Resumo sobre Meralgia Parestésica: definição, manifestações clínicas e mais!
Fonte: Magnific

Resumo sobre Meralgia Parestésica: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a meralgia parestésica, também conhecida como síndrome de Bernhardt-Roth ou síndrome do túnel inguinal. Trata-se de uma neuropatia decorrente da compressão ou lesão do nervo cutâneo femoral lateral (NCFL) uma estrutura puramente sensitiva , que provoca dor, queimação, parestesia e alteração da sensibilidade na região anterolateral da coxa, sem gerar qualquer déficit motor.

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Vamos nessa!

Definição da Meralgia Parestésica

A meralgia parestésica, também conhecida como síndrome de Bernhardt-Roth ou síndrome do túnel inguinal, é uma neuropatia periférica provocada pela compressão ou lesão do nervo cutâneo femoral lateral. Este nervo tem sua origem nas raízes espinhais de L2 e L3 do plexo lombossacral.

Por se tratar de um nervo de função estritamente sensitiva, a condição não provoca fraqueza muscular nem qualquer déficit motor no membro inferior. Os sintomas mais comuns incluem dor em queimação, parestesia (formigamento) e redução da sensibilidade (hipoestesia) na região anterolateral da coxa, que podem se estender até próximo ao joelho.

Na maioria das vezes, a doença apresenta um curso benigno e autolimitado, evoluindo com boa resposta ao manejo conservador. Contudo, se a compressão nervosa persistir sem o tratamento adequado, o quadro pode se tornar crônico, levando a desconfortos prolongados e alterações tróficas na área acometida.

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Etiologia da Meralgia Parestésica

A meralgia parestésica possui uma etiologia multifatorial, decorrente da compressão, estiramento ou lesão do nervo cutâneo femoral lateral (NCFL) ao longo do seu trajeto. Seu desenvolvimento resulta da combinação de estressores mecânicos externos, alterações metabólicas ou traumatismos iatrogênicos.

Os principais fatores de risco e causas incluem:

  • Fatores mecânicos e compressão externa: uso de roupas e cintos apertados (“doença do jeans”), aumento da pressão intra-abdominal por obesidade (IMC > 30 kg/m² dobra o risco de desenvolvimento), gravidez, tumores pélvicos ou perda rápida e acentuada de peso com redução da gordura protetora ao redor do nervo.
  • Condições metabólicas e sistêmicas: diabetes mellitus, consumo excessivo de álcool, hipotireoidismo, intoxicação por chumbo e faixa etária avançada, apresentando maior incidência entre a quarta e a sexta década de vida.
  • Causas iatrogênicas e cirúrgicas: lesões diretas ou trações nervosas decorrentes de cirurgias como artroplastia de quadril, procedimentos na coluna, herniorrafia inguinal laparoscópica, osteotomias pélvicas e retirada de enxerto ósseo da crista ilíaca.
  • Posicionamento cirúrgico e de UTI: permanência prolongada em posições como decúbito ventral (pronação), litotomia ou posição beach-chair.
  • Variações anatômicas e estruturais: trajetos atípicos do nervo ao atravessar o ligamento inguinal, discrepância no comprimento dos membros inferiores e alterações degenerativas pélvicas.

Em conjunto, esses fatores causam o aprisionamento ou a irritação contínua do nervo cutâneo femoral lateral, desencadeando o quadro doloroso e as alterações sensitivas características da condição.

Manifestações clínicas da Meralgia Parestésica

A manifestação clínica mais característica da meralgia parestésica é o surgimento de alterações puramente sensitivas na face anterolateral da coxa, que costumam se instalar de forma subaguda, ao longo de dias ou semanas. Por se tratar do acometimento de um nervo sem função motora, a condição não evolui com fraqueza muscular ou perda de força no membro afetado.

Sintomas clássicos e localização

Os pacientes relatam predominantemente dor em queimação ou pontada, sensação de formigamento (parestesia) e redução da sensibilidade ao toque (hipoestesia). O quadro é tipicamente unilateral e as queixas ficam bem delimitadas no território do nervo, estendendo-se da região do quadril até logo acima do joelho. Em casos mais crônicos, o atrito contínuo no local pode até levar à perda local de pelos (alopecia).

Fatores de agravo, alívio e exame físico

Os sintomas tendem a se intensificar na postura de pé prolongada, durante caminhadas ou na extensão do quadril, assim como ao deitar-se de costas com as pernas estendidas. Por outro lado, o alívio é frequentemente obtido ao sentar ou flexionar o quadril. Ao exame físico, é comum encontrar dor à palpação logo abaixo da espinha ilíaca anterossuperior, mantendo-se os reflexos osteotendíneos totalmente preservados.

Diagnóstico da Meralgia Parestésica

O diagnóstico da meralgia parestésica é predominantemente clínico, baseando-se na história detalhada do paciente e em um exame físico minucioso. A suspeita clínica deve ser elevada diante do relato característico de dor, parestesia ou hipoestesia restritas à região anterolateral da coxa, sem qualquer comprometimento motor associado.

Durante a avaliação física, manobras específicas auxiliam na confirmação da neuropatia. O teste de compressão pélvica destaca-se por sua elevada sensibilidade e especificidade ao reproduzir ou aliviar os sintomas. Adicionalmente, a pesquisa do sinal de Hoffmann-Tinel medial à espinha ilíaca anterossuperior e o teste de Lasègue invertido fornecem subsídios clínicos valiosos.

Nos casos em que a clínica é típica, a infiltração probatória com anestésico local serve como uma importante ferramenta confirmatória, na qual o alívio da dor valida o envolvimento do nervo. Exames complementares como a neurosonografia, a ressonância magnética e os exames eletrofisiológicos são reservados para quadros atípicos, auxiliando na visualização de alterações estruturais e na exclusão de diagnósticos diferenciais, como a radiculopatia lombar.

Tratamento da Meralgia Parestésica

O tratamento da meralgia parestésica é predominantemente conservador e focado na remoção dos fatores de compressão sobre o nervo cutâneo femoral lateral. Por se tratar de uma condição benigna e frequentemente autolimitada, a grande maioria dos pacientes apresenta recuperação espontânea ou melhora significativa apenas com ajustes comportamentais e suporte sintomático.

A abordagem de primeira linha envolve a orientação para evitar o uso de roupas e cintos apertados, redução de peso quando indicada e aplicação local de gelo. Para o alívio da dor e do desconforto, utiliza-se o manejo farmacológico com analgésicos, anti-inflamatórios e medicamentos antineuropáticos como gabapentina e carbamazepina , além de adesivos tópicos e fisioterapia.

Nos casos em que os sintomas persistem, podem ser indicadas infiltrações de anestésico local com corticóide guiadas por ultrassom ou procedimentos como a radiofrequência. A cirurgia é reservada exclusivamente para quadros graves e refratários, podendo consistir na descompressão nervosa, que preserva a sensibilidade da coxa, ou na neurectomia, que garante alta taxa de alívio da dor, mas resulta em anestesia permanente na região.

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Referências

SCHOLZ, Christoph; HOHENHAUS, Marc; PEDRO, Maria T.; UERSCHELS, Anne-Kathrin; DENGLER, Nora F. Meralgia Paresthetica: Relevance, Diagnosis, and Treatment. Deutsches Ärzteblatt International, v. 120, p. 655–661, 2023.

COFFEY, Ryan; GUPTA, Vikas. Meralgia parestésica. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2023.

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