: 

  1. Aumento focal ou difuso do pâncreas;
  2. Pâncreas com contornos irregulares e atenuação heterogênea; 
  3. Presença de líquido ao redor do pâncreas ou no abdome.

Prognóstico

Os casos leves de pancreatite aguda têm mortalidade de cerca de 3% e correspondem a aproximadamente 85% do total de casos. O curso é autolimitado e com tratamento conservador apresentam melhora clínica. Dieta adequada, reposição hídrica e uso de analgésicos costumam ser eficazes no controle da doença.

Já nas formas graves, os pacientes têm diversas disfunções orgânicas e a mortalidade é elevada. Os cuidados devem ser intensivos e o tratamento é feito de maneira muito mais ampla. 

A fim de tentar predizer o curso da pancreatite, foram estabelecidos os critérios de Ranson. O objetivo é estabelecer uma pontuação para cada caso de pancreatite aguda e assim definir o prognóstico. 

Critérios de Ranson

Cada critério abaixo equivale a um ponto. Se a soma for menor que 3 pontos, a mortalidade é de 0 a 3% dos casos. Caso seja maior ou igual a 3 e menor que 6, a mortalidade é de 11 a 15%. Por fim, pontuações iguais ou superiores a 6 correspondem a uma mortalidade acima de 40%.. 

Critérios de Ranson

Pancreatite crônica

As pancreatites crônicas causam fibrose no pâncreas e irregularidades dos ductos pancreáticos de forma progressiva. Os principais tipos de pancreatite crônica, conforme classificação de Roma proposta em 1988, são as pancreatites calcificantes e as obstrutivas. 

Quase a totalidade das pancreatites crônicas são calcificantes, ou seja, apresentam depósitos de cálcio dentro do pâncreas. Sua etiologia pode ser alcoólica, hereditária, nutricional, metabólica ou idiopática. 

Por sua vez, as pancreatites crônicas obstrutivas têm origem em qualquer alteração morfológica que torne a drenagem do suco pancreático mais difícil.

A causa mais comum de pancreatite crônica é o uso abusivo de álcool, que corresponde a mais de 90% dos casos no Brasil. Existe uma quantidade diária de ingestão de álcool que eleva o risco para a pancreatite. No caso das mulheres, o valor é de 80 mL de etanol puro, enquanto que para homens o valor é 100 mL. 

Diagnóstico

O diagnóstico é feito a partir de características clínicas próprias, como: dor abdominal, uso abusivo de álcool e  presença de alterações anatômicas. O etilismo também deve estar associado a exames que demonstrem a perda da função pancreática.

Assim, alguns exames que podem auxiliar no diagnóstico são glicemia, teste da secretina-colecistocinina, tomografia computadorizada e colangiopancreatografia retrógrada endoscópica.

Quais são os sintomas da pancreatite?

Tanto na pancreatite crônica quanto na aguda, o sintoma mais clássico é a dor abdominal no andar superior do abdome. Nas pancreatites agudas, a dor é acompanhada por náuseas e vômitos em 90% dos casos. Já nas crônicas, há alternância de períodos com e sem dor. Nesse quadro, o paciente apresenta icterícia em 25% dos casos, além de perda de peso. 

Tratamento

O tratamento varia conforme o tipo de pancreatite que o paciente apresenta. Nas pancreatites agudas, é muito importante realizar o escore de acordo com os critérios de Ranson para avaliar a conduta terapêutica.

Pancreatite aguda

Na pancreatite aguda leve, o tratamento conservador é feito com alívio dos sintomas dolorosos por meio de analgésicos e jejum oral. O objetivo é induzir o repouso pancreático.

Já na pancreatite aguda grave, o tratamento é feito por meio de reposição de volume com cristalóides, preferencialmente por um acesso venoso central. A analgesia é feita com opióides, administrados por via venosa. O ideal é introduzir  a dieta por via enteral após a estabilização hemodinâmica. 

Métodos mais invasivos, como a cirurgia, podem ser necessários em caso de necrose pancreática. Além disso, também é possível fazer um tratamento endoscópico se houver cálculos biliares associados à pancreatite aguda.

Pancreatite crônica

Por sua vez, o tratamento da pancreatite crônica começa de forma clínica. A primeira medida é suspender o agente causador, que geralmente é o álcool. Pacientes fumantes também precisam parar com a prática, já que o tabagismo piora o prognóstico do curso natural da doença. 

Nos períodos assintomáticos, o paciente deve ter uma dieta pobre em gorduras e rica em proteínas. Durante as crises dolorosas, a conduta é a mesma do tratamento de pancreatites agudas, ou seja, jejum oral e analgesia.

Com a evolução da doença, a síndrome de má-absorção e a diabetes mellitus também podem se manifestar por conta da perda de função pancreática. No caso da má-absorção, o médico deve administrar extratos pancreáticos. Já a diabetes é tratada com hipoglicemiantes orais e/ou insulina. 

Por fim, a cirurgia é indicada para melhorar o fluxo do suco pancreático em caso de crises de dor incapacitantes.

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