Resumo de Lesão Cutânea Vegetante: causas, diagnóstico e mais!

Resumo de Lesão Cutânea Vegetante: causas, diagnóstico e mais!

Olá, querido doutor e doutora! As lesões cutâneas vegetantes representam um padrão morfológico comum na prática dermatológica, envolvendo etiologias autoimunes, infecciosas, neoplásicas e inflamatórias. O reconhecimento precoce das características clínicas e histopatológicas permite direcionar a investigação diagnóstica de forma objetiva. 

O diagnóstico das lesões cutâneas vegetantes exige integração entre avaliação clínica, histopatológica, imunológica e microbiológica.

O que é a Lesão cutânea vegetante 

A lesão cutânea vegetante corresponde a uma alteração dermatológica caracterizada por crescimento exofítico, com superfície geralmente verrucosa, úmida ou exsudativa, formando placas ou massas elevadas que podem apresentar erosões, tecido de granulação e bordas irregulares. O padrão morfológico reflete proliferação exuberante do epitélio associada a processo inflamatório subjacente.

Esse tipo de lesão pode ocorrer no contexto de diferentes dermatoses, como pênfigo vegetante, pioderma vegetante, sífilis secundária em sua forma vegetante, e variantes vegetantes do pioderma gangrenoso. Observa-se maior frequência em áreas intertriginosas, onde maceração e infecção secundária favorecem o aspecto proliferativo.

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Classificação etiológica

Doenças autoimunes

Incluem o pênfigo vegetante, no qual autoanticorpos dirigidos contra moléculas de adesão dos queratinócitos levam à formação de lesões exofíticas proliferativas, frequentemente em áreas intertriginosas.

Infecções

Podem ser bacterianas, como no pioderma vegetante, fúngicas, como paracoccidioidomicose e cromoblastomicose, parasitárias, como leishmaniose cutânea, ou relacionadas a micobactérias. Na leishmaniose cutânea, as lesões podem evoluir para placas vegetantes hiperqueratóticas ou verrucosas, ampliando o espectro morfológico.

Neoplasias

Tumores benignos ou malignos podem assumir padrão vegetante, incluindo carcinoma verrucoso, carcinoma escamoso em forma vegetante e dermatofibrosarcoma protuberante.

Dermatoses neutrofílicas

O pioderma gangrenoso em variante vegetante apresenta infiltração neutrofílica associada à hiperplasia epidérmica, compondo o grupo das dermatoses inflamatórias proliferativas.

Histiocitoses

Algumas formas de histiocitose cutânea podem manifestar-se com padrão vegetante, sobretudo em apresentações proliferativas.

Pseudolinfomas e reações inflamatórias

Condições linfoproliferativas benignas, como pseudolinfoma cutâneo, podem simular clinicamente lesões vegetantes, exigindo correlação histológica.

Fisiopatologia  

A lesão cutânea vegetante decorre de proliferação epidérmica associada à inflamação persistente, com formação de tecido de granulação e infiltração celular, frequentemente em áreas de maceração ou semioclusão. O mecanismo varia conforme a etiologia de base.

Doenças autoimunes

No pênfigo vegetante, há produção de autoanticorpos contra moléculas de adesão dos queratinócitos, como desmogleína 1 e desmocolinas. Esse processo leva à acantólise, formação de microabscessos intraepidérmicos e infiltrado inflamatório com predomínio de neutrófilos e eosinófilos. 

Citocinas como IL 17A e IL 22, produzidas por linfócitos T e macrófagos, sustentam a hiperplasia epidérmica e mantêm a inflamação local. A colonização por Staphylococcus aureus pode intensificar o padrão vegetante.

Infecções crônicas

Em infecções bacterianas, fúngicas ou por micobactérias, a lesão resulta de resposta inflamatória prolongada, com supuração, fibrose e hiperplasia pseudoepiteliomatosa. Em pacientes imunocomprometidos, a disfunção imune favorece a persistência do agente e a formação de placas exofíticas proliferativas.

Dermatoses neutrofílicas

No pioderma gangrenoso em sua forma vegetante, ocorre infiltração dérmica de neutrófilos, formação de abscessos e inflamação crônica associada à proliferação epidérmica.

Epidemiologia e fatores de risco

Doenças autoimunes

No pênfigo vegetante e na piodermatite vegetante, a ocorrência é rara, predominando em adultos jovens a meia idade. Observa-se maior frequência em indivíduos com história de autoimunidade sistêmica, especialmente doença inflamatória intestinal. Entre os fatores associados estão predisposição genética, uso de imunomoduladores e coexistência de outras doenças autoimunes.

Infecções

Lesões vegetantes infecciosas são mais comuns em regiões tropicais e subtropicais, particularmente em trabalhadores com contato frequente com solo, vegetação ou animais. A imunossupressão, seja por transplante, infecção pelo HIV ou corticoterapia, aumenta o risco de infecções fúngicas profundas como cromoblastomicose e paracoccidioidomicose, além de infecções bacterianas e parasitárias como leishmaniose cutânea. Diabetes e maceração cutânea também contribuem para a instalação e manutenção das lesões.

Neoplasias

No carcinoma espinocelular em variante vegetante, os principais fatores associados incluem exposição solar crônica, idade avançada e imunossupressão. A presença de lesões pré malignas, cicatrizes crônicas e infecção por Papilomavírus humano em áreas anogenitais ou periungueais também está relacionada ao desenvolvimento tumoral.

Dermatoses neutrofílicas

No pioderma gangrenoso em sua forma vegetante, há associação com doenças sistêmicas como doença inflamatória intestinal, artrite reumatoide e hematopatias. Predomina em adultos, com maior frequência em mulheres, podendo ser desencadeado por trauma cutâneo, caracterizando fenômeno de patergia.

