Resumo sobre a astenia: definição, manifestações clínicas e mais!
Fonte: Magnific

Resumo sobre a astenia: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema importante? Hoje o foco é a astenia, um quadro clínico que muitas vezes é confundido com o cansaço comum, mas que representa um verdadeiro esgotamento dos recursos do organismo.

O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura no manejo dessa síndrome tão frequente no dia a dia.

Vamos nessa!

Definição da astenia

A astenia é uma condição clínica marcada por uma exaustão profunda e uma sensação de impotência física e mental, representando o esgotamento dos recursos psicofisiológicos do organismo. Diferente da fadiga comum, ela surge de forma patológica, muitas vezes sem esforço prévio, e o repouso não é suficiente para “recarregar as baterias” do paciente.

As manifestações são sistêmicas e envolvem sintomas físicos, cognitivos e emocionais. É comum o relato de cefaléia, distúrbios do sono, irritabilidade e uma “névoa mental” que prejudica drasticamente a atenção e a memória. Além disso, o quadro pode vir acompanhado de hiperestesia, que é uma sensibilidade aumentada e incômoda à luz e aos sons.

Para fins diagnósticos, a astenia é caracterizada quando esses sintomas persistem por mais de um mês, sinalizando que os mecanismos de compensação do corpo não são mais suficientes. Caso o quadro se prolongue por mais de seis meses, a condição pode ser classificada como Síndrome da Fadiga Crônica. Em qualquer estágio, ela compromete significativamente a qualidade de vida, dificultando tarefas simples e a produtividade no dia a dia.

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Etiologia da astenia

A astenia é uma síndrome de etiologia multifatorial que reflete o esgotamento dos recursos psicofisiológicos do organismo. Seu desenvolvimento resulta de uma combinação complexa de gatilhos biológicos, psicológicos e sociais que, juntos, levam a uma falha nos mecanismos de compensação energética e de reserva do corpo.

Os principais fatores de risco e causas incluem:

  • Infecciosos: Gatilhos virais agudos ou crônicos, com destaque para a COVID-19, vírus Epstein-Barr, Herpes simples e Hepatites B e C.
  • Comorbidades somáticas e neurológicas: Condições crônicas como Esclerose Múltipla, Doença de Parkinson, sequelas de AVC, além de neoplasias e distúrbios endócrinos.
  • Mecanismos moleculares e metabólicos: Disfunção mitocondrial (prejudicando a produção de ATP), estresse oxidativo e neuroinflamação mediada por citocinas pró-inflamatórias (como IL-1β e IL-6).
  • Fatores psicogênicos e sociais: Estados de estresse crônico, depressão, ansiedade e baixo nível socioeconômico, que podem afetar o potencial motivacional do paciente.
  • Medicamentos: Uso de fármacos como betabloqueadores, hipolipemiantes, interferons, tranquilizantes e certos antidepressivos.
  • Características demográficas: Maior prevalência observada no sexo feminino e, em alguns contextos, em pacientes de faixas etárias mais avançadas.

Em conjunto, esses fatores contribuem para um desequilíbrio neuroendócrino e falha na utilização de energia pelas células, resultando na sensação persistente de exaustão e na redução da capacidade de ação.

Manifestações clínicas da astenia

A manifestação clínica mais característica da astenia é a fadiga patológica, que se diferencia do cansaço comum por surgir sem um esforço proporcional e, principalmente, por não ser aliviada pelo repouso. 

O paciente sente que sua “bateria” nunca recarrega, experimentando uma exaustão que muitas vezes é desproporcional à sua atividade física ou mental recente. Para facilitar a sua análise no consultório, dividi as manifestações em dois pilares principais:

Esgotamento físico

Além da fraqueza generalizada, o quadro costuma vir acompanhado de uma série de disfunções vegetativas. É muito comum o paciente relatar distúrbios do sono como insônia ou sonolência diurna excessiva, além de episódios de taquicardia, sudorese e até dores sem causa aparente, como cefaleias e mialgias. Esse conjunto de sintomas reflete o esgotamento dos recursos que o corpo usa para manter o equilíbrio interno.

O impacto cognitivo e a hiperestesia

A astenia também “pesa” na mente, manifestando-se por meio de uma névoa mental que prejudica a memória, a atenção e a capacidade de concentração. Outro achado clínico muito específico é a hiperestesia: o paciente se sente incomodado por estímulos que antes eram normais, apresentando uma sensibilidade aumentada e irritável a luzes fortes e ruídos altos.

Diagnóstico da astenia

O diagnóstico da astenia exige um elevado grau de suspeição clínica, especialmente em pacientes que apresentam uma fadiga que parece “não ter fim” e que não é justificada por esforços recentes. O critério temporal é decisivo, se o cansaço e a baixa produtividade mental persistirem por mais de um mês, o quadro deixa de ser fisiológico (uma resposta normal ao estresse) e passa a ser considerado clínico. 

Já nos casos em que essa exaustão ultrapassa os seis meses e envolve falhas imunes, o diagnóstico deve considerar a Síndrome da Fadiga Crônica. Para tirar o diagnóstico do campo puramente subjetivo, utilizamos ferramentas validadas que medem o impacto na rotina do paciente. 

A Fatigue Severity Scale (FSS) é uma das mais consagradas, onde uma pontuação total acima de 4 indica uma astenia clinicamente significativa. Além dela, a Escala Visual Analógica (VAS) e testes objetivos de desempenho, como a “prova de correção”, ajudam o médico a quantificar a queda na atenção e a velocidade de processamento mental do paciente no consultório.

Tratamento da astenia

O tratamento da astenia é multidisciplinar e baseia-se na correção dos desequilíbrios biológicos, no suporte psicoterapêutico e na reabilitação física. Como o quadro envolve um esgotamento de reservas, o manejo tem como objetivo interromper o ciclo de exaustão, promover a recuperação dos processos energéticos celulares e restaurar a funcionalidade social e o bem-estar psicológico do paciente.

A abordagem não farmacológica é essencial e foca na educação do paciente, ensinando estratégias de conservação de energia para que ele aprenda a descansar antes mesmo de atingir o limite do cansaço. Terapias como a Cognitivo-Comportamental são grandes aliadas para fortalecer a motivação, enquanto a prática de exercícios físicos leves e técnicas de relaxamento ajudam o corpo a reencontrar seu equilíbrio e reduzir a tensão mental.

No campo medicamentoso, o foco principal não é a estimulação artificial, mas sim a correção do metabolismo celular e a proteção das mitocôndrias, as “usinas de força” do organismo. O tratamento também busca o alívio de sintomas paralelos, como dores musculares, ansiedade e distúrbios do sono, garantindo que o paciente recupere a qualidade do descanso e a clareza mental necessárias para retomar sua rotina.

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Referências

VOROBYOVA, Yu. D.; DIUKOVA, G. M. Asthenic syndrome in context of COVID-19 pandemic. Medical Alphabet, [s. l.], n. 33, p. 26-34, 2020.

SHCHUKIN, I. A. et al. Asthenia in patients with chronic neurological diseases. The Clinician, [s. l.], n. 2, 2013.

KURUSHINA, O. V.; DUMTSEV, V. V. Asthenia in young patients and possibilities for its correction. S.S. Korsakov Journal of Neurology and Psychiatry, [s. l.], v. 124, n. 5, p. 133-137, 2024.

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