Histiocitoses

As formas cutâneas podem ocorrer em crianças, como no xantogranuloma juvenil, e em adultos jovens. Podem ser primárias ou associadas a acometimento sistêmico. Fatores descritos incluem mutações somáticas na via MAPK, como em BRAF e MEK, além de associação com doenças hematológicas ou autoimunes.

Avaliação clínica

Doenças autoimunes

No pênfigo vegetante e na piodermatite vegetante, predominam placas úmidas, exofíticas, de bordas irregulares, principalmente em áreas intertriginosas. Podem apresentar erosões, crostas, exsudato e, em alguns casos, pústulas ou vesículas iniciais. O acometimento de mucosa oral pode ocorrer, especialmente na piodermatite vegetante, com lesões vegetantes e pustulosas.

Infecções

Nas infecções bacterianas, fúngicas ou parasitárias, as lesões podem assumir aspecto de placas verrucosas, tumorações exofíticas, úlceras com granulação exuberante ou massas infiltrativas. Na Cromoblastomicose e na Paracoccidioidomicose, observam-se placas vegetantes hiperqueratóticas. A leishmaniose cutânea pode evoluir para formas vegetantes ou verrucosas, ampliando o espectro clínico.

Neoplasias

No carcinoma espinocelular em variante vegetante e no carcinoma verrucoso, as lesões são tipicamente endurecidas, exofíticas e de superfície irregular, podendo ulcerar e infiltrar estruturas adjacentes. O crescimento costuma ser lento, porém progressivo, com potencial de invasão local.

Dermatoses neutrofílicas

No pioderma gangrenoso em sua forma vegetante e na amicrobial pustulosis das pregas, predominam placas vegetantes dolorosas, com bordas violáceas, exsudação e pústulas, podendo evoluir com necrose. O fenômeno de patergia é frequente. Em apresentações mais extensas, podem ocorrer febre e manifestações sistêmicas.

Histiocitoses

Nas histiocitoses cutâneas, observam-se pápulas, nódulos ou placas vegetantes, frequentemente de coloração amarelada ou ferruginosa, com possibilidade de ulceração ou formação de massas infiltrativas. O acometimento pode ser restrito à pele ou associado a envolvimento sistêmico, sendo mais comum em crianças e adultos jovens.

Diagnóstico 

DiagnósticoAchados histopatológicosExames complementares úteis
Pênfigo vegetanteHiperplasia epidérmica, acantólise suprabasal, microabscessos com neutrófilos e eosinófilosIFD com IgG e C3 intercelular, ELISA anti desmogleína 1 e 3
Piodermatite vegetanteMicroabscessos intraepidérmicos, eosinofilia tecidual proeminente, sem acantólise típicaInvestigação de doença inflamatória intestinal
Pioderma gangrenoso vegetanteInfiltrado neutrofílico dérmico, abscessos, granulomas, hiperplasia pseudoepiteliomatosaDiagnóstico de exclusão, investigação de doenças sistêmicas
CromoblastomicoseHiperplasia pseudoepiteliomatosa, granulomas supurativos, células muriformes característicasCultura em ágar Sabouraud
ParacoccidioidomicoseGranulomas com células gigantes, leveduras com brotamento múltiplo típicoSorologia por imunodifusão
Leishmaniose cutâneaInfiltrado linfoplasmocitário denso, granulomas mal organizadosPCR com maior sensibilidade
Carcinoma espinocelular vegetanteHiperplasia pseudoepiteliomatosa com invasão dérmica e atipia citológicaImuno-histoquímica com Ki67, p53, citoqueratinas

Tratamento

EtiologiaConduta terapêuticaObservações clínicas
Pênfigo vegetanteCorticosteroides sistêmicos como prednisona 0,5 a 1 mg por kg por diaPode associar azatioprina ou micofenolato de mofetil em casos refratários; resposta clínica pode ser lenta; acompanhamento histopatológico auxilia no seguimento
Piodermatite vegetanteCorticosteroides sistêmicos; manejo da doença intestinal associadaInvestigar e tratar Doença inflamatória intestinal concomitante
CromoblastomicoseItraconazol 200 mg por dia por período prolongadoTratamento prolongado por meses; monitorar resposta clínica
ParacoccidioidomicoseItraconazol ou sulfametoxazol trimetoprimaEscolha guiada por sorologia e cultura
Leishmaniose cutâneaAntimoniais pentavalentes ou miltefosinaSeguir protocolos regionais; PCR pode auxiliar no diagnóstico
Carcinoma espinocelular vegetanteExcisão cirúrgica com margens adequadasPode necessitar radioterapia ou quimioterapia em casos avançados; avaliação histológica profunda define invasão
Pioderma gangrenoso vegetanteCorticosteroides sistêmicos ou ciclosporinaBiológicos como infliximabe ou adalimumabe podem ser utilizados em casos refratários
Histiocitose cutâneaCorticosteroides tópicos ou intralesionais em formas localizadasDoença sistêmica pode exigir quimioterapia, imunossupressores ou terapias alvo como inibidores de BRAF ou MEK

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Referências bibliográficas 

  1. NGUYEN, G. H.; CAMILLERI, M. J.; WETTER, D. A. Characterization and management of amicrobial pustulosis of the folds, aseptic abscess syndrome, Behçet disease, neutrophilic eccrine hidradenitis, and pyostomatitis vegetans-pyodermatitis vegetans. Dermatologic Clinics, 2024.
  1. GÜNAŞTI, S.; AKSUNGUR, V. L. Granulomatous disorders. Clinics in Dermatology, 2013.
  1. MARZANO, A. V.; ORTEGA-LOAYZA, A. G.; HEATH, M. et al. Mechanisms of inflammation in neutrophil-mediated skin diseases. Frontiers in Immunology, 2019.

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